por Rosiane Correia de Freitas

O papel dos técnicos no novo mercado brasileiro será o centro da discussão de um seminário, o primeiro do gênero no Paraná, que acontecerá em Apucarana, de 21 a 23 de setembro. Em debate, estarão questionamentos como o tamanho do mercado, as funções a que os técnicos estão prontos para assumir e o que deve mudar na legislação nacional.

Para o presidente da Associação dos Técnicos do Paraná (Astepar), Luiz Henrique da Cunha, entidade promotora do evento, um fato é certo. Cunha diz que, nos últimos anos, a demanda por “técnicos nos quadros das administrações públicas aumentou, principalmente por causa do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal”. E vai além. Lembra que, no governo Lula, as escolas técnicas voltaram a formar profissionais. Mas que, apesar disso, “ainda faltam técnicos no mercado”. Para o presidente da Astepar, “quem se forma já tem emprego”.

Para Cunha, a maior dificuldade do técnico está nas empresas menores. “Na construção civil, por exemplo, se contrata engenheiro e mestre de obras. Nossa bandeira é de qualificar essa mão de obra. Colocar o técnico nesse papel de coordenar a execução”, diz ele.

O CREA apoia a discussão e o encontro dos técnicos do Paraná. “O evento tem um caráter estadual. A ideia é levar para o interior essa discussão”, afirma Helio Xavier da Silva, gerente da regional do CREA-PR, em Apucarana. ”Na construção civil há uma tendência de que o técnico substitua o mestre de obras. O mestre de obras é um prático. O técnico é alguém que se formou, se preparou tecnicamente na prática e na teoria”, afirma Silva.

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Luiz Henrique da Cunha, presidente da Astepar

Qual é a diferença do mercado de trabalho para o técnico e para o tecnólogo?
LHC Para mim, o curso de tecnólogo está mais à margem do mercado que o técnico. Para a empresa é mais fácil e mais barato contratar o técnico, que tem salário menor. O tecnólogo não tem mercado consolidado e o salário se equipara ao dos engenheiros por ser uma formação superior.

O que poderia ser feito para melhorar o mercado?
LHC Há uma grande briga para que se aumentem os limites para que o técnico assine projetos (que hoje é de 80 metros quadrados para o técnico em edificações), mas na realidade o projeto é 1,5% do preço de execução. O que rende é o canteiro, a execução do projeto.

E em outras áreas?
LHC Isso não se limita ao técnico em edificações. Nas outras áreas, como a eletrotécnica, isso também acontece. O técnico exerce esse trabalho de execução com qualidade e segurança. Poderia acompanhar a obra de qualquer tamanho, sem restrições. É para isso que queremos chamar a atenção. A intenção é conscientizar toda a cadeia produtiva disso.