{"id":31402,"date":"2020-05-26T11:54:35","date_gmt":"2020-05-26T14:54:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/?p=31402"},"modified":"2022-06-02T16:49:22","modified_gmt":"2022-06-02T19:49:22","slug":"engenheiros-paranaenses-desenvolvem-metodologia-inedita-no-brasil-para-avaliar-impacto-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-pr.org.br\/ws\/2020\/05\/engenheiros-paranaenses-desenvolvem-metodologia-inedita-no-brasil-para-avaliar-impacto-ambiental\/","title":{"rendered":"Engenheiros paranaenses desenvolvem metodologia in\u00e9dita no Brasil para avaliar impacto ambiental"},"content":{"rendered":"<p>O rompimento da barragem de Fund\u00e3o, da mineradora Samarco, em Mariana (MG), no dia 5 de novembro de 2015, provocou a morte de 19 de pessoas. A lama inundou casas no distrito de Bento Rodrigues e outros pequenos distritos ao longo dos rios tamb\u00e9m foram atingidos, causando grave impacto ambiental. Estima-se que foi liberado na natureza o equivalente a 25 mil piscinas ol\u00edmpicas de res\u00edduos \u2013 uma mistura de \u00f3xido de ferro, \u00e1gua e muita lama. Em mar\u00e7o de 2017, o Lactec, um dos maiores centros de ci\u00eancia e tecnologia do pa\u00eds com cinco unidades no Paran\u00e1, passou a realizar, junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) de Minas Gerais, a avalia\u00e7\u00e3o dos danos decorrentes do rompimento da barragem de rejeitos de min\u00e9rio.<\/p>\n<p>O Diagn\u00f3stico Socioambiental da Bacia do Rio Doce e Regi\u00e3o Costeira Adjacente envolveu aproximadamente 250 profissionais das mais diversas \u00e1reas, sendo 56 deles de modalidades ligadas ao Crea-PR (Engenharias Civil, Agron\u00f4mica, Ambiental, El\u00e9trica, Cartogr\u00e1fica e de Agrimensura, Qu\u00edmica e Florestal, Geologia e Geografia). Tr\u00eas gerentes de segmento e quatro de \u00e1rea s\u00e3o Engenheiros. Outros 42 integram a equipe t\u00e9cnica (executora e de campo). Al\u00e9m disso, dos 56 estagi\u00e1rios do projeto, 19 s\u00e3o das Engenharias. As equipes contam ainda com especialistas de outras \u00e1reas, como Bi\u00f3logos, Ocean\u00f3logos, Arqueologistas e at\u00e9 Economistas pois, al\u00e9m de verificar os impactos na biodiversidade, h\u00e1 o trabalho de valora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos danos ambientais.<\/p>\n<p>O estudo est\u00e1 na reta final e \u00e9 poss\u00edvel constatar que os profissionais das Engenharias, Agronomia e Geoci\u00eancias contribu\u00edram para a aplica\u00e7\u00e3o de uma nova metodologia de an\u00e1lise. A inova\u00e7\u00e3o foi necess\u00e1ria porque, at\u00e9 2015, o Brasil n\u00e3o tinha registros de um desastre de tamanha propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os Engenheiros pesquisaram t\u00e9cnicas adotadas em outros pa\u00edses e encontraram, como refer\u00eancia para o trabalho, a avalia\u00e7\u00e3o dos danos ambientais provocados pela explos\u00e3o da plataforma Deepwater Horizon, em 2010, no Golfo do M\u00e9xico. Cerca de cinco milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo foram derramados no oceano, um dos piores desastres ambientais da hist\u00f3ria dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a pesquisa de refer\u00eancias internacionais, a primeira etapa desse novo m\u00e9todo no Brasil foi a cria\u00e7\u00e3o de uma linha-base, uma an\u00e1lise de como era a regi\u00e3o antes do rompimento da barragem, para comparar com os aspectos ap\u00f3s o acidente.