{"id":2965,"date":"2014-06-26T17:46:56","date_gmt":"2014-06-26T20:46:56","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-09-11T15:52:36","modified_gmt":"2018-09-11T18:52:36","slug":"toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/","title":{"rendered":"Toledo inova na gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s por meio de biomassa residual animal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/moto-gerador_a biogas.jpg\" alt=\"alt\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">O munic\u00edpio de Toledo, no Oeste do Paran\u00e1, est\u00e1 colocando em pr\u00e1tica um projeto ambicioso e inovador, que transforma um passivo ambiental (dejetos da pecu\u00e1ria que poluem o solo, o ar e as \u00e1guas) em ativos econ\u00f4micos como, por exemplo, biofertilizante, utilizado diretamente na fertiliza\u00e7\u00e3o das culturas de gr\u00e3os e pastagens (substituindo em parte o adubo qu\u00edmico). E, ainda, o biog\u00e1s que pode ser utilizado com fins de energia t\u00e9rmica e coc\u00e7\u00e3o de alimentos, produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e como combust\u00edvel veicular. O projeto de gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e biometano por meio da constru\u00e7\u00e3o de biogestores integra o Programa Municipal de Gera\u00e7\u00e3o de Energia Renov\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">De acordo com o engenheiro agr\u00f4nomo Luiz Carlos Balcewicz, que atua na Prefeitura de Toledo, na Assessoria para Capta\u00e7\u00e3o de Recursos e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, o munic\u00edpio adotou o modelo de biogestor canadense, \u201cmas que tamb\u00e9m poderia ser chamado de tolendense\u201d. Os dejetos s\u00e3o canalizados para o equipamento \u2013 uma constru\u00e7\u00e3o hermeticamente fechada e revestida por lona de PEAD. A a\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias metag\u00eanicas e a aus\u00eancia de oxig\u00eanio provocam a decomposi\u00e7\u00e3o da biomassa e, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o do biog\u00e1s e do biofertilizante. Balcewicz observa que o biog\u00e1s \u00e9 composto por v\u00e1rios gases sendo o Metano (CH4 de 60 a 70%), o principal, o G\u00e1s Carb\u00f4nico (CO2 de 25 a 35%) e outros gases (at\u00e9 5%) com destaque para o G\u00e1s Sulf\u00eddrico (H2S), muito nocivo para motores, m\u00e1quinas e equipamentos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">A energia gerada, tanto a t\u00e9rmica para aquecimento dos pintainhos (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 lenha) e coc\u00e7\u00e3o de alimentos (em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP) quanto \u00e0 el\u00e9trica (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 fornecida pela concession\u00e1ria), \u00e9 utilizada internamente na propriedade rural. \u201cIsso significa redu\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o e, principalmente, maior conforto e qualidade de vida para a fam\u00edlia rural. No caso do aquecimento dos pintainhos o processo \u00e9 automatizado e n\u00e3o mais necessita de uma pessoa para abastecer de lenha, periodicamente a fornalha, inclusive nas frias madrugadas\u201d, pontua Balcewicz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Segundo o engenheiro agr\u00f4nomo Balcewicz, caso o produtor rural queira vender a energia el\u00e9trica gerada em sua propriedade dever\u00e1 atender uma s\u00e9rie de normativas t\u00e9cnicas e legais de forma que possibilite a entrega dessa energia junto \u00e0 concession\u00e1ria estadual, por meio do sistema de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (GD). \u201cA burocracia e dificuldades ainda s\u00e3o significativas, entretanto, espera-se que em breve o processo seja simplificado, sem perder, contudo, a necessidade de se manter os cuidados com a seguran\u00e7a e a redu\u00e7\u00e3o dos riscos, para o bem de todos\u201d, analisa. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Os custos para a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de biodigest\u00e3o individual s\u00e3o vari\u00e1veis conforme a quantidade de animais e da esp\u00e9cie animal (su\u00ednos e vacas leiteiras), em cada propriedade. O dimensionamento do biodigestor deve atender o tempo de reten\u00e7\u00e3o dos dejetos, cerca de 30 dias, necess\u00e1rio para completar o processo de biodigest\u00e3o. Quanto aos custos para implanta\u00e7\u00e3o de um projeto de condom\u00ednio de agroenergia, que envolve diversas unidades produtivas, variam de acordo com a \u00e1rea a ser contemplada, n\u00famero de produtores envolvidos, dist\u00e2ncia a ser percorrida pelo biogasoduto principal, enfim, varia conforme sua complexidade. \u201cConsiderando os valores de custos m\u00e9dios calculados para dezenas de propriedades do munic\u00edpio de Toledo, o tempo para retorno do valor investido (payback) tem sido inferior a cinco anos para a maioria dessas propriedades. H\u00e1 casos em que o retorno do investimento ocorre em menos de tr\u00eas anos\u201d, constata. