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Acesso em 02/11/2026 às 03h25.
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EPEC: o protagonismo do Crea-PR no debate sobre cidades inteligentes

13 de novembro de 2025, às 13h29 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

O conceito de Cidades Inteligentes (Smart Cities) está no centro do desenvolvimento urbano moderno e significa mais do que apenas a adoção de tecnologia. Trata-se de uma estratégia de gestão que visa otimizar serviços, elevar a qualidade de vida e garantir a sustentabilidade por meio da inovação e da participação cidadã.

O tema é muito importante para o Sistema Confea/Crea, pois a engenharia, a agronomia e as geociências são os pilares na concepção, planejamento e execução da infraestrutura e das soluções tecnológicas que definem esses espaços. A difusão do conceito consta no Planejamento Estratégico do Conselho.

O assunto foi destaque no dia 13 de novembro, segundo dia do 51º Encontro Paranaense de Entidades de Classe (EPEC). Um painel chamado: Protagonismo das Cidades Inteligentes do Paraná, reuniu especialistas para apresentar cases de sucesso e modelos de gestão orientados a futuro, com a mediação do engenheiro eletricista Wagner Pontes Godoy, conselheiro do Crea-PR.

Assaí: o exemplo de uma cidade de 15 mil habitantes

O caso da pequena cidade de Assaí, no Norte Pioneiro, foi apresentado pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do município, Igor Lima de Oliveira. O município, com apenas 15 mil habitantes, ganhou destaque internacional ao ser reconhecido como uma das sete comunidades mais inteligentes do mundo pelo Fórum Global de Comunidades Inteligentes (ICF), comprovando que o tamanho não limita o potencial de inovação.

O secretário iniciou sua fala desmistificando a visão utópica das Smart Cities, afirmando que o movimento em Assaí é focado em pessoas (Intelligent), e não apenas em dispositivos (Smart). O ponto de virada foi um dado do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) que projetava o encolhimento da população para oito mil pessoas até 2050, evidenciando uma ‘ausência de retenção’ e falta de futuro para os jovens. A resposta estratégica foi focar na educação e na metagovernança

Ele defende que a cidade “precisa, antes de mais nada, ter um líder. Porque ela tem que se orientar a pessoas. Ela precisa se orientar a resultados e não mais a serviço”.

O investimento em Assaí se concentrou na formação de talentos da primeira infância ao primeiro emprego, promovendo a equidade — onde “todos estão iguais dentro de uma sala de aula” — e o ensino disruptivo. Para evitar a fuga de cérebros (brain drain), o foco passou da empregabilidade para a workability, transformando Assaí em um ambiente promotor de talentos.

O modelo de gestão se baseia no chamado sistema GovSai, que permite a personalização do atendimento ao cidadão e integra informações sobre educação, saúde e desenvolvimento social. As políticas públicas também incluem ensino bilíngue, uso de tecnologias como drones e biodiesel, e programas de capacitação para diversas faixas etárias.

Curitiba: legado de um planejamento de décadas

Dando sequência ao painel, Norman Arruda Neto, diretor do Instituto iCities, compartilhou o caso de Curitiba, eleita a cidade mais inteligente do mundo em 2024.

Ele destacou que a conquista da capital “não é única e exclusivamente uma conquista política, mas uma conquista da sociedade e do ecossistema de Curitiba, construída ao longo de vários anos”.

O exemplo dado por ele como primeiro passo foi o trabalho iniciado em 1966 pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) e o plano diretor focado nas pessoas, citando a decisão de transformar a Rua XV de Novembro em calçadão, em 1971.

Ele ressaltou que a ideia de tirar o carro para colocar a pessoa na importante via de Curitiba foi fundamental para o planejamento urbano da cidade. Arruda Neto defendeu que a governança de uma cidade inteligente deve ser baseada em transparência, prestação de contas, participação da sociedade e sustentabilidade. A integração da pauta ESG (Ambiental, Social e Governança) também foi destacada, enaltecendo o compromisso do Crea-PR como signatário do Pacto Global.

Como exemplo prático da união entre inovação e sustentabilidade, Norman Arruda Neto apresentou a Pirâmide Solar do Caximba. Instalada sobre um aterro sanitário desativado, essa é a primeira usina de energia solar do tipo no Brasil, com 8.600 painéis que abastecem mais de 30 prédios públicos, transformando um passivo ambiental em um ativo energético.

Hipervisor Curitiba: inovação em gestão urbana

Finalizando as apresentações, o engenheiro civil Pietro Rodrigues Walt, analista de dados na área de Manutenção Urbana e Obras no Hipervisor. Ele explicou o funcionamento do Hipervisor Curitiba, ligado ao IPPUC, que atua como uma ponte de comunicação entre diversos setores. Trata-se de uma plataforma de compartilhamento de dados públicos munida de ferramentas capazes de coletar, processar e distribuir informações, possibilitando gerir serviços em tempo real e planejar políticas públicas.

O conceito do Hipervisor foi inspirado em um modelo francês que cruzava dados para checar o bem-estar de idosos, e seu objetivo é produzir informações de qualidade e confiança, combatendo o risco do drowning in numbers (afogamento em excesso de dados). Rodrigues explicou que a central recebe dados de fontes municipais (Geo Curitiba, 156) e externas (Waze, Google, Simepar) para gerar insights em dois modelos de análise.

O primeiro é a Análise Multidomínio, que permite investigar um problema sob várias óticas. Ele usou o exemplo de uma rua com alta recorrência de recapeamento, que, pela análise multidomínio, revelou ter a causa em uma mudança de rota de linha de ônibus ou um fomento industrial. “Acontece que essa análise multidomínio propicia várias óticas diferentes de um problema que, a princípio, seria analisado só por alguém responsável de forma pontual”, afirma. O segundo modelo é a Análise Progressiva, que visa não apenas entender o que está acontecendo, mas o que fazer para prevenir que o problema se repita.

O engenheiro apresentou o caso do cruzamento de alertas do Waze com dados da Simepar para identificar pontos críticos de alagamento, e o uso de inteligência artificial para mapear faixas de pedestres e cruzar informações com ocorrências de atropelamento. Ele destacou que o objetivo final é a criação do Digital Twin (Gêmeo Digital) da cidade.

“As secretarias não se conversavam e a gente está encarando o nosso papel assim: somos um braço das secretarias, nós não tomamos decisões, mas geramos insights,” concluiu Rodrigues, reforçando o papel essencial dos dados para a gestão urbana.

O Hipervisor Curitiba foi criado em 2024 e funciona no Palácio da Inovação, no bairro Cabral. A ferramenta inovadora foi criada para dar suporte ao planejamento da cidade de Curitiba.

Segundo divulgado pelo Prefeitura de Curitiba, o Hipervisor foi projetado pelo Ippuc em parceria com a Secretaria de Administração, Gestão de Pessoal e Tecnologia da Informação (Smap), Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


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