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Acesso em 11/05/2021 às 20h25.

Nossas rodovias em 2050: respeito aos interesses da sociedade e compromisso com as futuras gerações

26 de fevereiro de 2021, às 15h48 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Era virada do milênio, tantas promessas e tantas coisas boas com certeza no horizonte. Mas havia uma discussão naquela época que incomodava os paranaenses. Teríamos ainda mais 20 anos de contratos com pouca transparência com concessionárias de pedágio, por conta de um processo que ouviu pouco a sociedade, que levantou poucos questionamentos, que aceitou fácil a promessa de rodovias melhores, em troca de praças pedagiadas. Quando pensávamos lá atrás, 20 anos pareciam uma eternidade. Para toda a população, para quem precisava das estradas para chegar a seu trabalho, para os setores produtivos que arcaram com custos altíssimos para escoar sua produção, o preço dessas duas décadas pesou a cada novo dia. Mas, finalmente o tempo de transformarmos essa realidade chegou e as escolhas feitas agora serão sentidas nos próximos 30 anos, período de vigência dos novos contratos.

Como compromisso de valorização do exercício ético das profissões que representamos – Engenharias, Agronomia e Geociências – e da segurança da população nas cidades e nas rodovias, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), está atento a esse  momento tão importante. Não só do que está por vir, como também do legado desses contratos que terminam em novembro desse ano. Por isso, preparamos uma carta com o posicionamento da entidade, onde defendemos alguns aspectos que devem ser observados no encerramento dos atuais contratos e na nova propostaque deverá ser adotada.

Entendemos como fundamental, no encerramento das atuais concessões, a divulgação completa e transparente de quais obras deveriam ter sido entregues com o dinheiro já pago pela sociedade nas praças de pedágio e que não foram realizadas, e como esse investimento será revertido para os paranaenses. Para a lisura nesse processo de transição, acreditamos que a prestação de contas das atuais concessionárias deverá ser delegada a uma auditoria independente, que terá plena liberdade para apontar eventuais aspectos do contrato que não tenham sido observados e que apresente de forma transparente para toda a sociedade paranaense.

Em relação ao formato de concessão que deverá ser adotado em nosso estado, consideramos que o modelo proposto apresenta avanços, mas há necessidade de revisões e de esclarecimento de alguns aspectos para nossa população. Por meio de um documento aprovado em nossas instâncias internas do Crea-PR, apoiamos o desenvolvimento do processo baseado em cinco pilares, sendo a outorga uma das questões mais relevantes em nossa análise. Pela proposta apresentada pelo Ministério da Infraestrutura, vencem as empresas que oferecerem o maior desconto ao motorista dentro de um limite máximo e, em caso de empate, o critério para a escolha da vencedora será a outorga – ou seja, quem pagar mais ao governo. Em nossa carta, defendemos um modelo sem outorga, com existência de efetivas garantias de execução de obras e serviços de manutenção, baseado em verificação de desempenho, como acontece nas áreas de distribuição de energia – de forma a reverter os ganhos de produtividade em redução da tarifa para os usuários. Para isso, reforçamos a importância do processo transparente, com indicadores de monitoramento dos contratos a serem executados.O Conselho é favorável a um modelo que considere a liberação de redução das tarifas propostas, sem limites, desde que a ampliação dos descontos seja associada a um mecanismo de garantia de execução dos contratos, ajustado à redução proposta pelos licitantes, conforme previsto na nova lei de licitações – com garantias adicionais sem prejuízo das garantias exigíveis.  As receitas geradas devam ser investidas integralmente nos próprios projetos.

Além da questão da outorga, pedimos a atenção a outros quatro pontos principais: 1) que haja ampla transparência em todo o procedimento da concessão e execução do novo contrato, com efetiva participação dos paranaenses e abertura para inclusões das contribuições advindas do processo de discussão com a sociedade organizada do Paraná, num processo que possa integrar a concessão completa da malha viária federal e também estadual; 2)cumprimento integral do contrato como princípio fundamental da nova fase de concessão; 3) que o novo modelo seja aquele que considere a melhor técnica de execução de projetos, obras e serviços nas estradas, e que seja o mais vantajoso para a sociedade paranaense; e 4) finalmente, que as concessionárias tenham profissionais devidamente habilitados pelo Crea-PR, para as atividades de planejamento, desenvolvimento e acompanhamento das obras das empresas ganhadoras, assim como a fiscalização de suas atividades técnicas.

O momento é para discutirmos com maturidade e com profundidade, devido à complexidade do assunto, que muitas vezes tem sido tratado de uma forma restrita a poucos itens, deixando de lado pautas estratégicas da logística de nosso estado como, por exemplo, a interligação com outros modais.

Reforçamos nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e nos colocamos à disposição para contribuir com a construção de um projeto para nossas rodovias que seja adequado, justo e que contribua de forma mais efetiva para o desenvolvimento de nosso estado.

 

Engenheiro Civil Ricardo Rocha de Oliveira

Presidente do Crea-PR

 

Confira o artigo publicado na Gazeta do Povo.


Comentários

  1. Claudemir de Paula disse:

    Transparência é obrigação de qualquer instituição, sendo pública ou privada. A de ser levado em conta,as rodovias antes e após o pedágio. Quantas vidas foram poupadas.

  2. PROFISSIONAIS HABILITADOS, essa é a questão! FISCALIZAÇÃO é tudo neste processo!

  3. É exatamente isso que se espera de uma administração pública, seriedade, transparência e compromisso com a sociedade, com lisura nos contratos com a iniciativa privada.

  4. Ricardo, parabéns pelo posicionamento do crea/PR, mas eu entendo que pelo estudo de capacidades das rodovias , o pedagiamento só é viável, quando a rodovia estiver duplicada e com TMDA, maior que 6000 (caminhões).
    Daí sim teremos um valor justo de pedagiamento e coerente .
    Portanto, acho que encerrado o atual contrato de concessões, deve ser estudado uma forma de duplicar as rodovias sem vincular ao pedagiamento!!!

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