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Acesso em 06/05/2021 às 06h05.

O papel da engenharia no gerenciamento de resíduos sólidos em contextos de pandemia

3 de abril de 2020, às 16h32 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

Considerada uma atividade de risco microbiológico mesmo em condições sociais de normalidade, o gerenciamento de resíduos requer atenção redobrada em momentos de pandemia, como o vivido atualmente no mundo todo com a Covid-19.

Resíduos sólidos carregam, muitas vezes, microrganismos patogênicos, tais como bactérias, vírus, protozoários e helmintos, e somados ao alto grau de disseminação do Coronavírus apresentam riscos à saúde dos profissionais que trabalham com coleta, transporte e tratamento de resíduos. Pensando nisso, os engenheiros que atuam como responsáveis técnicos destas empresas elaboram planos de ações com atividades extras para combater a Covid-19.

“Estudos indicam que o Coronavírus permanece ativo em plásticos e papéis por até cinco dias, em vidro e madeira por quatro dias, em aço por dois dias, e em alumínio por até oito horas. Tendo em vista esse tempo de permanência nos resíduos, principalmente nos recicláveis, são necessárias algumas medidas para mitigar o impacto negativo causado pelo vírus. Nessas condições é fundamental que toda a equipe de trabalho seja capacitada, não somente os colaboradores que atuam no gerenciamento de resíduos, mas também nos setores indiretos, como o administrativo, o de limpeza, entre outros, para que sigam as recomendações contidas no plano de ação elaborado pelo responsável técnico”, explica o Engenheiro Ambiental, Especialista em Gestão Ambiental, Felipe Marcel Dalmas Kotwiski.

Equipamentos de Segurança Individual (EPIs), kits com produtos de higiene pessoal e kits para limpeza dos veículos de coleta, utilização de álcool em gel, sabonete líquido, detergente, veículos de coleta com sistema de fornecimento de água para lavar as mãos, desinfecção dos equipamentos pré e pós coleta são algumas das ações preventivas implementadas pelas empresas.

Por outro lado, Kotwiski avalia que o Brasil tem muito a avançar na questão do gerenciamento de resíduos sólidos, já que muitos municípios não dispõem de aterro sanitário, coleta seletiva ou gerenciamento de resíduos de construção civil e demolição, por exemplo. Além disso, grande parte da população não tem a consciência da importância da separação correta dos resíduos para descarte.

“O gerenciamento incorreto, aliado à falta de sensibilização ambiental, ocasiona vários problemas de ordem sanitária e ambiental. É um ciclo: se o ambiente é afetado, a sociedade é afetada. Nessa situação de pandemia, o gerenciamento deve ser realizado da melhor forma possível, para evitar o aumento da contaminação das pessoas pelo Coronavírus. Se não for feito da maneira correta, o país pode começar a ter surtos e epidemias de outras doenças, veiculadas direta ou indiretamente através dos resíduos sólidos, que até então já estão controladas, como a leptospirose”, avalia o especialista em Gestão Ambiental.

Orientação

Confira as recomendações para a gestão de resíduos em situação de pandemia divulgadas pela ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental):

Os resíduos produzidos pelo paciente em isolamento no domicílio e por quem lhe prestar assistência, caso suspeito ou confirmado de infecção pelo Coronavírus, devem ser:

  • Separados, colocados em sacos de lixo resistentes e descartáveis;
  • Fechados com lacre ou nó quando o saco tiver até 2/3 (dois terços) de sua capacidade;
  • Acondicionados em sacos duplos, introduzindo o saco em outro saco limpo, resistente e descartável;
  • Fechados e identificados, de modo a não causar problemas para o trabalhador da coleta, nem para o meio ambiente;
  • Encaminhados normalmente para a coleta de resíduos urbanos.

 Dados do Conselho

De acordo com um levantamento do Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), a partir de números de ARTs (Anotação de Responsabilidade Técnica), estima-se que aproximadamente 1.300 empresas prestem serviços no segmento de gerenciamento de resíduos em todo o Paraná. A região de Curitiba é a que comporta o maior número de empresas, são 440, seguido pela região de Cascavel com 231, e Maringá com 139. A região de Guarapuava é a que possui o menor registro de empresas do setor, são 42.

 

Regional Empresas
Curitiba 440
Cascavel 231
Maringá 139
Ponta Grossa 122
Londrina 113
Pato Branco 71
Apucarana 61
Guarapuava 42
Registro de outros Estados 53

 

Naiara Persegona

Assessora de Imprensa do Crea-PR / Regional Guarapuava


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