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Dia Internacional da Mulher: histórias reais de profissionais inspiradoras

8 de março de 2019, às 8h00


Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta sexta-feira, 8 de março, o Crea-PR escolheu histórias reais de profissionais que representam a força, competência e garra das mulheres com as quais convivemos todos os dias. Queremos homenagear todas as mulheres que fazem a diferença e ajudam a construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Mulheres inspiradoras

Mulheres reais que inspiram. Essa é a história da Engenheira Civil Margareth Nazima Saiuri, 44 anos, cuja filha de 25, Giovanna Nazima Fioravante, decidiu seguir os passos da mãe. “Eu me lembro que dormia debaixo da mesa enquanto a minha mãe estudava com os colegas de classe. Ela varava a noite e eu achava aquilo uma loucura. Eu dizia que jamais faria um curso como aquele, mas acabei mudando de ideia depois dos 16 anos”, conta a jovem. No Ensino Médio, a jovem começou a pesquisar sobre as profissões e descobriu que tinha aptidão pelas ciências exatas. “Quando me deparei com as Engenharias, sabia que faria uma delas. Foi quando finalmente escolhi a Engenharia Civil”, completa. Giovanna atribui a escolha pela profissão ao exemplo de força, perseverança e independência da mãe. “Com certeza ela me influenciou. Sempre cresci com a ideia nítida de que precisava trabalhar para me formar e não depender de ninguém nunca”. Hoje, a mãe é funcionária da filha, que é sócia-proprietária de um escritório de Engenharia Civil em Londrina, aberto há cerca de um ano.

A Engenharia que passa de mãe para filha também se repete em Cascavel, no Oeste do estado. A relação de Ivete Dillenburg Giovanell e Larissa ultrapassou os laços de sangue e foi parar no escritório. “Minha primeira formação é na Engenharia Agrícola, em 1987, mas sempre atuei na área urbana. Então, em 2003 me formei Engenheira Civil. Minha paixão é construir o sonho das pessoas, fazer projetos de vida. Porque construir uma casa é a realização de um sonho e agora, quando olho para o lado e vejo a Larissa, meu coração se enche de orgulho por ela fazer parte disso também”, relata Ivete. Larissa, por sua vez, fala de como é ter uma “professora” quase que em tempo integral. “É excelente ter a mãe Engenheira, pois ela quase sempre tinha as respostas, não só para as questões pessoais, mas para as minhas dúvidas de Engenharia”, argumenta. “Mas a cobrança também é maior, com um professor te ensinando quase que todos os dias. Por isso não é aceitável cometer erros”, pondera.

Saindo do Oeste e indo para o Sudoeste, encontramos duas pato-branquenses mãe e filha que também têm vocação para Ciências Exatas. Maria Nalu Verona Gomes é Engenheira de Materiais, doutora em Engenharia Mecânica e atualmente professora do curso de Engenharia Mecânica da UTFPR – Câmpus Pato Branco; Laura Verona Gomes, Engenheira Mecânica, trabalha como Engenheira de Custos na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais. Mas história não para por aí. A família tem vocação para as Ciências Exatas. Angela Verona Gomes, filha de Maria Nalu, é arquiteta. E Silvana Verona, Engenheira de Materiais, e Viviane Verona Galera, Engenheira Ambiental, são irmãs de Nalu.

A explicação pode estar na matriarca da família, Ernestina Bet Verona. “Na nossa família, havia apenas um primo Engenheiro. Mas acho que a resposta pode ser genética. Contam que minha mãe era muito boa em Aritmética, a Matemática da época”, relata Nalu.

Formada em 1996 na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) – na terceira turma de Engenharia de Materiais a concluir a graduação no Estado, Nalu trabalhou na Whirlpool (multinacional que detém as marcas Brastemp e Consul), em São Paulo, e em empresas da região, como Fogões Petrycoski/Atlas e Aramart. Desde 2008 é docente da UTFPR – Câmpus Pato Branco, primeiro como professora substituta; foi aprovada em concurso no ano de 2010. Também é inspetora do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR), na Regional Pato Branco.

A Engenheira aponta o dinamismo como um dos diferenciais da profissão. “É uma área que avança muito. A quantidade de materiais aumentou exponencialmente desde que comecei. As outras Engenharias evoluíram com a pesquisa de materiais. A Medicina, a robótica e a indústria da comunicação também evoluíram com os materiais”, afirma.

Quando mais jovem, Laura Verona Gomes pensava em seguir a carreira no Jornalismo. Mas inscreveu-se também para Engenharia Mecânica e foi aprovada nos dois concursos. “Acabei optando pela Engenharia e me apaixonei já no primeiro semestre”, recorda Laura, que se graduou na UTFPR – Câmpus Pato Branco, em 2012.