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Balcewicz esclarece que a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de dejetos em Toledo varia conforme a idade, peso e esp\u00e9cie animal. Como exemplo, segundo a literatura, em m\u00e9dia, um su\u00edno em termina\u00e7\u00e3o (com peso de 100kg) produz cerca de 3,2 kg de dejetos por dia, que equivalem a 0,25 m3 de biog\u00e1s\/dia. Um lote de 1000 animais deste porte produz 250 m3 de biog\u00e1s que significam 165 m3 de biometano. Tal volume \u00e9 suficiente para percorrer mais de 2000 quil\u00f4metros, pois h\u00e1 in\u00fameros testemunhos de ve\u00edculos que percorrem mais de 12 km\/m3 de biometano. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Em Toledo, v\u00e1rios projetos est\u00e3o em planejamento. Balcewicz exp\u00f5e que os tr\u00eas primeiros projetos contemplam cerca de 70 fam\u00edlias, que produzir\u00e3o aproximadamente 15 mil m3 de biog\u00e1s por dia, o que significa quase 10.000 m3 biometano\/dia, considerando-se 66% o percentual de metano existente no biog\u00e1s. \u201c\u00c9 oportuno citar que se projeta conquistar a universaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de biodigest\u00e3o para todas as unidades produtivas pecu\u00e1rias do munic\u00edpio at\u00e9 2025\u201d, calcula. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Em termos monet\u00e1rios, Balcewicz coloca que, valorando em R$ 1,26\/m3 biometano (cerca de 70% do GNV \u2013 R$ 1,70\/m3) e considerando o rebanho da regi\u00e3o, cuja capacidade de produ\u00e7\u00e3o supera 110 mil m3 de biometano\/dia, significa que poder\u00e1 ocorrer a inje\u00e7\u00e3o de mais de R$ 50 milh\u00f5es na economia do munic\u00edpio, anualmente, ou seja, um incremento de 15% no or\u00e7amento do munic\u00edpio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Balcewicz garante que o biog\u00e1s e o biometano trazem contribui\u00e7\u00f5es importantes para a melhoria da qualidade de vida e conforto das fam\u00edlias rurais. Dentre elas, o engenheiro agr\u00f4nomo cita a elimina\u00e7\u00e3o de odores (mau cheiro) e redu\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as (moscas, principalmente), aquecimento de aves e su\u00ednos, utiliza\u00e7\u00e3o em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP no fog\u00e3o, maior higieniza\u00e7\u00e3o de equipamentos de ordenha mec\u00e2nica e utens\u00edlios em geral (melhor pre\u00e7o do leite), mais ganhos com a redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o (biofertiliza\u00e7\u00e3o dos solos e das culturas) e produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica pr\u00f3pria, para autoconsumo; e al\u00e9m de tudo isso, amplia as perspectivas de investimentos nas propriedades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Balcewicz esclarece, no entanto, que, por tratar-se de uma tecnologia relativamente nova no pa\u00eds, o uso da energia a partir do biog\u00e1s\/biometano necessita de legisla\u00e7\u00e3o federal e estadual mais condizente com a atual realidade do setor produtivo. \u201cFaz-se necess\u00e1rio assegurar o direito do uso por parte dos produtores rurais do biometano (biog\u00e1s filtrado) produzido em sua propriedade, inclusive para fins de locomo\u00e7\u00e3o veicular, sem obst\u00e1culos e burocracia excessiva\u201d, pondera. Al\u00e9m disso, para maior alavancagem do processo \u00e9 fundamental a defini\u00e7\u00e3o de um valor m\u00ednimo, efetivo, a ser pago por m3 produzido de biog\u00e1s\/biometano aos produtores. Por fim, o engenheiro agr\u00f4nomo lembra que \u00e9 uma tecnologia inovadora, criativa e emancipadora dos produtores rurais em termos energ\u00e9ticos que vem sendo aperfei\u00e7oada no Brasil h\u00e1 mais de 40 anos e no mundo h\u00e1 s\u00e9culos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Biogestores em Toledo<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">O processo de biodigest\u00e3o de res\u00edduos \u00e9 conhecido h\u00e1 s\u00e9culos no mundo. Em Toledo, o primeiro biodigestor instalado ocorreu somente no final da d\u00e9cada de 1970. Era um \u201cmodelo indiano\u201d, de propriedade da Fam\u00edlia Angeli, na comunidade de Nova Videira. A finalidade do uso do biog\u00e1s era o de substituir o g\u00e1s de cozinha (GLP). Posteriormente, no final da d\u00e9cada de 1990, uma propriedade, em Linha Tr\u00eas Bocas, instalou um biodigestor \u201cmodelo chin\u00eas\u201d, de maior efic\u00e1cia, que ainda se encontra em pleno funcionamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Os biodigestores retornaram \u00e0 ordem do dia, motivado pelo aumento da emiss\u00e3o de Gases Efeito Estufa (GEE) na Represa de Itaipu, devido ao desenvolvimento de algas. Para a pr\u00f3pria seguran\u00e7a do empreendimento, a partir de 2003, seus novos dirigentes consideraram fundamental a interven\u00e7\u00e3o no sentido de mitigar os efeitos nocivos da emiss\u00e3o de metano para a atmosfera, provocada pela decomposi\u00e7\u00e3o natural das algas, no fundo da represa. Iniciou-se o desenvolvimento de uma s\u00e9rie de projetos piloto de gera\u00e7\u00e3o de energia, a partir de diferentes modelos de sistemas de biodigest\u00e3o, em especial, do denominado \u201cmodelo canadense\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">As produtoras e produtores rurais, em especial suinocultores e criadores de vacas leiteiras, s\u00e3o os principais protagonistas deste projeto, afinal, s\u00e3o eles os propriet\u00e1rios das cria\u00e7\u00f5es animais que geram a biomassa residual (dejetos). Al\u00e9m deles, \u00e9 importante destacar a participa\u00e7\u00e3o da Itaipu Binacional, da Funda\u00e7\u00e3o Parque Tecnol\u00f3gico Itaipu (FPTI), do Centro Internacional de Energias Renov\u00e1veis (CIBiog\u00e1s), do Instituto Emater, da Unioeste, do Centro Internacional de Hidroinform\u00e1tica (CIH), da PUCPR-Toledo e, mais recentemente, da Compagas. