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Acesso em 26/02/2024 às 17h21.

3ª Semana de Ética do Crea-PR inicia com reflexão sobre o sentido das profissões na sociedade

O evento, que iniciou nesta terça e encerra hoje, trouxe ao Paraná representantes nacionais para a discussão do tema

20 de outubro de 2021, às 12h00 - Tempo de leitura aproximado: 9 minutos

Na noite desta terça (19) iniciou em Curitiba a 3ª Semana de Ética do Crea-PR, com a participação de representantes de Entidades de Classe, conselheiros e referências nacionais no assunto, para debater o tema central ‘A Ética Profissional e sua aplicação prática’.

Na abertura, representando o presidente do Crea-PR, esteve presente o diretor administrativo, engenheiro civil José Carlos Dias Lopes da Conceição. Ele afirma ser “importante termos boas referências na área ética, e estar em dia com a ética deve ser um princípio de gestão para qualquer profissional”.

A coordenadora da Coordenadoria Nacional das Comissões de Ética, engenheira civil Carmem Eleonora Amorim Soares sentiu-se gratificada por estar no Paraná acompanhando este importante debate, “pois o estado é destaque na Coordenadoria Nacional de Ética, está em primeiro lugar no país pela quantidade de processos apurados”. Ela comenta ainda que com o trabalho dos coordenadores e assessores estão sendo tratados processos que estavam em trâmite desde 2005. “Além disso, outras conquistas são a aprovação do Dia Nacional da Ética e do Dia Nacional da Ética dos Engenheiros, Agrônomos e Geocientistas, além de eventos que devem acontecer em breve”, conta a engenheira.

Outro avanço foi o desenvolvimento de um guia prático de tramitação de processos de ética, para que todos estejam capacitados para trabalhar nesse modus operandi atual. O material explica de forma facilitada para os profissionais que não são da Comissão de Ética, não trabalham com isso diariamente. Mas, segundo Carmen Eleonora, “o destaque no momento é o desenvolvimento de um sistema nacional integrado de processos éticos, com acesso para todos os Creas, trazendo jurisprudência de pareceres e decisões, uma conquista dessa gestão do Confea, que tem dado bastante apoio à Coordenadoria de Ética, com auxílio dos profissionais de tecnologia da informação, que foram do Paraná para o Conselho Federal”, diz.

O coordenador da Comissão de Ética Profissional do Crea-PR, engenheiro civil Itamir Montemezzo, também falou do estado como referência nacional em processos de ética. “Trabalhamos com aproximadamente 100 novos processos por ano e hoje estamos tratando de 500 processos. Chegamos a esse número com os olhos atentos da nossa fiscalização, além de investigação de documentos”, conta. Motemezzo cita satisfeito que “o sistema integrado deve ter seu lançamento inicial ainda este ano, na próxima reunião da Coordenadoria já teremos um embrião desse sistema”.

Representando o presidente da Mútua, participou o diretor geral da Mútua-PR, engenheiro civil Júlio Cesar Russi. Ao falar do livro Manual de Ética Profissional, cita que “cada um de nós deveria ler esse Manual porque temos hoje temos muita dificuldade em conversar sobre ética, e os engenheiros e agrônomos sofrem pela prática corrente que vai contra os princípios éticos, por alguns profissionais. Espero que a partir desse debate possamos lutar por um ideal comum, que é o bem das Engenharias”.

A aplicação da ética profissional na Engenharia

A engenheira agrônoma Juliana Casadei fala do tema ‘A aplicação da ética profissional na Engenharia’.

A palestra da noite, com o tema ‘A aplicação da ética profissional na Engenharia’, foi proferida pela engenheira agrônoma Juliana Casadei, autora do livro Manual de Ética Profissional.

Além de agrônoma, ela é zootecnista e jornalista, mestre em Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos e doutoranda em Desenvolvimento Local em Contexto de Territorialidades. Atualmente é Consultora Socioambiental do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para o Programa de Desenvolvimento Integrado do Município de Campo Grande.

Juliana iniciou sua fala com um exemplo cotidiano, a escolha ou não em trafegar de carro por poucos metros na contramão para chegar de forma mais rápida ao destino. Com essa situação simples, dirigiu uma grande reflexão, chegando à conclusão que “é preciso escolher o que é mais confortável para mim, porém dentro dos caminhos possíveis para fazer, pensando no coletivo”.

No conteúdo de sua palestra, trouxe diversos pontos para se pensar. As decisões conforme o grupo social e a necessidade individual, afirmando que os seres humanos têm uma dependência nata e seguem a lógica do pensar coletivo. A relação entre a liberdade e os limites, as escolhas dentro do campo possível. “O direito de liberdade existe, somos livres para fazer escolhas, mas dentro de um limite, que é justamente a moral e a ética”, explica Casadei.

A ética é um conjunto de condutas aceitáveis para se atingir um fim. Para essa definição, cada sociedade ou grupo social escolhe o que almeja como objetivo maior, sua finalidade, e aí elenca quais comportamentos são esperados para atingi-los. Portanto, “conhecer onde se quer chegar é determinante para escolher o conjunto de comportamentos esperados” cita a palestrante.

Na escolha de como agir, estão também a avaliação moral e o juízo de valor, que levam em conta o grau de utilidade de uma coisa ou bem, e o que é certo ou errado. Mas “é sempre o fim onde se quer chegar que determina o processo, a conduta, o percurso”, explica.