A escolha pelas Ciências Exatas teve influência da família? “Talvez a influência tenha ocorrido porque minha mãe estudou Engenharia mais tarde, depois dos 30 anos. Eu via a dedicação dela, estudando noites e noites. Os filhos se espelham nos pais e eu tinha aptidão para Matemática”.

Na região Central do estado, Engenharia também é profissão que conquista gerações. Formada em 1987 em Engenharia Civil, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ana Luiza Kubiak Tozetto é a responsável técnica e proprietária da K2 Construção Civil, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. É ela quem coordena uma equipe de sete funcionários e garante visitar diariamente os canteiros de obra. É a proximidade com os colaboradores e clientes, segundo ela, que ajuda a resolver problemas de cunho pessoal ou técnico com os colaboradores e garantir a qualidade do produto final , valorizando os clientes.

“Acredito que o fato de estar todos os dias nas obras, mantendo cronogramas em dia e ouvindo histórias é que me auxilia a ter uma gerência diferenciada. Nisso tudo está um pouco da atitude feminina, de olhar o outro com mais atenção. Saber cobrar na hora certa e ouvir o funcionário quando ele precisa é o que faz a diferença e ajuda o trabalho a fluir melhor”, diz.

A paixão pela profissão despertou na filha da Ana Luiza o interesse pela Engenharia. Apesar de não seguir a mesma modalidade que a mãe, Jéssica Tozetto optou pela Engenharia de Alimentos. Formada há dois pela UEPG, Jéssica mora atualmente em Erechim, no Rio Grande do Sul, onde atua em uma fábrica de balas, pirulitos e chocolates. “Gostaria que ela assumisse e administrasse minha empresa, mas o interesse pela Engenharia de Alimentos falou mais alto. A decisão dela ocorreu depois de diversas pesquisas na internet, seminários de profissões e conversas com os professores. É mais uma Engenheira na família e que começou carreira na empresa atual após uma vaga de estágio”, comemora a Engenheira Civil, Ana Luiza.

Obras construídas por mulheres

As mulheres também deixam suas marcas em Maringá, no Noroeste do estado. Exemplo disso são as construções do Novo Centro e do Contorno Norte. Entre as obras recentes estão a revitalização do Shopping Cidade, a nova sede do Sicredi e a construção de um edifício de 25 andares na zona 7, que será entregue em maio.

Foi na gestão do prefeito Said Ferreira, na década de 1985, que surgiu a necessidade de mudar o Novo Centro de Maringá. No entanto, o projeto Ágora do arquiteto Oscar Niemeyer não prosperou. Quase seis anos depois, a prefeitura iniciou a obra mais demorada e importante do processo de ocupação urbana da cidade. E em 10 anos, o quadrilátero da área central (com 216 mil metros quadrados) se transformou.

Foram erguidos mais de 40 edifícios comerciais e residenciais no Novo Centro e muitas obras foram executadas pela Engenheira Civil Siomara Lima Provensi. “Eu acompanhei pelo menos dez prédios dessa região da cidade, desde a fundação até a entrega das chaves aos condôminos”, lembra. Atualmente, ela comanda a conclusão de um edifício de 25 andares na zona 7, que será entregue em maio. “O prédio é moderno e sustentável, tem sistemas de automação e aquecimento solar”, destaca.

A Avenida Advogado Horácio Raccanello Filho foi construída no lugar da antiga estação ferroviária maringaense e dos trilhos que cortavam a cidade – antes do rebaixamento. Na época, a Engenheira Civil Inako Kubota, do setor de Urbanismo e Uso e Ocupação do Solo da prefeitura, aprovou várias construções de edificações e certidões de estudo de impacto ambiental. “Muitos projetos de edificações têm a minha assinatura no alvará de execução aprovados nas décadas de 1980 e 1990. Mas alguns profissionais de Engenharia não gostavam do rigor da minha análise dos projetos”, brinca. Aposentada desde abril de 2010, hoje Inako viaja o mundo afora, após deixar sua marca no progresso e desenvolvimento da cidade de Maringá.

Há mais de duas décadas a Engenheira Civil Elaine Aparecida Merenda (especialista em Orçamento, Planejamento e Gerenciamento de Obras), contribui com a construção civil maringaense. Entre as obras recentes está o gerenciamento da revitalização do Shopping Cidade e o orçamento para construção da nova sede do Sicredi Maringá. Neste último, ela fez toda a precificação para que a obra pudesse ser licitada. A empresa de Elaine presta serviços para prefeituras, construtoras, hospitais e outros estabelecimentos, mas cada projeto é tratado com a mesma importência. “Projetos complexos são mais desafiadores e nos leva a aprender mais. Já projetos que possibilitam melhorias à população, como no caso do Shopping Cidade e do Sicredi, nos dão muito orgulho em participar.”

