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Acesso em 06/10/2022 às 17h24.

Cooperativismo e habitação de interesse social são debatidos entre os Creas, Paraná é exemplo

22 de setembro de 2022, às 20h32 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

Nesta quinta (22) ocorreu o segundo dia do 5ª Colégio de Presidentes, em Aracaju-SE. O cooperativismo marcou o debate pela manhã. A presidente da Cooperativa de Trabalho de Profissionais de Engenharia e Agronomia (Engecoop-MG), Eng. Civ. Júnia Neves, abordou a possibilidade de adesão dos profissionais e dos Creas ao sistema de cooperativas, tema discutido com o Confea no início do ano.

“Onde houver a necessidade, é possível a cooperativa entrar. Nossa visão é ser reconhecido no Brasil até 2025, apresentando a diminuição de riscos ao participar de licitações, por exemplo. A cooperativa abre potenciais de mercado. O profissional pode trabalhar na cooperativa, sem vínculo empregatício. A gente faz a estrutura para colocar os cooperados mais próximos, para que ele possa prestar serviços fora do seu território”, explicou.

Presidente da Cooperativa de Trabalho de Profissionais de Engenharia e Agronomia (Engecoop-MG), Eng. Civ. Júnia Neves

Segundo Junia, todos os cooperados são donos de uma cooperativa. “Todos decidem e vocês podem nos ajudar a crescer. Podemos abrir Engecoop em todos os estados. O foco é o profissional. Como diretora administrativa da Mútua, vemos as dificuldades dos profissionais, então a cooperativa vem auxiliar nesse processo, para ser uma opção de mercado, especialmente para o profissional recém-formado”, explica.

Presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha, fala sobre o cooperativismo no estado

O presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha, parabenizou o debate e falou da importância das cooperativas e o exemplo no Paraná. “Temos grandes cooperativas agrícolas que impulsionam o desenvolvimento do estado porque trabalham uma cadeia longa no Paraná. Já no nosso plano de gestão do Crea-PR colocamos o apoio ao cooperativismo e hoje trabalhamos o incentivo ao cooperativismo de crédito”, e completa: “podemos ter grandes avanços atuando com as cooperativas”.

Cooperativismo financeiro

O presidente do Conselho de Administração da Sicoob/Engecred, Eng. Civ. Argemiro Mendonça, ex-conselheiro federal, comentou o cooperativismo financeiro ou de crédito. “A intenção é mostrar a pujança do cooperativismo financeiro no Brasil e no mundo. A gente quer mostrar que o fator que efetivamente pode ter impedido uma relação direta com o Sistema foi vencido com a Lei Complementar 196, no mês de agosto”, disse, informando que o tema será abordado durante a 77ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea).

Argemiro destacou que o tema vem sendo tratado em todo o mundo. “Nos Estados Unidos, em torno de 25% do sistema financeiro é exercido por meio das cooperativas de crédito. O atual presidente do Banco Central trouxe o desafio para que as cooperativas de crédito aumentem seu espaço no setor financeiro do país”, apontou.

“Entranhar o cooperativismo no nosso segmento é um desafio. Ainda não conseguimos engatilhar. É um desafio que a gente possa ampliar a nossa linha de atuação. O cooperativismo possibilita uma espécie de cashback há anos. A Lei Complementar aumentou a possibilidade de negócios de cooperativas, ampliando a possibilidade de negócios e cobrando das instituições maior solidez, exigindo uma estrutura de governança mais profissionalizada e nos cobrando, o Banco Central quer que entreguemos efetividade”, diz.

Presidente do Conselho de Administração da Sicoob/Engecred, Eng. Civ. Argemiro Mendonça

O coordenador do Colégio de Presidentes, Eng. Agr. Ulisses Filho, abordou que “as cooperativas possibilitam um norte para tratar as taxas de juros, um problema para os Creas”. O presidente da Mútua, Eng. Agr. Francisco Almeida, destacou a taxa de juros baixa e enfatizou que a Mútua encaminhou um documento para que a Comissão de Controle e Sustentabilidade do Sistema (CCSS) se manifeste sobre a movimentação financeira junto às cooperativas. “Poderemos fazer bons investimentos e termos retorno para os nossos cooperados”, disse o presidente do Crea-GO, também cooperado, Eng. Civ. Lamartine Moreira, agradecendo o apoio da Sicoob/Engecred no patrocínio à Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia, a ser realizada em Goiânia, de 4 a 6 de outubro.

Habitação de Interesse Social

Durante esta quinta também foi aprovada a proposta de criação de um GT para discutir a participação do Sistema na aplicação da Lei de Serviços de Assistência Técnica em Habitações de Interesse Social 11.888/2008. A proposta foi relatada pela presidente do Crea-AL, Eng. Civ. Rosa Tenório, em nome do Fórum Nordeste. Com a aprovação da proposta, foram aclamados os presidentes engenheiros civis Ana Adalgisa (Crea-RN), Carmem Nardino (Crea-AC) e Fátima Có (Crea-DF).

“Precisamos nos posicionar e ser um ator nesse processo. Uma das prioridades hoje é fazer a assistência técnica e precisamos agir, independentemente de quem esteja no governo, já que isso é uma política de Estado”, comentou a presidente do Crea-RN, Eng. Civ. Ana Adalgisa. “Podemos trabalhar junto ao CAU nisso”, enfatizou. “A Lei realmente fala de arquiteto, e a Lei de criação do CAU estabelece que 2% da receita deles vai para assistência técnica. A sigla ATHIS está ainda ligada à Arquitetura, mas temos que credenciar os profissionais à assistência social”, enfatizou a presidente do Crea-DF.

O presidente Ricardo Rocha destacou que o Programa Casa Fácil do Crea-PR contempla essa atuação há 33 anos. “São mais de 30 municípios, prioritariamente atendidos pelas Entidades de Classe, que têm manuais, parcerias com universidades e outras atividades, levando cidadania a quem precisa e fortalecendo as entidades a longo prazo”, disse, apresentando bons exemplos da ação. Ele citou ainda a nova edição da Revista Crea-PR, que tem o tema na matéria de capa, mostrando o exemplo do Programa em Londrina.

O presidente do Crea-BA, Eng. Agrim. Joseval Carqueija, valorizou a iniciativa do Crea-PR. “Quando foi aprovada, os arquitetos estavam no Crea. No Paraná, conheci toda a dinâmica, do projeto à execução. Parece difícil convencer os prefeitos de que tem que fazer Engenharia Pública, eles não conseguem enxergar. Mas no Paraná os prefeitos já enxergam com outros olhos. Em algumas regiões vai ser um trabalho de formiguinha para explicar a importância disso aos prefeitos, então devemos esclarecer bem qual o papel do Conselho”, disse, destacando a capilaridade das associações no regional paranaense.

O presidente do Crea-ES, o Eng. Agr. Jorge Silva enfatizou a necessidade de o Sistema atuar para desenvolver a Engenharia Pública e Social para levar os recursos para os municípios. “Hoje eles só procuram o CAU. Sem um grupo de trabalho com a participação do Confea e o Sistema para assumir isso, não conseguiremos lutar devidamente pela Engenharia Pública e Social”, comentou. “Entendo que o Sistema precisa agir para sermos reconhecidos como protagonistas pelos ministérios, já que as prefeituras não têm recursos para pagar os profissionais”, ressaltou.

Débora Pereira – Comunicação Crea-PR com informações da equipe de Comunicação do Confea.


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