<\/p>\n<p>Diferentemente de outros casos, em que a linha-base \u00e9 feita antes de o evento acontecer, foi preciso estudar a regi\u00e3o com dados secund\u00e1rios. Foram utilizadas imagens a\u00e9reas, estudos de solo, fauna e flora e listados os poss\u00edveis danos que teriam sido causados pelo desastre na barragem. Em seguida, as equipes foram a campo, para levantamento de informa\u00e7\u00f5es e as devidas compara\u00e7\u00f5es. Dados qualitativos e quantitativos foram avaliados com softwares.<\/p>\n<p>A Engenheira Ambiental Gleiciane Fernanda de Carvalho Blanc (que integrou inicialmente a equipe para trabalhar na \u00e1rea de valora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos danos) \u00e9 a atual respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do projeto e ressalta algumas caracter\u00edsticas do trabalho, como a atua\u00e7\u00e3o em conjunto e a integra\u00e7\u00e3o dessas diversas \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>\u201cQuando come\u00e7amos, n\u00e3o havia base t\u00e9cnica de desastre de tamanha dimens\u00e3o no Brasil. Tivemos que nos basear em estudos de outros pa\u00edses, entender como foram realizados e adaptar ao que \u00e9 permitido pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira, ou seja, criamos algo novo para nossa realidade at\u00e9 ent\u00e3o. Temos um leque de profissionais das Engenharias, entre outras \u00e1reas, para fazer o diagn\u00f3stico\u201d, relata a coordenadora, que destaca ainda o ineditismo e inova\u00e7\u00e3o da metodologia desenvolvida para a an\u00e1lise de danos.<\/p>\n<p>Fernando Camargo da Silva, Engenheiro Florestal, \u00e9 respons\u00e1vel pela parte de Ambiente Terrestre. Ele coordena uma equipe formada por Engenheiros Agr\u00f4nomos, Civis, Ambientais, Qu\u00edmicos e Florestais, Ge\u00f3logos e Ge\u00f3grafos, que atuam em pesquisas sobre solos, flora, fauna e atmosfera.<\/p>\n<p>Fernando mostra-se feliz em afirmar a percep\u00e7\u00e3o de que a restaura\u00e7\u00e3o florestal \u00e9 um dos pontos-chaves da recupera\u00e7\u00e3o da bacia do Rio Doce. \u201cRestaurando as florestas, conseguiremos recuperar os outros elementos. Os profissionais da \u00e1rea tem um papel importante para entender os efeitos do desastre e o que fazer para ameniz\u00e1-los ou corrigi-los\u201d, observa.<\/p>\n<p>O Engenheiro Florestal ressalta que o diagn\u00f3stico socioambiental foi um grande desafio. \u201cTivemos que lan\u00e7ar m\u00e3o de ideias, inovar em metodologias que poderiam trazer resultados contundentes, com modelagens de biodiversidade, de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, para verificar a perda de qualidade da fauna e flora, por exemplo\u201d, cita Fernando.<\/p>\n<p>Para a coordenadora t\u00e9cnica do projeto, o que ficar\u00e1 ap\u00f3s a conclus\u00e3o do trabalho \u00e9 um legado para os pesquisadores. \u201cDe maneira geral, a metodologia desenvolvida \u00e9 o legado. N\u00e3o desejamos que um evento como este se repita, mas, na inevitabilidade de ocorrer, teremos uma base s\u00f3lida para aplicar\u201d, reflete a Engenheira Florestal Gleiciane.<\/p>\n<p>O Diagn\u00f3stico Socioambiental da Bacia do Rio Doce e Regi\u00e3o Costeira Adjacente est\u00e1 na fase final. Os resultados dever\u00e3o ser encaminhados ao MPF no in\u00edcio do segundo semestre e as informa\u00e7\u00f5es passar\u00e3o a ser p\u00fablicas no final do ano, provavelmente. Por enquanto, os dados s\u00e3o confidenciais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rompimento da barragem de Fund\u00e3o, da mineradora Samarco, em Mariana (MG), no dia 5 de novembro de 2015, provocou a morte de 19 de pessoas. A lama inundou casas no distrito de Bento Rodrigues e outros pequenos distritos ao longo dos rios tamb\u00e9m foram atingidos, causando grave impacto ambiental. 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