A Engenheira Civil Danielle Nardino estava há três anos no mercado quando soube da construção do Contorno Norte, na BR-376, em Maringá. O projeto chamou a atenção porque era o sonho dela trabalhar em obras grandes e pesadas, como rodovias, viadutos e pontes. Ela enviou currículo para a Construtora Sanches Tripoloni e foi contratada. O trabalho iniciou pelo laboratório e logo Danielle estava no setor industrial da empresa. “Em 2010 eu assumi a administração da obra e fiquei até a inauguração do Contorno Norte, em janeiro de 2014. Foram executados 16 km de pista dupla, 12 viadutos, três pontes e quase 60 mil m² de muro de contenção”, explica. Na terça-feira (5), a Engenheira completou dez anos na construtora. “Sou muito feliz e grata pela oportunidade que me deram, pois acreditaram no meu trabalho”, conclui.

Crescimento vertiginoso

O número de Engenheiras tem crescido nos últimos anos, de acordo com levantamento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). A pesquisa aponta que o número de profissionais registradas no Conselho passou de 9.609, em 2014, para 12.546 neste ano – aumento de 24%. Na Regional de Curitiba do Conselho, existem 3.952 profissionais registradas.

Outra atividade que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos é a Engenharia de Segurança do Trabalho, que em nível estadual registrou aumento de 29% no registro de mulheres desde 2014.

Para a inspetora do Crea-PR da Câmara Especializada de Agrimensura e Engenharia de Segurança do Trabalho, Andressa Haiduk, o aumento das exigências trabalhistas e fiscalizações contribuíram para que este segmento passasse a ser olhado com mais atenção pelos engenheiros e engenheiras. “Atualmente, muito se fala em eSocial e seu impacto nas empresas. Com este mercado em alta, as empresas passaram a trabalhar de forma preventiva e não somente na corretiva. O fato da atividade de Segurança do Trabalho ser tanto de campo como gerencial atrai um maior número de mulheres que cada vez mais ocupam cargos de chefia. No meio acadêmico também já vemos o crescente número de mulheres em praticamente todas as Engenharias, sendo a Engenharia de Segurança uma delas”, observa.

Interior do estado

Na região de Guarapuava, o número de Engenheiras Civis cadastradas aumentou 149 para 197 de 2017 para 2018, totalizando uma porcentagem positiva de 25%. Levantamento da Regional Pato Branco do Crea-PR até 28 de fevereiro deste ano aponta que 17,3% dos profissionais registrados no sudoeste do Paraná são mulheres. Já no Oeste Paranaense, o número de mulheres atuantes na área também cresceu. Em 2010, elas somavam 590 profissionais, em 2015, 867 e em 2018, 1.182, o que significa que esse número mais que dobrou em quase uma década.

Na região Noroeste, em cinco anos, o aumento foi de quase 45%. Em Maringá, são 629 profissionais registradas no Conselho de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). Em Londrina e nas cidades abrangidas pela regional, o aumento foi de 43% no últimos cinco anos. Em 2014, elas eram 610; hoje, são 870.

A Inspetora do Crea-PR Engenheira Civil Sandra Cristina Glinski aponta que a facilidade de acesso às universidades e faculdades da região possibilita a inserção cada vez maior de mulheres nas Engenharias. “Na Engenharia as mulheres da região conseguem tanto trabalhar em construtoras, como montar seu próprio escritório, ou conquistar uma vaga por concurso. A personalidade detalhista feminina faz com que elas sejam eficientes tanto na elaboração do projeto quanto na execução das obras”, avalia a Inspetora.

Para a Engenheira Civil do Departamento de Obras da Secretaria de Viação, Obras e Serviços Urbanos, Eliane Aparecida Bischof Keche, as mulheres de fato estão conseguindo mais espaço nas Engenharias, mas para chegar até este cenário, inúmeros obstáculos foram superados. “Há 34 anos, quando me formei pela Universidade Federal do Paraná, fiz parte de uma turma de 220 alunos em que havia apenas seis mulheres. Logo depois de formada, enviei currículos para empresas que me rejeitaram sem nenhuma avaliação, apenas ‘por ser mulher’. Hoje, a eficiência e capacidade das mulheres são notórias, por isso elas estão cada vez mais ocupando espaço no mercado. Mas, vale ressaltar que ainda temos muito para avançar, acabando com o assédio profissional e atingindo isonomias salariais”, declara.

Comitê Mulheres do Crea-PR

Desde o início de 2017, o Crea-PR conta com o Comitê Mulheres, que objetiva fomentar o aumento da participação feminina nas decisões e em tudo que envolve o sistema Confea/Crea e as profissões da Engenharia, Agronomia e Geociências. Atualmente o Comitê é coordenado pela Engenheira Agrônoma Daniela Alves, que lidera o trabalho do grupo na produção de uma cartilha contra o assédio no canteiro de obras.

Confira o vídeo do Confea em homenagem às profissionais do Sistema:

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