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Em tempos de ‘telas infinitas’ e inteligência artificial, educação no século XXI é debatida no Fórum de Docentes

8 de agosto de 2019, às 10h48


O avanço da tecnologia – cada vez mais rápido e intenso – trouxe uma série de benefícios para a sociedade, mas, por outro lado, impôs desafios na mesma proporção – a ponto de fazer com que um professor, jovem e conhecido pelo jeito dinâmico de trabalhar com os alunos, passasse a se sentir um “dinossauro” em sala de aula.

É essa trajetória – e como ele conseguiu reverter a fase difícil – que o professor José Motta Filho abordou durante o 26º Fórum de Docentes e Discentes, promovido pelo Crea-PR entre os dias 7 e 9 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR). O congresso é realizado anualmente, em parceria com as instituições de ensino, e reúne professores e universitários dos cursos cobertos pela área de atuação do Sistema Confea/Crea (Agronomia, Engenharias e Geociências), além de dirigentes das instituições de ensino, conselheiros regionais e federais, e demais autoridades.

Na palestra que abriu as atividades nesta quinta-feira (8), o professor Motta foi a fundo no tema “Educação no Século XXI”. Após 23 anos lecionando para o Ensino Médio e calouros de Engenharia, em disciplinas como Física e Cálculo, foi em 2014 – época que coincide com a popularização dos smartphones –  que o professor percebeu que algo havia entrado em descompasso. “Sempre fui um professor que a galera gostava, mesmo com disciplinas difíceis, então entrei em desespero quando vi que não conseguia mais dar as aulas que eu dava antigamente. Tinha virado um dinossauro”, lembra.

Havia chegado a hora de repensar a própria formação para conseguir dar conta do perfil dos alunos que, do ano 2000 em diante, já nasceram conectados. O professor se especializou em metodologias ativas de ensino, que colocam os alunos como protagonistas no processo de aprendizagem. E mesmo as tecnologias, que poderiam ter servido de lamento, viraram ferramentas de ensino. “O smartphone, tablet, computador, óculos de realidade virtual, qualquer um desses aparatos tem que ser uma ferramenta numa metodologia de aula. É preciso dominar a metodologia a ser empregada e então inserir a tecnologia como instrumento de pesquisa, de interação. Não é usar por usar. Mas isso não é da noite para o dia, é um processo. Na educação, nada acontece de forma rápida. Eu fiz e funcionou, e tenho feito consultorias com outros professores e eles me contam que têm mudado a visão a respeito”, comenta.

Segundo o Presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha, a palestra foi impactante para os Docentes presentes. “Como professor, destaco a parte da palestra em que o professor Motta dissecou todo processo educacional atual, mostrando alguns valores que os professores devem ter, as atualizações educacionais que precisam ser feitas pelos docentes e a presença cada vez mais forte dos alunos nos processos de ensino e aprendizagem. A palestra foi muito interessante, mexeu com a platéia, e com certeza irá auxiliar os docentes presentes a repensarem suas práticas de ensino”, comenta o Presidente do Conselho.

No caso do professor Motta, a transformação deu tão certo que, há mais de dois anos, ele está fora de sala de aula (não por vontade, mas pela demanda de compartilhar as experiências com colegas de profissão). “O propósito do professor no século XXI já não é mais ser um ‘repassador de conteúdo’ e sim uma pessoa que vai orientar, inspirar, formar lideranças”, avalia.

A afirmação faz ainda mais sentido com a expansão das novas tecnologias e da Inteligência Artificial, que deve colocar à prova áreas inteiras do conhecimento, especialmente aquelas voltadas a um campo mais tecnicista, como as Engenharias, Agronomia e Geociências. “A inteligência artificial está substituindo o trabalho do homem quando ele é mais repetitivo, ou seja, não envolve criatividade, emoção, não tem a parte de soft skills (competências emocionais). É isso que vai servir para o mercado de trabalho no futuro, a capacidade de empatia, um bom relacionamento interpessoal, um perfil de liderança. E isso não se aprende na escola, apenas se o professor tiver uma estratégia que os alunos possam explorar. É preciso pensar no que o professor vai entregar a mais para o aluno, para que, daqui a 20 anos, se ele se esquecer do conteúdo, ainda se lembre das aulas”, salienta Motta.

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