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26º Fórum de Docentes: Brasil se une aos EUA para modernizar cursos de Engenharia

8 de agosto de 2019, às 17h44


Considerada estratégica para o mercado de trabalho e desenvolvimento nacional, a Engenharia foi escolhida para um programa de modernização de cursos de graduação. O edital do Programa Brasil – Estados Unidos de Modernização da Educação Superior na Graduação (PMG – EUA) foi publicado em 2018 pela Comissão Fulbright do Brasil, em conjunto com a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, estrutura vinculada ao Conselho Nacional de Educação/Ministério da Educação). O investimento será de R$ 6 milhões em oito instituições selecionadas: PUCPR, USP, UFSCar, UFRJ, Unifei, SENAI-Cimatec, UFRGS e Unisinos.

A proposta de modernizar os cursos também fortalecerá os sistemas de educação superior, ciência, tecnologia e inovação. Em oito anos, as instituições trocarão experiências com as universidades dos EUA e, depois, desenvolverão ações que ajudem no desenvolvimento do ensino da Engenharia no Brasil. Por ser uma iniciativa recente, o tema foi debatido durante um dos painéis do 26º Fórum de Docentes e Discentes do Crea-PR.

A mesa-redonda “Programa de Modernização da Graduação”, desta quinta (08) à tarde, foi realizada com a participação do Engenheiro Mecatrônico Ricardo Alexandre Diogo, da PUCPR de Curitiba; o Engenheiro Eletricista Antônio Carlos Seabra, da Poli-USP, São Paulo; e o Engenheiro Químico Claudio Goldbach, de Joinville (Santa Catarina), Diretor da ABII – Associação Brasileira de IoT e Indústria 4.0.

Segundo o Engenheiro Mecatrônico Ricardo Alexandre Diogo, da PUCPR (instituição selecionada), o PMG teve início em fevereiro. Em seis meses, o trabalho esteve concentrado em planejamento, estudos e prospecção de parcerias nos EUA. Ele destaca que está em pauta o uso das metodologias ativas de aprendizagem, como aprendizagem baseada em projetos ou problemas, hands-on, gamificação, ensino à distância, etc. E que como o projeto ainda é muito novo, é preciso encontrar as melhores formas de propor a modernização do ensino em Engenharia. “A modernização do ensino não está apenas na sala de aula ou nos laboratórios. Essa modernização também precisa atingir os níveis gerenciais e administrativos, parcerias com empresas e a sociedade”, reforça.

Em relação ao atual momento da educação brasileira, o Engenheiro acredita que o país não pode ficar preso aos modelos de matrizes curriculares antigas. E que isto não significa abandonar o ensino base da Engenharia, mas dar novos significados às grades. “Os estudantes devem se sentir motivados desde o início, aplicando os conhecimentos de ciências, matemática e programação. Outro ponto é a virada para a transformação digital, a Indústria 4.0, que tem transformado e criado muitas tecnologias que estão sendo aplicadas nos negócios. É nesse ponto que o Brasil está muito lento em acompanhar, que a educação superior precisa acelerar e buscar novas formas de preparar os futuros Engenheiros para as tecnologias atuais e as que virão no futuro”, acrescenta.

Para o Engenheiro Eletricista Antonio Carlos Seabra, da Poli-USP, o PMG teve um impacto muito grande na instituição, fez com que todos se reunissem para imaginar o futuro e propor ações para o ensino de Engenharia nos próximos oito anos, identificando as fraquezas e oportunidades. Hoje, são mais de 30 professores da USP envolvidos com a iniciativa. A partir da criação de um documento com cinco eixos, foi percebido que a modernização seria focada mais no diálogo entre os envolvidos, do que propriamente no uso das tecnologias.

“Felizmente, a Poli e a USP possuem infraestrutura invejável para os padrões brasileiros. Na Poli, todas as salas de aula têm sistema wi-fi ligado diretamente ao backbone da Fapesp, temos redes internas e a Eduroam funcionando ininterruptamente. Isso é transparente. Temos também um ambiente virtual de aprendizagem moderno e um site para hospedagem de vídeos, entre outras tecnologias. Por outro lado, a mudança de perspectiva de quais são os papéis do professor e do estudante, como lidar tanto com a diversidade dentro da Universidade como na sociedade, isso sim é desafiador”, avalia.

Sobre a grade de ensino atual nos cursos de graduação de Engenharia, Seabra também acredita que a matriz curricular deve ser discutida com criatividade. “Não podemos colocar tudo que é considerado essencial dentro da sala de aula e no espaço da primeira formação profissional de grau universitário, que é a graduação. Temos que abrir espaço para a troca de ideias, o convívio, novos elementos de formação essenciais do Século XXI. Fundir disciplinas e ao mesmo tempo transdisciplinar os programas, reduzir carga em sala de aula. Não colocar os estudantes em grades”, conclui.

Diferente dos outros dois convidados para mesa-redonda, que são professores de instituições selecionadas, o Engenheiro Químico Cláudio Goldbach levou para o debate o ponto de vista dele como Engenheiro e empresário, que irá contratar esses futuros profissionais de Engenharia. Ele explica que a discussão é de quanto as instituições estão conseguindo promover educação de qualidade e cumprindo o seu papel na sociedade.

De acordo com Goldbach, são dois pontos importantes: mercado e estudante, que investe tempo e, muitas vezes, dinheiro e depois não consegue emprego. “Será que as universidades estão formando Engenheiros alinhados às mudanças do mercado? O que as instituições têm feito para melhorar este cenário? Quais os desafios para os profissionais do futuro? Estes serão alguns pontos do debate, porque a gente não pode considerar que a transformação digital irá impactar somente o mercado, mas toda a sociedade, que exige profissionais diferentes”.

Goldbach destacou também as mudanças nas profissões decorrentes da quarta revolução industrial. A indústria 4.0 deve criar 30 novas profissões, segundo levantamento do Senai. Entre os segmentos beneficiados com novas profissões, estão automotivo, alimentos, máquinas e ferramentas, comunicação e construção civil. Será a integração do mundo físico e virtual, que abrange as áreas da internet das coisas, big data e inteligência artificial. O Engenheiro diz que o Fórum Econômico Mundial (https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2018) também discutiu o assunto, que pode embasar os estudos das instituições brasileiras de ensino superior.

 

PMG-EUA

Divulgado em janeiro deste ano, o primeiro edital (nº 23/2018) do Programa Brasil – Estados Unidos de Modernização da Educação Superior na Graduação (PMG – EUA) teve a cooperação da Comissão Fulbright e apoio do Conselho Nacional de Educação (CNE). A Capes vai investir cerca de R$ 2 milhões para a manutenção do projeto, missões de trabalho no exterior e visitas de curta duração. A Fulbright investirá US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 4,4 milhões) com as atividades de especialistas visitantes no Brasil e recursos de capital. Mais informações e a lista completa das instituições selecionadas podem ser consultadas também em http://www.capes.gov.br

 

Instituições selecionadas

– PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná)

– USP (Universidade de São Paulo)

– UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)

–  UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

– Unifei (Universidade Federal de Itajubá)

– SENAI-Cimatec (Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia)

– UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

– Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos)

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