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Por Ana Maria Ferrarini (Regional Curitiba)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/moto-gerador_a biogas.jpg\" alt=\"alt\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">O munic\u00edpio de Toledo, no Oeste do Paran\u00e1, est\u00e1 colocando em pr\u00e1tica um projeto ambicioso e inovador, que transforma um passivo ambiental (dejetos da pecu\u00e1ria que poluem o solo, o ar e as \u00e1guas) em ativos econ\u00f4micos como, por exemplo, biofertilizante, utilizado diretamente na fertiliza\u00e7\u00e3o das culturas de gr\u00e3os e pastagens (substituindo em parte o adubo qu\u00edmico). E, ainda, o biog\u00e1s que pode ser utilizado com fins de energia t\u00e9rmica e coc\u00e7\u00e3o de alimentos, produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e como combust\u00edvel veicular. O projeto de gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e biometano por meio da constru\u00e7\u00e3o de biogestores integra o Programa Municipal de Gera\u00e7\u00e3o de Energia Renov\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">De acordo com o engenheiro agr\u00f4nomo Luiz Carlos Balcewicz, que atua na Prefeitura de Toledo, na Assessoria para Capta\u00e7\u00e3o de Recursos e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, o munic\u00edpio adotou o modelo de biogestor canadense, \u201cmas que tamb\u00e9m poderia ser chamado de tolendense\u201d. Os dejetos s\u00e3o canalizados para o equipamento \u2013 uma constru\u00e7\u00e3o hermeticamente fechada e revestida por lona de PEAD. A a\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias metag\u00eanicas e a aus\u00eancia de oxig\u00eanio provocam a decomposi\u00e7\u00e3o da biomassa e, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o do biog\u00e1s e do biofertilizante. Balcewicz observa que o biog\u00e1s \u00e9 composto por v\u00e1rios gases sendo o Metano (CH4 de 60 a 70%), o principal, o G\u00e1s Carb\u00f4nico (CO2 de 25 a 35%) e outros gases (at\u00e9 5%) com destaque para o G\u00e1s Sulf\u00eddrico (H2S), muito nocivo para motores, m\u00e1quinas e equipamentos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">A energia gerada, tanto a t\u00e9rmica para aquecimento dos pintainhos (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 lenha) e coc\u00e7\u00e3o de alimentos (em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP) quanto \u00e0 el\u00e9trica (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 fornecida pela concession\u00e1ria), \u00e9 utilizada internamente na propriedade rural. \u201cIsso significa redu\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o e, principalmente, maior conforto e qualidade de vida para a fam\u00edlia rural. No caso do aquecimento dos pintainhos o processo \u00e9 automatizado e n\u00e3o mais necessita de uma pessoa para abastecer de lenha, periodicamente a fornalha, inclusive nas frias madrugadas\u201d, pontua Balcewicz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Segundo o engenheiro agr\u00f4nomo Balcewicz, caso o produtor rural queira vender a energia el\u00e9trica gerada em sua propriedade dever\u00e1 atender uma s\u00e9rie de normativas t\u00e9cnicas e legais de forma que possibilite a entrega dessa energia junto \u00e0 concession\u00e1ria estadual, por meio do sistema de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (GD). \u201cA burocracia e dificuldades ainda s\u00e3o significativas, entretanto, espera-se que em breve o processo seja simplificado, sem perder, contudo, a necessidade de se manter os cuidados com a seguran\u00e7a e a redu\u00e7\u00e3o dos riscos, para o bem de todos\u201d, analisa. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Os custos para a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de biodigest\u00e3o individual s\u00e3o vari\u00e1veis conforme a quantidade de animais e da esp\u00e9cie animal (su\u00ednos e vacas leiteiras), em cada propriedade. O dimensionamento do biodigestor deve atender o tempo de reten\u00e7\u00e3o dos dejetos, cerca de 30 dias, necess\u00e1rio para completar o processo de biodigest\u00e3o. Quanto aos custos para implanta\u00e7\u00e3o de um projeto de condom\u00ednio de agroenergia, que envolve diversas unidades produtivas, variam de acordo com a \u00e1rea a ser contemplada, n\u00famero de produtores envolvidos, dist\u00e2ncia a ser percorrida pelo biogasoduto principal, enfim, varia conforme sua complexidade. \u201cConsiderando os valores de custos m\u00e9dios calculados para dezenas de propriedades do munic\u00edpio de Toledo, o tempo para retorno do valor investido (payback) tem sido inferior a cinco anos para a maioria dessas propriedades. H\u00e1 casos em que o retorno do investimento ocorre em menos de tr\u00eas anos\u201d, constata. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Balcewicz esclarece que a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de dejetos em Toledo varia conforme a idade, peso e esp\u00e9cie animal. Como exemplo, segundo a literatura, em m\u00e9dia, um su\u00edno em termina\u00e7\u00e3o (com peso de 100kg) produz cerca de 3,2 kg de dejetos por dia, que equivalem a 0,25 m3 de biog\u00e1s\/dia. Um lote de 1000 animais deste porte produz 250 m3 de biog\u00e1s que significam 165 m3 de biometano. Tal volume \u00e9 suficiente para percorrer mais de 2000 quil\u00f4metros, pois h\u00e1 in\u00fameros testemunhos de ve\u00edculos que percorrem mais de 12 km\/m3 de biometano. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Em Toledo, v\u00e1rios projetos est\u00e3o em planejamento. Balcewicz exp\u00f5e que os tr\u00eas primeiros projetos contemplam cerca de 70 fam\u00edlias, que produzir\u00e3o aproximadamente 15 mil m3 de biog\u00e1s por dia, o que significa quase 10.000 m3 biometano\/dia, considerando-se 66% o percentual de metano existente no biog\u00e1s. \u201c\u00c9 oportuno citar que se projeta conquistar a universaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de biodigest\u00e3o para todas as unidades produtivas pecu\u00e1rias do munic\u00edpio at\u00e9 2025\u201d, calcula. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Em termos monet\u00e1rios, Balcewicz coloca que, valorando em R$ 1,26\/m3 biometano (cerca de 70% do GNV \u2013 R$ 1,70\/m3) e considerando o rebanho da regi\u00e3o, cuja capacidade de produ\u00e7\u00e3o supera 110 mil m3 de biometano\/dia, significa que poder\u00e1 ocorrer a inje\u00e7\u00e3o de mais de R$ 50 milh\u00f5es na economia do munic\u00edpio, anualmente, ou seja, um incremento de 15% no or\u00e7amento do munic\u00edpio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Balcewicz garante que o biog\u00e1s e o biometano trazem contribui\u00e7\u00f5es importantes para a melhoria da qualidade de vida e conforto das fam\u00edlias rurais. Dentre elas, o engenheiro agr\u00f4nomo cita a elimina\u00e7\u00e3o de odores (mau cheiro) e redu\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as (moscas, principalmente), aquecimento de aves e su\u00ednos, utiliza\u00e7\u00e3o em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP no fog\u00e3o, maior higieniza\u00e7\u00e3o de equipamentos de ordenha mec\u00e2nica e utens\u00edlios em geral (melhor pre\u00e7o do leite), mais ganhos com a redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o (biofertiliza\u00e7\u00e3o dos solos e das culturas) e produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica pr\u00f3pria, para autoconsumo; e al\u00e9m de tudo isso, amplia as perspectivas de investimentos nas propriedades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Balcewicz esclarece, no entanto, que, por tratar-se de uma tecnologia relativamente nova no pa\u00eds, o uso da energia a partir do biog\u00e1s\/biometano necessita de legisla\u00e7\u00e3o federal e estadual mais condizente com a atual realidade do setor produtivo. \u201cFaz-se necess\u00e1rio assegurar o direito do uso por parte dos produtores rurais do biometano (biog\u00e1s filtrado) produzido em sua propriedade, inclusive para fins de locomo\u00e7\u00e3o veicular, sem obst\u00e1culos e burocracia excessiva\u201d, pondera. Al\u00e9m disso, para maior alavancagem do processo \u00e9 fundamental a defini\u00e7\u00e3o de um valor m\u00ednimo, efetivo, a ser pago por m3 produzido de biog\u00e1s\/biometano aos produtores. Por fim, o engenheiro agr\u00f4nomo lembra que \u00e9 uma tecnologia inovadora, criativa e emancipadora dos produtores rurais em termos energ\u00e9ticos que vem sendo aperfei\u00e7oada no Brasil h\u00e1 mais de 40 anos e no mundo h\u00e1 s\u00e9culos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Biogestores em Toledo<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">O processo de biodigest\u00e3o de res\u00edduos \u00e9 conhecido h\u00e1 s\u00e9culos no mundo. Em Toledo, o primeiro biodigestor instalado ocorreu somente no final da d\u00e9cada de 1970. Era um \u201cmodelo indiano\u201d, de propriedade da Fam\u00edlia Angeli, na comunidade de Nova Videira. A finalidade do uso do biog\u00e1s era o de substituir o g\u00e1s de cozinha (GLP). Posteriormente, no final da d\u00e9cada de 1990, uma propriedade, em Linha Tr\u00eas Bocas, instalou um biodigestor \u201cmodelo chin\u00eas\u201d, de maior efic\u00e1cia, que ainda se encontra em pleno funcionamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Os biodigestores retornaram \u00e0 ordem do dia, motivado pelo aumento da emiss\u00e3o de Gases Efeito Estufa (GEE) na Represa de Itaipu, devido ao desenvolvimento de algas. Para a pr\u00f3pria seguran\u00e7a do empreendimento, a partir de 2003, seus novos dirigentes consideraram fundamental a interven\u00e7\u00e3o no sentido de mitigar os efeitos nocivos da emiss\u00e3o de metano para a atmosfera, provocada pela decomposi\u00e7\u00e3o natural das algas, no fundo da represa. Iniciou-se o desenvolvimento de uma s\u00e9rie de projetos piloto de gera\u00e7\u00e3o de energia, a partir de diferentes modelos de sistemas de biodigest\u00e3o, em especial, do denominado \u201cmodelo canadense\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">As produtoras e produtores rurais, em especial suinocultores e criadores de vacas leiteiras, s\u00e3o os principais protagonistas deste projeto, afinal, s\u00e3o eles os propriet\u00e1rios das cria\u00e7\u00f5es animais que geram a biomassa residual (dejetos). Al\u00e9m deles, \u00e9 importante destacar a participa\u00e7\u00e3o da Itaipu Binacional, da Funda\u00e7\u00e3o Parque Tecnol\u00f3gico Itaipu (FPTI), do Centro Internacional de Energias Renov\u00e1veis (CIBiog\u00e1s), do Instituto Emater, da Unioeste, do Centro Internacional de Hidroinform\u00e1tica (CIH), da PUCPR-Toledo e, mais recentemente, da Compagas. