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Disponível em <https://www.crea-pr.org.br/ws/2025/09/obras-publicas-em-uma-cidade-turistica-desafios-e-inovacoes-em-foz-do-iguacu/>.
Acesso em 02/11/2026 às 13h54.
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Obras públicas em uma cidade turística: desafios e inovações em Foz do Iguaçu

1 de setembro de 2025, às 16h10 - Tempo de leitura aproximado: 8 minutos

Foz do Iguaçu segue consolidando-se como um dos destinos mais procurados por visitantes nacionais e estrangeiros, principalmente em Julho, que é tradicionalmente um dos meses mais movimentados para o turismo brasileiro. Segundo levantamento do portal de viagens e hospedagens Booking, o município registrou em 2025 um aumento de 248% nas buscas de turistas internacionais por hospedagens em comparação ao mesmo período de 2024.

Os números também são expressivos no Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas: uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo e principal atrativo turístico do Brasil e da América do Sul, segundo o TripAdvisor. Apenas em julho deste ano, mais de 219 mil visitantes passaram pelo Parque, somando 1,16 milhão de turistas entre janeiro e julho de 2025.

De acordo com dados da Secretaria de Turismo do Paraná (SETU), Foz do Iguaçu recebeu:

  • 2023: 1.833.398 visitantes (sendo 1.068.079 brasileiros e 765.319 estrangeiros);

  • 2024: 1.893.116 visitantes (sendo 1.118.468 brasileiros e 774.648 estrangeiros), um crescimento de 3,25% em relação ao ano anterior;

  • 2025 (jan-jul): 1.165.634 visitantes (sendo 617.744 brasileiros e 547.890 estrangeiros).

O comparativo mostra uma tendência positiva: somente entre janeiro e abril de 2025, a cidade recebeu 697.348 visitantes, número 9,4% maior do que no mesmo período de 2024 (637.798).

Esses dados reforçam a importância de pensar Foz do Iguaçu para além de seus moradores. Ao mesmo tempo em que a cidade se dedica a atender sua população residente, precisa estar preparada para receber fluxos sazonais de visitantes que movimentam a economia e projetam o município internacionalmente. Nesse contexto, a Secretaria Municipal de Obras assume papel estratégico: planejar e executar projetos que conciliem infraestrutura urbana, mobilidade, estética e atratividade turística.

O Crea-PR conversou com a secretária de Obras, Eng. Civ. Thaís Escobar – primeira mulher a assumir o cargo na cidade – e com o prefeito General Silva e Luna, que detalharam os desafios e prioridades de gerir uma cidade com vocação turística mundialmente reconhecida: 

 

Entrevista com Eng. Civ. Thaís Escobar, Secretária de Obras de Foz do Iguaçu

Quais são os principais desafios de comandar a Secretaria de Obras em uma cidade que precisa pensar não apenas nos moradores, mas também nos milhões de visitantes que recebe anualmente?
Conduzir obras em Foz significa dimensionar a cidade para dois “picos” ao mesmo tempo: o da população residente e o dos fluxos sazonais de visitantes. Portanto, além de garantir a qualidade de vida da população com toda a infraestrutura urbana nos bairros, precisamos assegurar corredores de mobilidade que absorvam picos de demanda turística sem degradar o cotidiano dos bairros, garantir acessibilidade universal em áreas de alta rotatividade e compatibilizar prazos de obra com o calendário turístico e de eventos, reduzindo impactos econômicos.

De que forma a Secretaria equilibra as demandas de infraestrutura voltadas à população local com as necessidades do turismo, como sinalização, acessibilidade e áreas de convivência?
Esse equilíbrio é alcançado por meio de um planejamento integrado, que vê as duas frentes como complementares. As intervenções que beneficiam o morador, como a revitalização de praças com iluminação e acessibilidade, também tornam a cidade mais acolhedora para o turista. Já a manutenção é planejada de forma estratégica: nas altas temporadas priorizamos os bairros, enquanto nos períodos de menor movimento intensificamos as ações nos corredores turísticos.

Existe alguma obra ou projeto em andamento que você destacaria como diferencial por contribuir diretamente para a experiência do turista na cidade?
Destaco dois projetos importantes. O primeiro é o da Avenida Beira Rio, às margens do Rio Paraná, que está transformando a região em um espaço atrativo para investimentos privados nos setores turístico, gastronômico e hoteleiro. Outro projeto já aprovado pelo governo estadual é a criação de um parque linear na foz do Rio Monjolo. Esta obra valoriza um local de grande beleza natural e pouca visibilidade, conectando uma reserva natural a uma cachoeira de mais de 10 metros de altura. Com isso, promovemos a conservação do patrimônio natural da cidade, ampliando a relevância paisagística de Foz do Iguaçu para turistas e moradores.

A estética urbana tem peso importante em cidades turísticas. Como a Secretaria vem trabalhando questões como paisagismo, manutenção de praças, iluminação e calçadões?
A Secretaria de Obras atua de forma integrada com a Secretaria do Meio Ambiente. O paisagismo e a manutenção de praças são conduzidos pela pasta parceira, enquanto a Secretaria de Obras assegura iluminação, acessibilidade e conservação das calçadas, de modo que o resultado final seja harmônico. Além disso, a Secretaria do Meio Ambiente mantém o programa “Adote uma Praça”, uma iniciativa público-privada que contribui para a melhoria e conservação desses espaços.

