Arquitetura de segurança: como tornar as escolas mais seguras?
23 de maio de 2011, às 20h14 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos
Quando se fala em segurança, logo pensamos em muros altos, monitoramento, grades, alarmes, detectores de metais. Lugares antes considerados seguros já não são mais assim. O que fazer diante de tanta violência? Como a arquitetura pode contribuir para tornar os espaços mais seguros?
“Arquitetura de segurança é aquela que vai além do óbvio, que não oferece riscos adicionais aos usuários”, afirma o arquiteto Rodrigo Freire, da Proa Arquitetura.
Episódios recentes, como a tragédia na escola de Realengo, no Rio de Janeiro, levantaram a discussão sobre a segurança nas escolas. A instalação de detectores de metais tornariam as escolas mais seguras?
Para a arquiteta e professora Yumi Yamawaki, da Proa Arquitetura, muito mais do que reforçar o controle de acesso, por meio de detectores de metal e catracas, há medidas preventivas de segurança a serem tomadas. A contribuição da arquitetura para isso está relacionada à concepção do projeto em conjunto com educadores e pedagogos. “Muito antes de ações como essas, as escolas devem contar com instalações adequadas para garantir a segurança dos seus usuários”, destaca.
Especializada em projetos para o segmento educacional, a Proa Arquitetura elabora projetos que proporcionam permeabilidade visual, física e sócio-psicológica. “A permeabilidade visual deve estar intrínseca na concepção de um projeto para uso comunitário, onde a abertura, a circulação e a interação entre as pessoas sejam favorecidas. Quanto mais visão, mais contato, mais cuidado uns com os outros”, ressalta Rodrigo Freire.
Para o arquiteto Keiro Yamawaki, uma escola na qual todos possam ver e ser vistos evita problemas de bullying, violência e atentado ao pudor. “As escolas que projetamos, na maioria das vezes, são dotadas de biblioteca e laboratórios de informática abertos à comunidade, os espaços são projetados para abrigar múltiplos usos. Nos finais de semana podem ser oferecidas oficinas de arte, artesanato, música para os pais, por exemplo.
Além disso, são dotados de auditório para eventos municipais – muitas vezes o município não possui esse tipo de equipamento urbano e pode utilizá-lo em conjunto com a escola – e as quadras poliesportivas e ginásios podem sediar campeonatos”, informa.
Yumi Yamawaki destaca o projeto elaborado para uma escola em Paranaguá, no litoral do Paraná: “Fizemos uma adequação de um espaço ocioso embaixo das arquibancadas de um estádio de futebol para a implementação de uma escola. Nos finais de semana e à noite funcionam os jogos e durante o dia as aulas. Em resumo, uma grande área pertencente ao
município deixou de ser subutilizada”, exemplifica.
Muros muito altos podem bloquear a visão e prejudicar a segurança. Equipamentos como câmeras são paliativos, porém nunca terão a performance dos olhos, que associados a um comportamento comprometido podem tomar atitudes imediatas de prevenção ou alarme.
Espaços abertos e bem iluminados são mais seguros. A violência, de maneira geral, procura lugares discretos e escuros para agir, onde possa contar com a surpresa como fator decisivo.
Para deixar um ambiente seguro é necessário separar em dois grupos aquilo que se pode efetivamente fazer através da arquitetura e sistemas complementares e, no outro, aquilo que não é possível proteger de maneira direta, onde as medidas são mais complexas e exigem planejamento e interação de diversos segmentos”, destaca Rodrigo Freire. “Em ambientes públicos, a sensação psicológica de segurança é muito importante, portanto na hora de projetar medidas simples como evitar becos, evitar barreiras e obstáculos são essenciais”, conclui Yumi Yamawaki.
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