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Acesso em 24/07/2021 às 11h43.

Paraná vai auxiliar municípios pequenos em projetos de obras públicas

16 de julho de 2021, às 18h00 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

O Governo do Estado vai estruturar um escritório de projetos executivos de Engenharia e Arquitetura para atender prefeituras municipais do norte do Paraná. Denominado Projetek, o novo espaço será instalado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e deve atender demandas de empreendimentos públicos de cidades com menos de 30 mil habitantes, que não dispõem de setores de projetos.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), o Paranacidade – serviço social autônomo vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedu) – e a Associação de Municípios do Médio Paranapanema (Amepar).

Para estruturar o escritório de projetos serão aplicados recursos financeiros da ordem de R$ 662,9 mil, sendo R$ 151,4 mil para investimentos (infraestrutura predial, mobiliários, equipamentos e softwares) e R$ 511,5 mil para despesas de custeio, como bolsas de auxílio. Desse montante, R$ 630,4 mil são oriundos do Fundo Paraná, confirmados em evento que contou com a participação do governador Carlos Massa Ratinho Junior. O valor restante, R$ 32,4 mil, será aportado como contrapartida pela Amepar.

“A carência de projetos executivos dificulta a captação de recursos nas instâncias governamentais e o acesso a fontes de crédito nas instituições bancárias, para o financiamento de construção de empreendimentos públicos”, afirma o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona.

Ele explica que, muitas vezes, para viabilizar as licitações em pequenas cidades, os gestores públicos dispõem somente de projetos básicos com estimativas de preços, sem a precisão de elementos que definem os complexos de obras e serviços específicos dos empreendimentos.

“Além de gerar aditivos contratuais e atrasos nos prazos de execução e cronogramas de construção, essa prática pode impactar a qualidade e o resultado dos equipamentos públicos entregues aos cidadãos”, aponta o superintendente.

O portfólio de serviços do novo escritório vai contemplar projetos arquitetônicos, estruturais, elétricos, hidrossanitários e de prevenção contra incêndio e pânico para os mais diversos tipos de empreendimentos públicos, tais como: creches, escolas, postos de saúde, entre outras edificações.

Ao todo, serão beneficiados 17 municípios da jurisdição da Amepar: Alvorada do Sul, Bela Vista do Paraíso, Cafeara, Centenário do Sul, Florestópolis, Guaraci, Jaguapitã, Jataizinho, Lupionópolis, Miraselva, Pitangueiras, Porecatu, Prado Ferreira, Primeiro de Maio, Sabáudia, Sertanópolis e Tamarana. O início do atendimento aos gestores públicos está previsto para o primeiro semestre de 2022.

PARCERIA – O Escritório Regional do Paranacidade em Londrina vai intermediar o atendimento das demandas entre os municípios e o novo escritório de projetos. O intuito é proporcionar a qualidade das obras com execução em menor tempo e evitar dispêndio de recursos. O projeto irá contribuir com as necessidades das cidades em relação às obras nas áreas de educação, saúde, segurança, cultura, saneamento, entre outras.

O superintendente executivo do Paranacidade, Álvaro José Cabrini Júnior, sinaliza a possibilidade de expansão desse modelo para outras regiões do território paranaense. “A expectativa é atender mais municípios, a partir de parcerias com outras Universidades Estaduais, e contemplar projetos de infraestrutura urbana, incluindo drenagem, pavimentação e outros tipos de obras, seguindo prazos e orçamentos pré-fixados”, pontua.

TECNOLOGIA – Em conformidade com a legislação vigente para obras e serviços de Engenharia na Administração Pública, o novo escritório fará uso da tecnologia BIM, sigla em inglês para Building Information Modeling ou Modelagem de Informações da Construção, em tradução livre.

Segundo o coordenador do Projetek, professor Aron Lopes Petrucci, essa técnica possibilita o desenvolvimento de modelos digitais precisos para as diferentes fases de uma edificação. “Todos os elementos que compõem a obra podem ser analisados e alterados no ambiente virtual, antes da construção. Isso facilita todo o processo, inclusive o gerenciamento da pós-ocupação e do ciclo de vida das edificações, resultando em obras mais baratas e mais ágeis, que atendem melhor aos usuários finais”, destaca.

Do ponto de vista acadêmico, o espaço vai propiciar o desenvolvimento de competências e habilidades, contribuindo para a formação técnica dos futuros profissionais. Considerando as atividades transversais que permeiam o Setor Público, um escritório de projetos executivos pressupõe vários conhecimentos multidisciplinares, inclusive de gestão, finanças e jurídicos.

ESCRITÓRIO – O novo escritório de elaboração de projetos executivos de Engenharia e Arquitetura será instalado no Centro de Tecnologia e Urbanismo da UEL, que reúne os cursos de graduação e os programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) em Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Engenharia Elétrica.

O local vai comportar 15 pessoas conectadas, simultaneamente, a um servidor local, proporcionando às diversas especialidades envolvidas – arquitetura, estrutura, instalações hidráulicas, prevenção de incêndio, instalações elétricas, planejamento e orçamentação – um trabalho conjunto em torno do mesmo modelo virtual, uma das premissas da tecnologia BIM. Todos os computadores serão equipados com softwares específicos, licenciados para modelagem nessa tecnologia.

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Ricardo Rocha de Oliveira, a iniciativa contribui para o desenvolvimento de profissionais para inserção no mercado, principalmente no Setor Público. “Também é um avanço para as prefeituras municipais, com a possibilidade de obras que serão executadas com projetos adequados e eficientes”, salienta.

EQUIPE – Para desenvolver os projetos de engenharia e arquitetura serão selecionados bolsistas (com dedicação de 20 horas semanais): 15 estudantes de graduação e cinco profissionais já formados em Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Engenharia Elétrica (registrados nos respectivos conselhos profissionais).

Um grupo de professores ficará responsável pela coordenação administrativa do espaço e supervisão das atividades de BIM; além de acompanhar o desempenho acadêmico dos estudantes bolsistas, assim como a validação de créditos curriculares das atividades. Eventualmente, outros professores também devem atuar como consultores nas áreas abrangidas pelos projetos.

Fonte: SUPERINTENDÊNCIA GERAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR


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