Eventos de grande porte também movimentam o turismo de Foz. Como a Secretaria de Obras se prepara para atender essas demandas sazonais?
A Secretaria de Obras trabalha em conjunto com a Fundação Cultural para antecipar as necessidades. Antes de grandes eventos, realizamos um levantamento completo das áreas impactadas, verificando as condições das vias de acesso, a iluminação e a infraestrutura de apoio, assegurando que a cidade esteja preparada para receber com qualidade.

Que inovação ou ação inédita você destacaria como marca da sua gestão à frente da Secretaria de Obras?
Destaco a criação da Diretoria de Infraestrutura Hídrica, uma iniciativa que representa uma mudança de paradigma na gestão. Através dela, realizamos o mapeamento inédito dos pontos de alagamento da cidade – até agora 245 pontos – e o levantamento de toda a rede de drenagem existente. Essa ação, incentivada por discussões da AEFI e do Crea-PR, tem sido essencial para reduzir danos ao pavimento e melhorar a qualidade da infraestrutura urbana. Também estão em andamento projetos estratégicos, como o estudo hidrológico da bacia da região de Foz, a proposta de bolsas de mestrado em parceria com instituições de ensino para aprofundar pesquisas sobre drenagem e infraestrutura, e o mapeamento de tráfego das vias arteriais. Essas ações combinam inovação técnica, integração acadêmica e planejamento urbano de longo prazo.

Entrevista com o Prefeito General Silva e Luna

Como o senhor avalia a importância da Secretaria de Obras para fortalecer a imagem de Foz do Iguaçu no turismo nacional e internacional?
A Secretaria de Obras é responsável por materializar as diretrizes do nosso governo. Cabe a ela assegurar ruas seguras, espaços públicos de qualidade e acessibilidade, que se tornam verdadeiros cartões de visita da cidade. Uma cidade turística não se sustenta apenas por suas belezas naturais, mas pela solidez da sua infraestrutura. Nesse sentido, a Secretaria de Obras atua de forma decisiva para que Foz do Iguaçu mantenha uma imagem organizada, segura e preparada para receber moradores e visitantes.

A cidade tem desafios particulares por receber milhões de turistas todos os anos. Como a gestão municipal tem articulado políticas para que a infraestrutura acompanhe esse fluxo sem deixar de atender bem os moradores?
Nossa gestão se apoia em integração e planejamento de longo prazo. Articulamos secretarias como Obras, Planejamento, Turismo e Meio Ambiente para que as políticas públicas tenham caráter complementar. Em 2025, conseguimos estruturar mais de 1 bilhão de reais em investimentos para infraestrutura, em cooperação com o governo estadual, o setor privado, conselhos e parlamentares. Esse esforço demonstra que Foz do Iguaçu trabalha de forma coordenada, garantindo que as obras tragam benefícios tanto para a população local quanto para os visitantes.

O senhor poderia citar uma obra ou projeto que simbolize essa integração entre cidade turística e cidade para seus cidadãos?
Um exemplo concreto são os corredores de mobilidade. A requalificação do passeio público, com calçadas acessíveis, paradas de transporte mais confortáveis, iluminação eficiente e paisagismo, traduz de forma clara o conceito de cidade que atende às necessidades do morador e, ao mesmo tempo, se mostra mais atrativa para o turista.

Na sua visão, quais diferenciais da atual gestão em obras ajudam a consolidar Foz como referência em turismo e qualidade de vida?
O diferencial da nossa gestão está na abordagem técnica e estratégica. Priorizamos obras estruturantes, capazes de resolver problemas de forma definitiva e gerar legado. A equipe da Secretaria de Obras é formada por profissionais altamente qualificados, e trabalhamos em parceria com entidades como a Associação dos Arquitetos, Agrônomos e Engenheiros de Foz do Iguaçu (AEFI) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). Essa integração assegura eficiência, qualidade e transparência em cada etapa, consolidando Foz do Iguaçu como referência em turismo e qualidade de vida.

 

A movimentação crescente de turistas em Foz do Iguaçu reforça ainda mais a necessidade de planejamento urbano e de obras públicas estruturantes. A engenharia, nesse contexto, assume papel central não apenas na execução de projetos, mas também na criação de soluções que impactam diretamente a experiência dos visitantes e a qualidade de vida da população local. Desde melhorias na mobilidade urbana até investimentos em acessibilidade e infraestrutura turística, cada ação planejada e executada pela Secretaria de Obras contribui para sustentar o fluxo crescente de visitantes.

Nesse cenário, o Crea-PR atua de forma decisiva ao fiscalizar a presença de responsáveis técnicos e Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) em cada empreendimento, fortalecendo a segurança das obras e a valorização da atuação profissional. A integração entre a gestão pública, o setor turístico e a engenharia é, portanto, um diferencial para que Foz do Iguaçu continue consolidando sua posição como um dos destinos mais procurados do Brasil e do mundo.

 


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