Marca do Crea-PR para impressão
Disponível em <https://www.crea-pr.org.br/ws/arquivos/34746>.
Acesso em 05/12/2021 às 11h39.

A importância da contratação de engenheiros ambientais

Artigo do Engenheiro Civil Ricardo Rocha de Oliveira, presidente do Crea-PR.

29 de janeiro de 2021, às 18h00 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

No último dia 18, o Instituto Água e Terra (IAT), antigo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), publicou edital de convocação de 96 profissionais via Processo Seletivo Simplificado (PSS). A divulgação é resultado do procedimento aberto em outubro do ano passado, em substituição ao concurso público do mesmo órgão lançado em fevereiro. O concurso que previa o preenchimento de 130 vagas foi adiado em virtude da pandemia do coronavírus, segundo a justificativa do Governo do Estado do Paraná.

O que permanece sem justificativa, porém, é a ausência de vagas para Engenheiros Ambientais em ambos os editais, apesar do mesmo incluir assertivamente outros títulos e modalidades da Engenharia como Civil, Florestal, Química e Pesca, por exemplo. A exclusão chama a atenção, inclusive, se analisadas as descrições de outros cargos das áreas de engenharia, que também são atribuições do Engenheiro Ambiental como, por exemplo, análise de estudos hidrológicos necessários ao licenciamento ambiental, elaboração de relatórios de impacto ambiental, projetos e estudos de saneamento ambiental e análise e emissão de pareceres sobre projetos e obras a serem licenciadas ambientalmente, só para citar algumas delas. Assim como em outros momentos e em outras instâncias de governo, a falta dessas vagas nos dois editais resultará em uma oportunidade perdida de ampliar a participação de uma das profissões mais importantes e essenciais dentro do principal órgão ambiental do estado, cuja categoria possui quase duas mil pessoas habilitadas, qualificadas e regularizadas para atuar no estado, de acordo com levantamento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR).

O Engenheiro Ambiental é o profissional capaz de gerir ordenamentos, monitorar e mitigar impactos ambientais. Ele supervisiona, coordena, estuda, planeja e presta assistência técnica, bem como elabora laudos, pesquisa, analisa, experimenta, executa e fiscaliza quaisquer atividades relacionadas ao meio ambiente. Atua em grandes corporações, poder público e órgãos de controle, indústrias, usinas de energia, organizações não governamentais, construção civil, pequenas empresas, educação e tecnologia.  É um profissional que completa 21 anos de existência regulamentada neste dia 31 de janeiro, data da primeira turma graduada de Engenharia Ambiental no Brasil, pela Universidade Federal de Tocantins (UFT) e escolhida para ser celebrada como o Dia do Engenheiro Ambiental.

Tamanha relevância deve ser valorizada em todas as esferas e mercados, sobretudo, na administração pública. Desde sua inauguração, em 1992, o IAT – à época IAP – nunca realizou concurso público que contemplasse a profissão de Engenheiro Ambiental. Após muita luta e articulação das associações representativas, com apoio do Crea-PR, a função foi incluída no Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE), por meio da aprovação da lei estadual 20.080 do dia 18 de dezembro de 2019. Até então, a única possibilidade de um Engenheiro Ambiental ingressar na esfera púbica era por meio de residências ou cargos comissionados. Atualmente, o IAT conta apenas com Engenheiros Ambientais contratados por comissão e por meio do programa de residência técnica. Além disso, a contratação de temporários – via PSS – não oportuniza a solução de um dos maiores problemas da gestão pública, que é o envelhecimento e deterioração dos quadros técnicos do serviço público.

O reconhecimento da profissão de Engenheiro Ambiental cresce a cada dia, desde sua regulamentação, devido à conjuntura de empresas e governos que estimulam o cumprimento de normas e leis de sustentabilidade e reconhecem a essencialidade e fundamentalismo das questões ambientais no país e no mundo. As regulamentações e o mercado comprometido com a política de sustentabilidade possibilitam que o Engenheiro Ambiental conquiste mais espaço, reconhecimento e valorização, graças, claro, à sua dedicação incansável em atuar com comprometimento, ética e responsabilidade.