Então, neste raciocínio, para que se siga os princípios éticos, é determinante pensar quais os motivos da escolha da profissão. Pode ser, por exemplo, reconhecimento profissional, estabilidade financeira, satisfação familiar, atingir um grau de escolaridade, conhecimento ou informação, poder, ou servir à sociedade. Porém, a trajetória da carreira pode levar a pessoa a um papel que nem sempre está ligado aos motivos que o levou a escolher tal profissão, mas cada uma tem sua função social.

Quanto à função social das profissões do Sistema Confea/Crea, elas são caracterizadas pelas realizações de interesse social e humano, que importem na concretização de diversos tipos de empreendimentos, conforme a Lei 5.194/66. “Então, mais importante do que o bem, produto ou serviço de que resulta o trabalho, é compreender essa função social da profissão, sempre caracterizada pelo interesse social e humano. Isso é decisivo para compreender nossa finalidade e isso vai determinar o conjunto de conduta e comportamento, destaca Juliana.

Conforme o Código de Ética, as profissões desse Sistema são caracterizadas pelo saber científico e tecnológico que incorporam, pelas expressões artísticas que utilizam, e pelos resultados sociais, econômicos e ambientais eu realizam. Assim, para a engenheira, a função social dos engenheiros, dentro dessa realização de interesse social e humano, passando pelos resultados sociais, econômicos, ambientais, é a sustentabilidade.

Juliana falou ainda do artigo 8º do Código de Ética, que passa pelos sete princípios: correspondência do objetivo da profissão e o bem comum; submissão da técnica à sociedade; honradez da profissão; eficácia profissional; bom relacionamento profissional; intervenção profissional sobre o meio; e liberdade e segurança profissionais. Para ela, é “refletir sobre esses princípios nos faz reconectar com a conduta que devemos ter”. Finalizando, comentou sobre o artigo 9º, que fala dos deveres dos profissionais.

“Tudo isso leva a uma prática zelosa e íntegra. O importante é sentir, entender realmente o sentido de sua profissão, para saber o que é íntegro e correto. De resto, as questões estão bem definidas e objetivas no Código de Ética e nas leis”, conclui Juliana Casadei.

Participação da plateia

Os participantes tiveram a oportunidade de debater sobre ética profissional.

Após a palestra foi aberta a oportunidade de perguntas. O engenheiro mecânico Ricardo Vidinich comentou sobre a palavra veracidade, citada na palestra. “Os princípios são imutáveis, mas as verdades mudam. Como podemos levar a verdade para ela ser exercida de fato? Existe uma dificuldade enorme nas pessoas para elas entenderem as verdades. Como mexemos nessa força econômica que vai contra as verdades, como traduzimos isso aos nossos milhões de engenheiros?”, pergunta.

Juliana disse não poder responder exatamente à questão, mas sim deixar uma reflexão. “Temos que compreender que tudo é um processo que passa por um tempo de maturação, que pode ser longo, mas certamente se resolve. Existem realmente inverdades que são colocadas como verdades em certo momento, mas o que me conforta é que em algum período isso vai se dissolver”, diz.

A coordenadora Carmen Eleonora comenta que “nosso Código de Ética é diferente de todos os outros porque foi elaborado pelas Entidades de Classe e não pelo Conselho, como é feito em todas as outras profissões.  A última versão foi considerada melhor que da Federação das Engenharias por incluir até a parte ambiental, diferente das demais. Porém, é a melhor no papel. Na prática ainda há dificuldade em realizar. Na minha visão a dificuldade é pensar no outro, pois temos que ser solidários para ser éticos”.

O engenheiro químico Paulo César Markovicz, assessor da Comissão de Ética Profissional do Crea-PR, comenta que “quando se fala como deve ser o profissional ético, seu perfil, os contratantes enxergam como um profissional que tem seu trabalho com um preço muito alto, então parece que no mercado ele não deve ser ‘ético’, pois isso custa caro. Então como mostrar isso ao mercado, mudar essa visão de que é necessário que esse profissional seja ético?”.

Para Juliana essa situação é realmente difícil, por ser afetada até por questões econômicas, “mas a responsabilidade disso é dos profissionais mesmos, de quando receberem propostas que vão contra a ética, dizerem não e o motivo. Mesmo que pareça utópico, insisto que é necessário trabalhar isso no profissional, e conforme ele for ético e persistente, e o contratante conseguir outro que aceita o trabalho de qualquer forma, uma hora esse contratante vai entender porque o bom profissional tem um trabalho de valor maior, porque vale a pena, e que o outro contratado vai custar mais caro ao longo do tempo. Esse valor só vai ser dado ao profissional iniciando por ele mesmo”.

A jornalista Patricia Giannini questionou sobre como o profissional deve respeitar as decisões do cliente, mantendo a conduta ética. Juliana explica que “esse respeito deve acontecer dentro do que é possível, o respeito no sentido de preferências, de possibilidade de trabalho, de capacidade financeira, mas se o pedido ferir o Código de Ética, não deve ser realizado”.

Manual de Ética Profissional

O livro Manual de Ética Profissional, “que tem como propósito refletir sobre que profissional queremos nos tornar”, conforme explica a autora, está disponível gratuitamente em versão on-line, no endereço: www.manualdeeticaprofissional.com.

 

A 3ª Semana de Ética Profissional do Crea-PR continua nesta quarta à noite.

 

Texto: Débora Pereira – Comunicação Crea-PR


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