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Acesso em 23/06/2021 às 23h53.

Engenharia Ambiental, uma profissão em expansão

Confira a matéria feita em colaboração com diversas Entidades de Classe do Paraná ligadas a Engenharia Ambiental.

2 de fevereiro de 2021, às 11h57 - Tempo de leitura aproximado: 9 minutos

No próximo dia 31 de janeiro é comemorado o Dia do Engenheiro Ambiental. A data marca a conclusão do curso, em 1997, pela primeira turma de engenheiros ambientais do país, da Universidade Federal do Tocantins. Em 2000, a Resolução 447 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) normatizou o registro profissional do engenheiro.

Atuação no Paraná

A engenheira ambiental Heloisa Pontarolo, presidente da Associação Centro Sul Paranaense dos Engenheiros Ambientais (ACSPEA), que se formou em 2018 na Unicentro, em Irati, conta que o que mais me chamou sua atenção na área foi a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento da tecnologia e das cidades de uma forma mais sustentável. “Eu vejo que o engenheiro ambiental hoje está muito capaz de contribuir, de causar sinergia nesse desenvolvimento do mundo inteiro, reduzindo os impactos provocados pelo desenvolvimento, pela tecnologia, e principalmente pelo crescimento populacional, buscando uma qualidade e vida para a população e a preservação do meio ambienta para as futuras gerações de uma forma mais sustentável”. Hoje ela atua no ramo industrial, no segmento de papel e celulose, trabalhando no setor de meio ambiente de uma indústria pela redução de impactos.

Existem diversas áreas de atuação para um engenheiro ambiental hoje no Paraná. “Está cada vez mais forte a atuação em indústrias por conta dos impactos ambientais que as suas atividades podem provocar no meio ambiente, então esse profissional é requisitado para compor seus quadros técnicos. Também existe um grande campo de atuação em órgãos ambientais públicos, nas secretarias municipais de meio ambiente”. Além disso, Heloísa fala da atuação em consultorias ambientais, especialmente para serviços voltados à área agrícola, como a emissão de autorizações e licenciamentos.

“Outra área importante é a pesquisa, muitos engenheiros ambientais hoje se dedicam ao mestrado, doutorado, ao conhecimento técnico pelo desenvolvimento de acordo com os impactos ambientais, resolvendo, por exemplo, situações de tratamento efluentes de água com eficiência e reaproveitamento”, explica a engenheira. Outras áreas de atuação citadas foram saneamento, geração de energias renováveis, tratamento de água e esgoto, drenagem urbana, tratamento e gestão dos resíduos sólidos domiciliares e industriais.

Marcos Vinícius Costa Rodrigues, presidente da Associação Norte Paranaense dos Engenheiros Ambientais (Anpea), se formou em 2016 na UTFPR Londrina, e na ainda sentia que era uma das engenharias “novas” e que ninguém conhecia, “então me pareceu um desafio cursar e estar formado nessa profissão”, completa: “certo que a universidade mostra apenas uma rabisco do que é o mundo profissional, mas justamente ela me abriu os olhos para o que a profissão poderia vir a realizar, e o que chamou mais a atenção foi ver que podemos atuar em muitas áreas, água, solo, poluição do ar, resíduos sólidos, esgoto, efluentes, e outras infinidades”.  Hoje ele atua com planejamento urbano ambiental de cidades, trabalhando com a renovação dos planos diretores, que inclui a caracterização ambiental das cidades, gestão da qualidade do ar, planos municipais de arborização urbana, gerenciamento integrado de resíduos sólidos, saneamento básico, perícias ambientais, e ainda com consultoria ambiental para o setor privado. Marcos também está concluindo o Mestrado em Gerenciamento de Bacias Hidrográficas Urbanas.

Para ele, hoje no Paraná há espaço para atuação do engenheiro ambiental em consultoria, licenciamento ambiental, elaboração de projetos como o plano de gerenciamento de resíduos sólidos, plano de controle ambiental, monitoramento ambiental do ar, água e solo; a parte de planejamento de cidades com a elaboração dos planos municipais de saneamento básico, planos municipais de gerenciamento integrado de resíduos sólidos; planos municipais de arborização urbana; planos municipais de gestão de recursos hídricos, dentre outros. E ainda na indústria, onde o engenheiro ambiental é responsável pela parte da sustentabilidade, cuidando do licenciamento ambiental, gestão de indicadores de sustentabilidade, execução das ações dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), além da capacidade de atuar como coordenador de equipes, em cargos de gerência e direção das indústrias ou empresas.

Profissão em crescimento

A profissão vem crescendo e ganhando espaço de atuação desde a primeira turma formada no Brasil, em 1997. “Eu vejo um crescimento exponencial, com mais cursos e profissionais formados na área, e cada vez uma demanda maior de trabalho, exigindo mesmo um número maior de profissionais”, comenta Heloísa.

O engenheiro Marcos fala que “os cursos estão cada vez mais consolidados e com um corpo docente cada vez mais preparado para desenvolver um recurso humano de excelente qualidade”. Assim, cada vez mais a profissão ganha espaço no mercado e aí entra o papel primordial das entidades de classe na busca de representatividade e atribuições perante o Sistema Confea/Crea e a sociedade, demonstrando a importância do papel dessa profissão.

Para a presidente da ACSPEA, “a engenharia ambiental é a profissão do agora. Muito se ouviu dizer, há alguns anos, que era a profissão do futuro, que seríamos muito requisitados, com muita demanda, e eu vejo um crescimento cada vez maior nessa área de meio ambiente, tanto nas indústrias, que precisam de profissionais com a capacidade técnica que um engenheiro ambiental, como também nas adaptações dos próprios profissionais”. Ela fala da importância das habilidades, ou skills, do inglês, que o profissional precisa desenvolver hoje. “Para ser um bom profissional, um bom engenheiro ambiental, não tem que ter somente os requisitos técnicos, mas também as habilidades de comportamento como gestão de pessoas, gestão financeira e organização, já que o trabalho envolve a relação com pessoas, liderança, equipes, seja para fazer o acompanhamento de uma obra ou para gerenciar um setor de uma empresa ou órgão público”.

Marcos concorda que “a profissão do futuro já se tornou a profissão do presente, muitos engenheiros ambientais já assumem cargos de gerência e diretoria em grandes multinacionais no país e até mesmo fora, cargos de representatividade internacional, como, por exemplo, o PNUD da ONU, e empresas de consultoria pertencentes a engenheiros ambientais já estão no mercado de trabalho a nível nacional. “Creio que cada vez mais a profissão estará presente na sociedade, devido às diretrizes internacionais vindas dos ODS, atreladas ao fato de que a geração atual se preocupa mais com o meio ambiente em que vivemos e já repudia ações que vão na contra mão da proteção ambiental dos nossos ecossistema”, diz.

A representação e força das entidades de classe

No Paraná as entidades de classe têm bastante influência no crescimento da área de engenharia ambiental, dando mais força e visibilidade para estes profissionais. Heloísa, que é presidente de uma entidade que atua na região de Ponta Grossa, acredita que “a área da engenharia ambiental tem muita força com as entidades de classe. Atualmente no Paraná são cinco entidades que conversam entre si, que têm sinergia para atividades que envolvem o engenheiro ambiental no Estado”. Para ela o apoio das entidades é importante porque ainda há muita dificuldade no entendimento das atribuições da profissão perante o Conselho, então elas atuam para defender o trabalho do engenheiro ambiental, esclarecer dúvidas perante o Conselho e a sociedade, promover eventos, e incentivar uma união maior dos profissionais, entendendo suas dificuldades e demandas.

O engenheiro Marcos, presidente da Anpea, conta que desde que se tornou voluntário das entidades de classe, “além de pessoalmente ter tido um crescimento muito grande, vejo que todas as ações, os eventos, as lives, congressos, simpósios, doação de alimentos, plantio de árvores trazem mais valor para a profissão. Além disso, têm o papel em conseguir as atribuições para os seus profissionais perante o Sistema Confea/Crea, e mostrar a profissão da engenharia ambiental para a sociedade, bem como buscar por oportunidades para seus profissionais”. Um exemplo citado foi a ação de 2019 da Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais (Apeam), que conseguiu colocar a profissão de engenharia ambiental no quadro Quadro Próprio do Poder Executivo do Estado do Paraná, sem contar a participação de engenheiras e engenheiros ambientais nos órgãos ambientais do Estado e até mesmo no Poder Legislativo.

Profissionais habilitados nos quadros públicos

O engenheiro ambiental Luiz Guilherme Grein Vieira, presidente da Apeam, comenta que a demanda por profissionais habilitados nos quadros públicos existe por ser uma profissão nova, com a primeira turma formada há apenas 24 anos. Porém, “embora a profissão tenha sido regulamentada em 1997, já havia profissionais que trabalhavam na área ambiental desde a década de 1970 e todos tiveram que batalhar muito para conquistar seu espaço no mercado de trabalho”.

O engenheiro comenta que “o Paraná nunca realizou concurso público com vagas para engenheiros ambientais, nem mesmo no órgão ambiental específico. Quando foi anunciado o concurso público para órgão estadual, a Apeam se mobilizou para conseguir aprovar a função de Engenheiro Ambiental dentro do quadro do Poder Executivo, o chamado Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE), o que foi possível com a aprovação da Lei 20.080 no dia 18 de dezembro de 2019.” Mas este concurso citado foi suspenso, então “a única possibilidade de um engenheiro ambiental trabalhar na esfera pública é por meio de residências ou cargos comissionados. O que tivemos até agora foi um Processo Seletivo Simplificado (PSS)”.

Vieira explica que a justificativa do Governo para não incluir a função de engenheiro ambiental é que falta a regulamentação da Lei aprovada em 2019. Então o PSS foi lançado como substituto ao concurso, e com a mesma argumentação a engenharia ambiental ficou de fora novamente. “Após muita conversa, ainda estamos aguardando o desenrolar de todo esse processo com um concurso público”. Para cobrir o déficit de profissionais, hoje, seriam necessários cerca de 40 engenheiros ambientais só no órgão estadual ambiental.

O engenheiro acredita que “falta conhecimento sobre a necessidade da profissão dentro dos órgãos públicos e é fundamental que haja profissionais que atuem na área ambiental devido às exigências da própria legislação ambiental federal, com normas, monitoramento e fiscalização”. Os engenheiros ambientais podem atuar em várias vertentes, nas secretarias estaduais, nos órgãos de saneamento e geração de resíduos, nas concessionárias de serviços públicos.

“Mas, apesar das dificuldades, tivemos conquistas em relação à atribuição dos profissionais, como a participação no sistema Confea/Crea. Hoje, o reconhecimento é muito maior do que quando iniciamos, em 1997, não só pela necessidade imposta pela legislação ambiental, mas pela conjuntura de empresas e governos estimulando o cumprimento de normas de sustentabilidade. Isso abre caminho para uma atuação maior dentro de outras áreas, que antes não tínhamos entrada. Além das regulamentações de órgãos governamentais, o mercado exige cumprimento de regras de sustentabilidade para empresas e isso tem aberto vários campos para nossos profissionais”, conclui Luiz Guilherme.


Comentários

  1. Marco Antonio Ferreira Finocchio disse:

    Excelente matéria muito bem colocado o tema.

    1. Comunicação Crea-PR disse:

      Obrigado pelo comentário!

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