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Acesso em 10/07/2020 às 22h17.

Crea-PR comemora Dia Internacional da Mulher na Engenharia destacando profissionais com soluções para o enfrentamento da Covid-19

Pesquisadoras ajudam a mapear e identificar o avanço da doença no Sul do país

23 de junho de 2020, às 8h00 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

Neste dia 23 de junho comemora-se o Dia Internacional da Mulher na Engenharia, uma data importante para o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), que reconhece e valoriza a presença crescente de mulheres em todas as modalidades representadas pela autarquia.

O envolvimento das profissionais em projetos que beneficiam e promovem o desenvolvimento da sociedade tem sido marcante nesse período que estamos vivendo, no Brasil e no mundo. Não seria diferente no Paraná. São muitas histórias de esforços em busca de soluções para o enfrentamento da pandemia de Covid-19.

O trabalho desenvolvido pela Engenheira Ambiental Nayana Machado e pela Geógrafa Ariadne Farias é um dos muitos exemplos. Assim que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o estado de pandemia, a Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Ariadne Farias – que tem como linha de trabalho a área de gestão de riscos e desastres – procurou pelo Grupo de Pesquisa Georisco da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para uma cooperação técnica entre pesquisadores. Da expertise da equipe nordestina, Ariadne trouxe para o Sul a metodologia de desenvolvimento de mapas que mostram didaticamente o avanço da pandemia na região Sul do país, no Paraná e em Curitiba, tendo como base dados oficiais da Secretaria Estadual de Saúde.

“O objetivo do trabalho é fortalecer a comunicação do risco de propagação da Covid-19 por contágio comunitário, por meio de representação espacial da cartografia e das informações geográficas”, conta a Geógrafa, que trabalhava no mapeamento do risco socioambiental de inundações urbanas. “Trabalho com gestão de risco e desastres, mais especificamente com o estudo de inundações nas cidades. Mas esse é, sem dúvida, um momento único no cenário de desastres e riscos, e senti esse compromisso de dar um retorno à comunidade, por meio de meus conhecimentos e minha atuação profissional. Os mapas são a nossa contribuição à sociedade, representam a nossa devolutiva por todo o investimento feito por meio da educação pública durante a nossa trajetória acadêmico-profissional. A Engenheira Ambiental Nayana Machado veio somar de forma bastante significativa nesse trabalho, que é disponibilizado a quem possa interessar”, explica a pesquisadora.

Os mapas do Paraná e de Curitiba são atualizados semanalmente, com cores que identificam os números de casos confirmados. As informações do mapa da região Sul são lançadas uma vez por mês. A proposta é facilitar o acesso das pessoas às informações qualificadas e, com isso, alertar para a gravidade da disseminação rápida da doença. “Com cores e legendas, a população consegue localizar qual a situação em seu município e região. Esperamos, com esse trabalho, poder gerar esforços para diminuir os impactos da Covid-19 e a sobrecarga sobre o sistema de saúde no Paraná e na região Sul do Brasil – além de reforçarmos sempre: se puder, fique em casa”, pede Ariadne.

No mapa mais recente divulgado pelas pesquisadoras, Cascavel e Londrina têm respectivamente, os índices mais preocupantes do Paraná, embora o maior número de casos seja de Curitiba. “É uma questão de cruzar os dados e estimar a incidência, ao comparar o número depessoas infectadas com o número de habitantes do município”.

As atualizações podem ser acessadas no site do Grupo de Pesquisas Dinâmicas Ambientais, Risco e Ordenamento do Território (https://grupodepesquisageorisco.blogspot.com/p/forca-tarefa-covid-19.html), no site do Coletivo Resiliente (https://www.coletivoresiliente.com.br/covid19), nas mesmas contas com perfis no Facebook, e no perfil pessoal das pesquisadoras no Facebook. As informações também estão sendo compartilhadas por WhatsApp (46 9922-4488).

Região Metropolitana de Curitiba

Em Pinhais, a Engenheira Cartógrafa Ágatha Branco também está mapeando a contaminação. O trabalho desenvolvido pela prefeitura da cidade tem como objetivo o direcionamento de ações de fiscalização. “Nos bairros onde há maior incidência, a prefeitura poderá reforçar a fiscalização do comércio ou até suspender sua abertura temporariamente”, explica a pesquisadora.

A Engenheira recebe os dados de pessoas com confirmação da doença, como endereço, idade, gênero, renda, e se o paciente está ou não internado. Os dados oficiais são lançados em uma planilha organizada por georreferenciamento, que gera mapas com a atualização semanal de como a pandemia está se desenvolvendo na cidade, nos bairros e até nos núcleos familiares – sem a identificação de nomes, para preservar a privacidade das pessoas. “Com esse levantamento atualizado semanalmente, a prefeitura pode pensar em soluções para evitar o agravamento da situação aumentando, por exemplo, o número de ônibus nos bairros mais afetados, ou ampliando o horário de atendimento das UPAs nessas mesmas regiões”, avalia.

Ágatha lembra que Pinhais é uma cidade pequena e não conta com leitos de UTI.

Planos de Contingência

Já uma outra ação de mulheres engenheiras frente à pandemia vem de Guarapuava, da Engenheira Ambiental e de Segurança do Trabalho, Inspetora do Crea-PR na Regional Guarapuava, Andressa Haiduk, que tem atuado na elaboração de Planos de Contingência de supermercados e cozinhas industriais. Além disso, a Engenheira está auxiliando as indústrias na retomada de suas atividades, seja com o Plano de Contingência ou com as Auditorias de Adequação às Medidas de Proteção à Covid-19, de acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde, Legislação Federal, Estadual e Municipal. No lado social, a Inspetora do Crea-PR tem orientado a Associação de Pais e Amigos Excepcionais de Porto União (APAE) na retomada das atividades.

“O Plano de Contingência é um planejamento preventivo para atuação das empresas em momentos que afetam as condições normais de funcionamento, no caso, a pandemia. É a gestão, que trata não apenas de reduzir a probabilidade de incidências dos riscos, mas também os impactos dos mesmos” explica Haiduk.

Comitê Mulheres

Os exemplos destacados nessa matéria foram sugeridos pelo Comitê Mulheres do Crea-PR. O objetivo do Comitê é fomentar o empoderamento das mulheres e o aumento da participação feminina nas decisões e em tudo que envolve o sistema Confea/Crea e as profissões das Engenharias, da Agronomia e das Geociências. O trabalho é feito por meio de ações conjuntas com instituições de ensino, empresas e entidades de classe.

Elas Inspiram! 

Confira a campanha do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia sobre o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia.


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