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Por Ana Maria Ferrarini (Regional Curitiba)<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,1],"tags":[],"class_list":["post-2965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-institucionais","category-sem-categoria"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Toledo inova na gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s por meio de biomassa residual animal - Crea-PR<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Toledo inova na gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s por meio de biomassa residual animal - Crea-PR\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00a0  O munic\u00edpio de Toledo, no Oeste do Paran\u00e1, est\u00e1 colocando em pr\u00e1tica um projeto ambicioso e inovador, que transforma um passivo ambiental (dejetos da pecu\u00e1ria que poluem o solo, o ar e as \u00e1guas) em ativos econ\u00f4micos como, por exemplo, biofertilizante, utilizado diretamente na fertiliza\u00e7\u00e3o das culturas de gr\u00e3os e pastagens (substituindo em parte o adubo qu\u00edmico). E, ainda, o biog\u00e1s que pode ser utilizado com fins de energia t\u00e9rmica e coc\u00e7\u00e3o de alimentos, produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e como combust\u00edvel veicular. O projeto de gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e biometano por meio da constru\u00e7\u00e3o de biogestores integra o Programa Municipal de Gera\u00e7\u00e3o de Energia Renov\u00e1veis. De acordo com o engenheiro agr\u00f4nomo Luiz Carlos Balcewicz, que atua na Prefeitura de Toledo, na Assessoria para Capta\u00e7\u00e3o de Recursos e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, o munic\u00edpio adotou o modelo de biogestor canadense, \u201cmas que tamb\u00e9m poderia ser chamado de tolendense\u201d. Os dejetos s\u00e3o canalizados para o equipamento \u2013 uma constru\u00e7\u00e3o hermeticamente fechada e revestida por lona de PEAD. A a\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias metag\u00eanicas e a aus\u00eancia de oxig\u00eanio provocam a decomposi\u00e7\u00e3o da biomassa e, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o do biog\u00e1s e do biofertilizante. Balcewicz observa que o biog\u00e1s \u00e9 composto por v\u00e1rios gases sendo o Metano (CH4 de 60 a 70%), o principal, o G\u00e1s Carb\u00f4nico (CO2 de 25 a 35%) e outros gases (at\u00e9 5%) com destaque para o G\u00e1s Sulf\u00eddrico (H2S), muito nocivo para motores, m\u00e1quinas e equipamentos.  A energia gerada, tanto a t\u00e9rmica para aquecimento dos pintainhos (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 lenha) e coc\u00e7\u00e3o de alimentos (em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP) quanto \u00e0 el\u00e9trica (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 fornecida pela concession\u00e1ria), \u00e9 utilizada internamente na propriedade rural. \u201cIsso significa redu\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o e, principalmente, maior conforto e qualidade de vida para a fam\u00edlia rural. No caso do aquecimento dos pintainhos o processo \u00e9 automatizado e n\u00e3o mais necessita de uma pessoa para abastecer de lenha, periodicamente a fornalha, inclusive nas frias madrugadas\u201d, pontua Balcewicz. Segundo o engenheiro agr\u00f4nomo Balcewicz, caso o produtor rural queira vender a energia el\u00e9trica gerada em sua propriedade dever\u00e1 atender uma s\u00e9rie de normativas t\u00e9cnicas e legais de forma que possibilite a entrega dessa energia junto \u00e0 concession\u00e1ria estadual, por meio do sistema de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (GD). \u201cA burocracia e dificuldades ainda s\u00e3o significativas, entretanto, espera-se que em breve o processo seja simplificado, sem perder, contudo, a necessidade de se manter os cuidados com a seguran\u00e7a e a redu\u00e7\u00e3o dos riscos, para o bem de todos\u201d, analisa.  Os custos para a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de biodigest\u00e3o individual s\u00e3o vari\u00e1veis conforme a quantidade de animais e da esp\u00e9cie animal (su\u00ednos e vacas leiteiras), em cada propriedade. O dimensionamento do biodigestor deve atender o tempo de reten\u00e7\u00e3o dos dejetos, cerca de 30 dias, necess\u00e1rio para completar o processo de biodigest\u00e3o. Quanto aos custos para implanta\u00e7\u00e3o de um projeto de condom\u00ednio de agroenergia, que envolve diversas unidades produtivas, variam de acordo com a \u00e1rea a ser contemplada, n\u00famero de produtores envolvidos, dist\u00e2ncia a ser percorrida pelo biogasoduto principal, enfim, varia conforme sua complexidade. \u201cConsiderando os valores de custos m\u00e9dios calculados para dezenas de propriedades do munic\u00edpio de Toledo, o tempo para retorno do valor investido (payback) tem sido inferior a cinco anos para a maioria dessas propriedades. H\u00e1 casos em que o retorno do investimento ocorre em menos de tr\u00eas anos\u201d, constata.  