O Crea-PR, em parceria com as associações organizadas, tem reivindicado a contratação destes profissionais não só no IAT, mas em outros setores do poder como secretarias estaduais, órgãos de saneamento e concessionárias de serviços púbicos. Temos certeza de que, em um futuro próximo, esses profissionais serão representados de forma mais intensa nesses órgãos públicos, assim como nas atividades da iniciativa privada. É fundamental que haja Engenheiros Ambientais atuantes no cumprimento de normas, monitoramento e fiscalização, tendo em vista as exigências das dezenas de leis que regem o país, além de decretos, resoluções e atos normativos que englobam o exercício das atividades da área Ambiental.

O Crea-PR parabeniza todos os Engenheiros Ambientais pelo seu dia e reafirma seu compromisso em continuar trabalhando pela valorização das áreas que representa, de forma que a sociedade paranaense e brasileira esteja assegurada de excelentes serviços nas atividades ambientais, com a firme presença de profissionais capacitados e competentes nessa importante área que está relacionada com o compromisso de um desenvolvimento sustentável atual e das futuras gerações.

Ricardo Rocha de Oliveira, Presidente do Crea-PR


Comentários

  1. Rafael Köene disse:

    Olá!
    Importante o Crea-PR fazer essa crítica à ausência de vagas para Engenheiros Ambientais.
    Essa defesa dos profissionais que fazem parte deste conselho poderia ser mais intensa, não apenas para o setor da engenharia, mas para os Geógrafos e Geólogos também. No caso em específico, os editais contemplaram vagas para essas duas profissões, mas, de modo geral, costumam ser desprestigiadas em outras seleções, em especial o Geógrafo.
    Penso que o Crea deveria estar mais atuante nessas situações de oferta de vagas em concursos/processos seletivos. O Crea deveria participar já da elaboração desses editais, e se não for possível, buscar formas de entrar com recursos assim que os editais forem publicados e orientar a banca organizadora sobre as áreas profissionais a serem incluídas e a correta atribuição de funções conforme as legislações pertinentes.
    A crítica precisa ser feita no momento certo, quando há possibilidade de alteração do edital, depois do processo seletivo já homologado, nada mais poderá ser feito.

    1. Comunicação Crea-PR disse:

      Olá, Rafael. Tudo bem?

      O Crea está sempre atento a essas questões, tanto que realizamos diversas ações ligadas aos ambientais recentemente. Mas, mesmo assim, nossa capilaridade tem um limite. Por isso sempre pedimos aos profissionais que, caso seja encontrada alguma irregularidade em editais, nos avisem realizando uma denúncia o quanto antes, pois, como você mesmo disse, depois de um certo tempo nós não podemos ajudar muito. O Conselho está sempre focado em auxiliar nossas modalidades no que está ao nosso alcance! Agradecemos a colaboração.

  2. Carla Rosane Caus disse:

    Boa noite, gostaria de comentar sobre ” eng..Anbiental , poder fazer projetos q relacionem flora e fauna… estou muito constrangida por ter visto e lido isso..pois sei que currículo de Eng . AMB. Nada consta sobre botânica, silvicultura, Invent…e tudo o q relacionem as nossas queridas Árvores…me sinto desrespeitada profissionalmente.., pois nunca entrei na área de nenhum profissional, q não fosse a minha…penso q deve existir algo chamado ” bom senso”…e Consciência Ambiental…e o q isso significa para alguns ? Por favor, precisamos tomar muito cuidado, com o q estamos fazendo..e estamos criando.. Assim , está ficando muito difícil, sem respeito profissional …obrugada pela oportunidade..

    1. Comunicação Crea-PR disse:

      Olá, Carla. Tudo bem?

      Lamentamos que tenha ficado decepcionada com o texto. A sra. consegue nos explicar exatamente o que lhe incomodou? Nossa intenção era mostrar a importância do engenheiro ambiental não só na sociedade, mas em cargos dentro do Estado também. Ressaltamos que respeitamos o espaço de cada profissional! Qualquer outra dúvida estamos à disposição.

Deixe um comentário

Comentários com palavras de baixo calão ou que difamem a imagem do Conselho não serão aceitos.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *