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A Engenharia de Pesca e o crescimento da produção de peixes no Brasil

16 de abril de 2019, às 11h13


Foi-se o tempo em que o brasileiro consumia peixe apenas na Páscoa. O consumo aumenta efetivamente no feriado cristão, mas os peixes, em especial os de cativeiro, são cada vez mais comuns no cardápio das famílias e encontrados facilmente em supermercados. No ano passado, a produção brasileira atingiu 722 mil toneladas segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2019, da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). O volume é 4,5% maior do que as 691.700 toneladas de 2017.

A tilápia é um dos carros-chefe dos peixes de cultivo no Brasil. Foram 400.280 toneladas em 2018, com crescimento de 11,9% em relação ao ano anterior. O Paraná lidera o ranking nacional, com 123.000 toneladas/ano (29,3% do total), seguido de São Paulo (69.500 toneladas) e Santa Catarina (33.800 toneladas). Considerando a criação de peixes em geral, a participação paranaense alcança o segundo lugar no país, com 15%.

O aumento da produção tem reduzido custos e facilitado a chegada dos peixes às mesas dos brasileiros. E um dos motivos é o investimento em tecnologia. Nesse ponto, os Engenheiros de Aquicultura e de Pesca têm tido importante papel na profissionalização da cadeia produtiva. Há que diferenciar aqui a pesca da aquicultura. A primeira faz a retirada de recursos pesqueiros do ambiente natural. Já a outra é o cultivo de organismos aquáticos em um espaço confinado e controlado, geralmente.

“Esses profissionais são essenciais no desenvolvimento da produção, pois dominam os conhecimentos necessários para a execução de todas as fases da produção”, explica o Engenheiro de Pesca Ronan Maciel Marcos, professor e coordenador do curso de Engenharia de Aquicultura da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), em Laranjeiras do Sul.

Marcos salienta que os Engenheiros atuam desde a escolha dos locais para implantação dos viveiros até o congelamento e embalagem do produto final. “Foram esses profissionais os responsáveis por fazer do Paraná um dos principais Estados produtores de peixes do Brasil, atuando fortemente no desenvolvimento de sistemas produtivos, assistência técnica e da cadeia produtiva”, avalia o Engenheiro, que também é coordenador regional do Colégio de Instituições de Ensino (CIE) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), em Guarapuava.

Perspectivas ainda melhores

Com a introdução de tecnologias, dinâmica sólida na cadeia produtiva e acesso aos mercados, a tendência é de crescimento acentuado da piscicultura nos próximos anos.

Além disso, há a pendência da outorga de águas da União: mais de 2.800 processos aguardam análise da SAP (Secretaria de Aquicultura e Pesca, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). As solicitações, se aprovadas, deverão multiplicar por quatro a atual produção de peixes de cultivo no Brasil.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento projeta crescimento de 20% na atividade neste ano, com a expectativa de chegar a 170 mil toneladas de carne de peixe. A previsão leva em conta o incentivo ao consumo de pescados e também à entrada de novas indústrias no segmento, com aumento da oferta ao consumidor.

“Os pescados de cativeiro são produzidos de forma racional, não agridem o ambiente e, em muitos casos, até melhoram a qualidade da água. O consumo está crescendo muito, enquanto o preço da carne de peixe está ficando cada vez menor, por influência direta do trabalho dos Engenheiros”, afirma Ronan Marcos, lembrando que a margem de lucro na indústria é pequena e necessita de processos eficientes para ser rentável.

Profissionais no Paraná

A criação de peixe em cativeiro ainda não representa 1% do Valor Bruto da Produção (VBP) paranaense. Mas tem importância para vários municípios no Estado: 60% do VBP e 66% da produção de pescados vêm do Oeste, principalmente das regiões de Toledo e Cascavel, onde a tilápia representa mais de 95% do total.

Não por coincidência, a maior concentração de Engenheiros registrados no Crea-PR está na Regional de Cascavel: um Engenheiro de Aquicultura e 52 Engenheiros de Pesca. A Regional de Curitiba do Conselho tem o segundo maior contingente de profissionais: dois de Aquicultura e 11 de Pesca. A seguir, vêm as Regionais de Guarapuava (quatro de Aquicultura e três de Pesca), Maringá (quatro Engenheiros de Pesca) e Apucarana (dois Engenheiros de Pesca). Há ainda 21 Engenheiros de Pesca registrados no Conselho paranaense que trabalham em outros Estados. Assim, são cem os profissionais registrados no Crea-PR: sete de Engenharia de Aquicultura e 93 de Engenharia de Pesca.

O incremento de novos profissionais também deve acontecer em breve. No Paraná, já são cinco instituições de ensino com cursos relacionados. A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), de Laranjeiras do Sul; o Instituto Federal do Paraná (IFPR), de Foz do Iguaçu; e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Palotina e Pontal do Paraná, oferecem a formação em Engenharia de Aquicultura. A Unioeste, de Toledo, conta com o curso de Engenharia de Pesca.

 

Foto: Carlos Eduardo Zacarkim

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Comentários

  1. Paulo Nascimento disse:

    Apesar de ser Engenheiro Civil, coloquei para debate no IPÊ aonde atuo como Conselheiro, por que não existe produção de crustáceos e peixes nas baía de Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Guaraqueçaba. Chamo de “fazendas do mar”. Geraria emprego/renda, turismo, indústria, etc

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