Balcewicz esclarece que a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de dejetos em Toledo varia conforme a idade, peso e esp\u00e9cie animal. Como exemplo, segundo a literatura, em m\u00e9dia, um su\u00edno em termina\u00e7\u00e3o (com peso de 100kg) produz cerca de 3,2 kg de dejetos por dia, que equivalem a 0,25 m3 de biog\u00e1s\/dia. Um lote de 1000 animais deste porte produz 250 m3 de biog\u00e1s que significam 165 m3 de biometano. Tal volume \u00e9 suficiente para percorrer mais de 2000 quil\u00f4metros, pois h\u00e1 in\u00fameros testemunhos de ve\u00edculos que percorrem mais de 12 km\/m3 de biometano.  Em Toledo, v\u00e1rios projetos est\u00e3o em planejamento. Balcewicz exp\u00f5e que os tr\u00eas primeiros projetos contemplam cerca de 70 fam\u00edlias, que produzir\u00e3o aproximadamente 15 mil m3 de biog\u00e1s por dia, o que significa quase 10.000 m3 biometano\/dia, considerando-se 66% o percentual de metano existente no biog\u00e1s. \u201c\u00c9 oportuno citar que se projeta conquistar a universaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de biodigest\u00e3o para todas as unidades produtivas pecu\u00e1rias do munic\u00edpio at\u00e9 2025\u201d, calcula.  Em termos monet\u00e1rios, Balcewicz coloca que, valorando em R$ 1,26\/m3 biometano (cerca de 70% do GNV \u2013 R$ 1,70\/m3) e considerando o rebanho da regi\u00e3o, cuja capacidade de produ\u00e7\u00e3o supera 110 mil m3 de biometano\/dia, significa que poder\u00e1 ocorrer a inje\u00e7\u00e3o de mais de R$ 50 milh\u00f5es na economia do munic\u00edpio, anualmente, ou seja, um incremento de 15% no or\u00e7amento do munic\u00edpio. Balcewicz garante que o biog\u00e1s e o biometano trazem contribui\u00e7\u00f5es importantes para a melhoria da qualidade de vida e conforto das fam\u00edlias rurais. Dentre elas, o engenheiro agr\u00f4nomo cita a elimina\u00e7\u00e3o de odores (mau cheiro) e redu\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as (moscas, principalmente), aquecimento de aves e su\u00ednos, utiliza\u00e7\u00e3o em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP no fog\u00e3o, maior higieniza\u00e7\u00e3o de equipamentos de ordenha mec\u00e2nica e utens\u00edlios em geral (melhor pre\u00e7o do leite), mais ganhos com a redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o (biofertiliza\u00e7\u00e3o dos solos e das culturas) e produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica pr\u00f3pria, para autoconsumo; e al\u00e9m de tudo isso, amplia as perspectivas de investimentos nas propriedades. Balcewicz esclarece, no entanto, que, por tratar-se de uma tecnologia relativamente nova no pa\u00eds, o uso da energia a partir do biog\u00e1s\/biometano necessita de legisla\u00e7\u00e3o federal e estadual mais condizente com a atual realidade do setor produtivo. \u201cFaz-se necess\u00e1rio assegurar o direito do uso por parte dos produtores rurais do biometano (biog\u00e1s filtrado) produzido em sua propriedade, inclusive para fins de locomo\u00e7\u00e3o veicular, sem obst\u00e1culos e burocracia excessiva\u201d, pondera. Al\u00e9m disso, para maior alavancagem do processo \u00e9 fundamental a defini\u00e7\u00e3o de um valor m\u00ednimo, efetivo, a ser pago por m3 produzido de biog\u00e1s\/biometano aos produtores. Por fim, o engenheiro agr\u00f4nomo lembra que \u00e9 uma tecnologia inovadora, criativa e emancipadora dos produtores rurais em termos energ\u00e9ticos que vem sendo aperfei\u00e7oada no Brasil h\u00e1 mais de 40 anos e no mundo h\u00e1 s\u00e9culos.  Biogestores em Toledo O processo de biodigest\u00e3o de res\u00edduos \u00e9 conhecido h\u00e1 s\u00e9culos no mundo. Em Toledo, o primeiro biodigestor instalado ocorreu somente no final da d\u00e9cada de 1970. Era um \u201cmodelo indiano\u201d, de propriedade da Fam\u00edlia Angeli, na comunidade de Nova Videira. A finalidade do uso do biog\u00e1s era o de substituir o g\u00e1s de cozinha (GLP). Posteriormente, no final da d\u00e9cada de 1990, uma propriedade, em Linha Tr\u00eas Bocas, instalou um biodigestor \u201cmodelo chin\u00eas\u201d, de maior efic\u00e1cia, que ainda se encontra em pleno funcionamento. Os biodigestores retornaram \u00e0 ordem do dia, motivado pelo aumento da emiss\u00e3o de Gases Efeito Estufa (GEE) na Represa de Itaipu, devido ao desenvolvimento de algas. Para a pr\u00f3pria seguran\u00e7a do empreendimento, a partir de 2003, seus novos dirigentes consideraram fundamental a interven\u00e7\u00e3o no sentido de mitigar os efeitos nocivos da emiss\u00e3o de metano para a atmosfera, provocada pela decomposi\u00e7\u00e3o natural das algas, no fundo da represa. Iniciou-se o desenvolvimento de uma s\u00e9rie de projetos piloto de gera\u00e7\u00e3o de energia, a partir de diferentes modelos de sistemas de biodigest\u00e3o, em especial, do denominado \u201cmodelo canadense\u201d. As produtoras e produtores rurais, em especial suinocultores e criadores de vacas leiteiras, s\u00e3o os principais protagonistas deste projeto, afinal, s\u00e3o eles os propriet\u00e1rios das cria\u00e7\u00f5es animais que geram a biomassa residual (dejetos). Al\u00e9m deles, \u00e9 importante destacar a participa\u00e7\u00e3o da Itaipu Binacional, da Funda\u00e7\u00e3o Parque Tecnol\u00f3gico Itaipu (FPTI), do Centro Internacional de Energias Renov\u00e1veis (CIBiog\u00e1s), do Instituto Emater, da Unioeste, do Centro Internacional de Hidroinform\u00e1tica (CIH), da PUCPR-Toledo e, mais recentemente, da Compagas.  