Eng. Enedina Alves Marques é homenageada no Carnaval de Curitiba e reforça legado na engenharia
11 de fevereiro de 2026, às 15h15 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

O enredo “Leoas brasileiras”, apresentado pela escola de samba Leões da Mocidade, de Curitiba, leva para a avenida neste Carnaval histórias de mulheres que marcaram o país em diferentes áreas. Entre as homenageadas está a Eng. Enedina Alves Marques, pioneira da engenharia e referência para gerações de profissionais.
A escolha de Enedina no enredo dialoga com o propósito da escola de destacar trajetórias femininas de coragem, protagonismo e transformação, alinhando cultura popular e história profissional.
Segundo o presidente da Leões da Mocidade, Wilson Savio Paulino, a construção do enredo partiu de um olhar atento às histórias de mulheres que deixaram legado e ainda inspiram novas gerações.
“A Enedina é pioneira. Uma mulher que acreditou ser possível ocupar um espaço que não era simples para a época. A engenharia é uma profissão de muita responsabilidade e representatividade, e ainda hoje não é um caminho fácil para as mulheres. Ela simboliza coragem e abertura de caminhos”, afirma Paulino.
Para ele, o Carnaval também cumpre um papel importante ao levar essas histórias ao grande público.
“O Carnaval coloca essas heroínas na vitrine. É um grande palco. Mas essa valorização precisa ser contínua. A Enedina representa que mulher deve estar onde ela quiser. Ela abre caminhos e representa muitas outras”, destaca.
Quem foi Enedina Alves Marques
Natural de Curitiba, Enedina Alves Marques entrou para a história ao se formar em Engenharia Civil em 1945 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tornando-se a primeira engenheira negra do Brasil e a primeira mulher a receber diploma de engenharia no Paraná.
Ao longo de sua carreira, atuou em obras de grande relevância no estado, como a implantação de sistemas de recursos hídricos e energéticos, e participou de projetos que marcaram a infraestrutura paranaense. Sua trajetória profissional se destacou tanto pela excelência técnica quanto pela determinação diante de obstáculos sociais e institucionais próprios de uma época em que o acesso à educação superior era restrito, especialmente para mulheres e pessoas negras.
Mais do que um feito individual, sua presença na engenharia abriu caminhos para outras mulheres na profissão e se consolidou como símbolo de perseverança e inspiração.
Um legado que o Crea-PR mantém vivo
No Crea-PR, o legado da Eng. Enedina é reconhecido permanentemente por meio do Prêmio Engenheira Enedina Alves Marques, iniciativa do Comitê Mulheres que valoriza as profissionais que se destacam em suas áreas de atuação e contribuem para o fortalecimento das Engenharias, Agronomia e Geociências.
Para a coordenadora do Comitê Mulheres do Crea-PR, Eng. Agr. Losani Perotti, essa homenagem no Carnaval amplia o alcance da memória da engenheira.
“Essa homenagem representa para o Comitê Mulheres do Crea-PR o reconhecimento público e popular de uma trajetória que marcou a história da engenharia. É uma homenagem que rompe muros, atravessa espaços e leva para a avenida uma história que por muito tempo foi invisibilizada. A trajetória da Engenheira Enedina é marcada por excelência técnica, por enfrentamento a barreiras sociais, raciais e de gênero. Quando o Carnaval, que é uma das maiores expressões culturais do nosso país, conta essa história, ele transforma memória em consciência coletiva. Celebrar Enedina no Carnaval é dizer que sua história importa, que sua trajetória abriu caminhos e que seguimos trabalhando para que nenhuma mulher precise ser exceção para ser reconhecida. Que essa homenagem ecoe além da avenida e continue impulsionando a valorização das mulheres na engenharia.”
Ao unir cultura e engenharia, o enredo da Leões da Mocidade reforça que o legado de Enedina Alves Marques ultrapassa gerações, inspirando profissionais e ampliando o debate sobre representatividade e valorização das mulheres nas áreas técnicas.
Imagens cedidas pela escola de samba Leões da Mocidade.
Consultas Públicas
Justa e merecida homenagem a Engenheira Enedina Alves Marques, patronesse da cadeira numero 14 da APE- Academia Paranaense de Engenharia, que tenho a honra de ocupar a cadeira como Acadêmica.
Maria Elisabete Yang