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Acesso em 12/08/2020 às 03h17.

De onde vem o alimento que vai para sua mesa?

Artigo do Engenheiro Civil Geraldo Canci, Gerente da Regional Cascavel do Crea-PR

31 de julho de 2020, às 8h00 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Dia 28 de julho comemoramos o dia do agricultor, atividade responsável pela produção mundial de alimentos. E podemos dizer que este ofício é um dos mais antigos e importantes da história da humanidade.

Cerca de 20 mil anos a.C, o homem começou a coletar e consumir grãos selvagens e, por volta de 12 mil anos atrás, nossos antepassados entenderam que se plantassem uma semente haveria uma planta como alimento. Segundo a história, isso aconteceu no período Neolítico (ou Idade da Pedra Polida), em algum lugar do Oriente Médio, provavelmente onde hoje se situa o Iraque.

Para termos uma ideia o arroz, prato tão consumido por nós brasileiros, foi domesticado na China em 6200 a.C., e o gado foi domesticado por volta de 8500 a.C.

Mas quando pensamos em tecnologia, a agricultura começou a se desenvolver de forma mais abrangente nos últimos 200 anos, a partir da Revolução Agrícola Britânica a partir do uso de técnicas como a irrigação, a rotação de culturas e o uso de fertilizantes.

No Brasil a história da agricultura começou no período pré-colonial. Os indígenas já praticavam a agricultura de subsistência com o plantio de mandioca, o amendoim, o tabaco, a batata-doce e o milho. E foi na década de 1970 que surgiram os primeiros trabalhos para o setor agrícola com o foco voltado à economia e aos fatores de produção, e a partir de 1994 nosso modelo passou por uma mudança radical com o nascimento da cadeia do agronegócio – com a substituição da mão-de-obra por máquinas e novas tecnologias, a abertura do mercado globalizado e a profissionalização do setor.

O agronegócio é hoje o principal responsável pelos bons resultados da balança comercial brasileira e contribui para atender a demanda mundial por alimentos, que de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) deve atingir cerca de 9 bilhões de pessoas no mundo em 2050. E toda essa população precisa se alimentar, por isso valorizamos o trabalho árduo do agricultor, não somente neste dia, mas em todos.

Para alguém da cidade a vida no campo pode parecer tranquila e agradável, mas para o agricultor o cenário é outro: as mãos calejadas fazem parte da sua vida. O agricultor – ou colono, como é conhecido aqui na região Oeste do Estado – não sabe o que é um dia de folga ou um feriado, afinal, ele precisa alimentar os animais todos os dias, isso sem falar dos cuidados com a terra e as plantações. O serviço não para! O agricultor não sabe o que é dormir até tarde porque todos os dias ele acorda quando ainda é madrugada, sem se importar com o frio ou a chuva, para nos prover o nosso alimento. A dedicação é grande e constante. A agricultura não é para todos, é para os fortes.

É por isso que parabenizo todos os agricultores por este dia especial. Reconheço, com grande louvor e estima, o esforço e dedicação de todos que trabalham neste setor e que, além de produzir alimentos para toda a sociedade, também são responsáveis pela geração de riquezas e aumento das exportações, pela geração de matérias-primas para industrialização e geração de empregos. Vale lembrar que a agricultura vem ganhando destaque na produção de energia renovável com o reaproveitamento de vegetais na biomassa, os biocombustíveis e todas as formas que permitem a geração de energia sustentável derivadas das plantas.

Neste cenário também temos que lembrar e valorizar a dedicação de vários profissionais que foram e são responsáveis pelo desenvolvimento da agricultura moderna, com relação à pesquisa de novas variedades, novas técnicas de cultivo, de novos agroquímicos e desenvolvimento genético de animais e aves, que são os  Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Agrícolas, Engenheiros Mecânicos, Engenheiros Eletricistas e Automação, Geólogos e outros que não medem esforços e contribuem com os agricultores para o desenvolvimento da agricultura sustentável, rentável  e sempre com  respeito ao meio ambiente.

O Engenheiro Agrônomo tem um papel fundamental neste processo pois é ele que propõe soluções em produtos e serviços e orienta os agricultores sobre as melhores práticas no campo. O Engenheiro Agrônomo estuda a viabilidade do uso racional dos recursos naturais de forma a produzir – mais, melhor e sempre – alimentos para atender a demanda mundial de forma segura e responsável.

Engenheiros Agrícolas, Mecânicos, Eletricistas e de Automação, trabalham no desenvolvimento de máquinas e equipamentos que a cada dia melhoram o desempenho do agronegócio, levando ao aumento da produtividade, minimizando as perdas e proporcionando maior sustentabilidade ao setor. Estima-se que no Brasil existam hoje cerca de 150 mil Engenheiros Agrônomos, em um mercado em amplo crescimento que busca por profissionais cada vez mais preparados para atender as novas demandas e necessidades do segmento agrícola.

O Agricultor e os Engenheiros são atores fundamentais para o bom cenário da agricultura, onde a dedicação e o amor estão diretamente ligados a esses profissionais, que colocam seus conhecimentos em benefício da ciência, a serviço do bem comum.


Comentários

  1. Peterson disse:

    Gostei muito do texto parabéns!

  2. Milton disse:

    O alimento forma um tripé com a água e o ar que respiramos. O ar tem menos de 20% de oxigenio. Transformar a floresta amazônica em gás carbônico é destroir esse tri pé. Produzir mais do que o mercado consome é dar um tiro no próprio pé. Quem perde é o agricultor e o país. Num ano a saca de soja é R$ 70 e no outro é R$ 100. Temos que aprender com a OPEP. Outro ponto a ser trabalhado é a produção de insumos. A produção está concentrada em meia dúzia de multinacionais. Elas é quem ganham com a agricultura e não o agricultor.

  3. Edson Roberto Silveira disse:

    Excelente abordagem sobre a produção agropecuária e o profissional.

  4. Angelita Prandel disse:

    Parabéns pelo artigo!

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