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E, ainda, o biog\u00e1s que pode ser utilizado com fins de energia t\u00e9rmica e coc\u00e7\u00e3o de alimentos, produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e como combust\u00edvel veicular. O projeto de gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e biometano por meio da constru\u00e7\u00e3o de biogestores integra o Programa Municipal de Gera\u00e7\u00e3o de Energia Renov\u00e1veis. De acordo com o engenheiro agr\u00f4nomo Luiz Carlos Balcewicz, que atua na Prefeitura de Toledo, na Assessoria para Capta\u00e7\u00e3o de Recursos e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, o munic\u00edpio adotou o modelo de biogestor canadense, \u201cmas que tamb\u00e9m poderia ser chamado de tolendense\u201d. Os dejetos s\u00e3o canalizados para o equipamento \u2013 uma constru\u00e7\u00e3o hermeticamente fechada e revestida por lona de PEAD. A a\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias metag\u00eanicas e a aus\u00eancia de oxig\u00eanio provocam a decomposi\u00e7\u00e3o da biomassa e, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o do biog\u00e1s e do biofertilizante. Balcewicz observa que o biog\u00e1s \u00e9 composto por v\u00e1rios gases sendo o Metano (CH4 de 60 a 70%), o principal, o G\u00e1s Carb\u00f4nico (CO2 de 25 a 35%) e outros gases (at\u00e9 5%) com destaque para o G\u00e1s Sulf\u00eddrico (H2S), muito nocivo para motores, m\u00e1quinas e equipamentos.  A energia gerada, tanto a t\u00e9rmica para aquecimento dos pintainhos (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 lenha) e coc\u00e7\u00e3o de alimentos (em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP) quanto \u00e0 el\u00e9trica (em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 fornecida pela concession\u00e1ria), \u00e9 utilizada internamente na propriedade rural. \u201cIsso significa redu\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o e, principalmente, maior conforto e qualidade de vida para a fam\u00edlia rural. No caso do aquecimento dos pintainhos o processo \u00e9 automatizado e n\u00e3o mais necessita de uma pessoa para abastecer de lenha, periodicamente a fornalha, inclusive nas frias madrugadas\u201d, pontua Balcewicz. Segundo o engenheiro agr\u00f4nomo Balcewicz, caso o produtor rural queira vender a energia el\u00e9trica gerada em sua propriedade dever\u00e1 atender uma s\u00e9rie de normativas t\u00e9cnicas e legais de forma que possibilite a entrega dessa energia junto \u00e0 concession\u00e1ria estadual, por meio do sistema de Gera\u00e7\u00e3o Distribu\u00edda (GD). \u201cA burocracia e dificuldades ainda s\u00e3o significativas, entretanto, espera-se que em breve o processo seja simplificado, sem perder, contudo, a necessidade de se manter os cuidados com a seguran\u00e7a e a redu\u00e7\u00e3o dos riscos, para o bem de todos\u201d, analisa.  Os custos para a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de biodigest\u00e3o individual s\u00e3o vari\u00e1veis conforme a quantidade de animais e da esp\u00e9cie animal (su\u00ednos e vacas leiteiras), em cada propriedade. O dimensionamento do biodigestor deve atender o tempo de reten\u00e7\u00e3o dos dejetos, cerca de 30 dias, necess\u00e1rio para completar o processo de biodigest\u00e3o. Quanto aos custos para implanta\u00e7\u00e3o de um projeto de condom\u00ednio de agroenergia, que envolve diversas unidades produtivas, variam de acordo com a \u00e1rea a ser contemplada, n\u00famero de produtores envolvidos, dist\u00e2ncia a ser percorrida pelo biogasoduto principal, enfim, varia conforme sua complexidade. \u201cConsiderando os valores de custos m\u00e9dios calculados para dezenas de propriedades do munic\u00edpio de Toledo, o tempo para retorno do valor investido (payback) tem sido inferior a cinco anos para a maioria dessas propriedades. H\u00e1 casos em que o retorno do investimento ocorre em menos de tr\u00eas anos\u201d, constata.  Balcewicz esclarece que a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de dejetos em Toledo varia conforme a idade, peso e esp\u00e9cie animal. Como exemplo, segundo a literatura, em m\u00e9dia, um su\u00edno em termina\u00e7\u00e3o (com peso de 100kg) produz cerca de 3,2 kg de dejetos por dia, que equivalem a 0,25 m3 de biog\u00e1s\/dia. Um lote de 1000 animais deste porte produz 250 m3 de biog\u00e1s que significam 165 m3 de biometano. Tal volume \u00e9 suficiente para percorrer mais de 2000 quil\u00f4metros, pois h\u00e1 in\u00fameros testemunhos de ve\u00edculos que percorrem mais de 12 km\/m3 de biometano.  Em Toledo, v\u00e1rios projetos est\u00e3o em planejamento. Balcewicz exp\u00f5e que os tr\u00eas primeiros projetos contemplam cerca de 70 fam\u00edlias, que produzir\u00e3o aproximadamente 15 mil m3 de biog\u00e1s por dia, o que significa quase 10.000 m3 biometano\/dia, considerando-se 66% o percentual de metano existente no biog\u00e1s. \u201c\u00c9 oportuno citar que se projeta conquistar a universaliza\u00e7\u00e3o dos sistemas de biodigest\u00e3o para todas as unidades produtivas pecu\u00e1rias do munic\u00edpio at\u00e9 2025\u201d, calcula.  Em termos monet\u00e1rios, Balcewicz coloca que, valorando em R$ 1,26\/m3 biometano (cerca de 70% do GNV \u2013 R$ 1,70\/m3) e considerando o rebanho da regi\u00e3o, cuja capacidade de produ\u00e7\u00e3o supera 110 mil m3 de biometano\/dia, significa que poder\u00e1 ocorrer a inje\u00e7\u00e3o de mais de R$ 50 milh\u00f5es na economia do munic\u00edpio, anualmente, ou seja, um incremento de 15% no or\u00e7amento do munic\u00edpio. Balcewicz garante que o biog\u00e1s e o biometano trazem contribui\u00e7\u00f5es importantes para a melhoria da qualidade de vida e conforto das fam\u00edlias rurais. Dentre elas, o engenheiro agr\u00f4nomo cita a elimina\u00e7\u00e3o de odores (mau cheiro) e redu\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as (moscas, principalmente), aquecimento de aves e su\u00ednos, utiliza\u00e7\u00e3o em substitui\u00e7\u00e3o ao GLP no fog\u00e3o, maior higieniza\u00e7\u00e3o de equipamentos de ordenha mec\u00e2nica e utens\u00edlios em geral (melhor pre\u00e7o do leite), mais ganhos com a redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o (biofertiliza\u00e7\u00e3o dos solos e das culturas) e produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica pr\u00f3pria, para autoconsumo; e al\u00e9m de tudo isso, amplia as perspectivas de investimentos nas propriedades. Balcewicz esclarece, no entanto, que, por tratar-se de uma tecnologia relativamente nova no pa\u00eds, o uso da energia a partir do biog\u00e1s\/biometano necessita de legisla\u00e7\u00e3o federal e estadual mais condizente com a atual realidade do setor produtivo. \u201cFaz-se necess\u00e1rio assegurar o direito do uso por parte dos produtores rurais do biometano (biog\u00e1s filtrado) produzido em sua propriedade, inclusive para fins de locomo\u00e7\u00e3o veicular, sem obst\u00e1culos e burocracia excessiva\u201d, pondera. Al\u00e9m disso, para maior alavancagem do processo \u00e9 fundamental a defini\u00e7\u00e3o de um valor m\u00ednimo, efetivo, a ser pago por m3 produzido de biog\u00e1s\/biometano aos produtores. Por fim, o engenheiro agr\u00f4nomo lembra que \u00e9 uma tecnologia inovadora, criativa e emancipadora dos produtores rurais em termos energ\u00e9ticos que vem sendo aperfei\u00e7oada no Brasil h\u00e1 mais de 40 anos e no mundo h\u00e1 s\u00e9culos.  Biogestores em Toledo O processo de biodigest\u00e3o de res\u00edduos \u00e9 conhecido h\u00e1 s\u00e9culos no mundo. Em Toledo, o primeiro biodigestor instalado ocorreu somente no final da d\u00e9cada de 1970. Era um \u201cmodelo indiano\u201d, de propriedade da Fam\u00edlia Angeli, na comunidade de Nova Videira. A finalidade do uso do biog\u00e1s era o de substituir o g\u00e1s de cozinha (GLP). Posteriormente, no final da d\u00e9cada de 1990, uma propriedade, em Linha Tr\u00eas Bocas, instalou um biodigestor \u201cmodelo chin\u00eas\u201d, de maior efic\u00e1cia, que ainda se encontra em pleno funcionamento. Os biodigestores retornaram \u00e0 ordem do dia, motivado pelo aumento da emiss\u00e3o de Gases Efeito Estufa (GEE) na Represa de Itaipu, devido ao desenvolvimento de algas. Para a pr\u00f3pria seguran\u00e7a do empreendimento, a partir de 2003, seus novos dirigentes consideraram fundamental a interven\u00e7\u00e3o no sentido de mitigar os efeitos nocivos da emiss\u00e3o de metano para a atmosfera, provocada pela decomposi\u00e7\u00e3o natural das algas, no fundo da represa. Iniciou-se o desenvolvimento de uma s\u00e9rie de projetos piloto de gera\u00e7\u00e3o de energia, a partir de diferentes modelos de sistemas de biodigest\u00e3o, em especial, do denominado \u201cmodelo canadense\u201d. As produtoras e produtores rurais, em especial suinocultores e criadores de vacas leiteiras, s\u00e3o os principais protagonistas deste projeto, afinal, s\u00e3o eles os propriet\u00e1rios das cria\u00e7\u00f5es animais que geram a biomassa residual (dejetos). Al\u00e9m deles, \u00e9 importante destacar a participa\u00e7\u00e3o da Itaipu Binacional, da Funda\u00e7\u00e3o Parque Tecnol\u00f3gico Itaipu (FPTI), do Centro Internacional de Energias Renov\u00e1veis (CIBiog\u00e1s), do Instituto Emater, da Unioeste, do Centro Internacional de Hidroinform\u00e1tica (CIH), da PUCPR-Toledo e, mais recentemente, da Compagas.  Por Ana Maria Ferrarini (Regional Curitiba)","og_url":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/","og_site_name":"Crea-PR","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/creapr","article_published_time":"2014-06-26T20:46:56+00:00","article_modified_time":"2018-09-11T18:52:36+00:00","author":"Eduardo Miura","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Eduardo Miura","Est. tempo de leitura":"7 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/"},"author":{"name":"Eduardo Miura","@id":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/#\/schema\/person\/787ef3cf999a2b49b4732bae3a1565a7"},"headline":"Toledo inova na gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s por meio de biomassa residual animal","datePublished":"2014-06-26T20:46:56+00:00","dateModified":"2018-09-11T18:52:36+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/"},"wordCount":1424,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/#organization"},"articleSection":["Not\u00edcias institucionais"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/","url":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2014\/06\/toledo-inova-na-geracao-de-biogas-por-meio-de-biomassa-residual-animal\/","name":"Toledo inova na gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s por meio de biomassa residual animal - 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