Crea-PR mobiliza profissionais voluntários para apoio técnico após granizo em Renascença
9 de setembro de 2026, às 10h17 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

Após a forte chuva de granizo que atingiu Renascença na noite de domingo (30 de agosto), o Crea-PR e a Sudenge mobilizaram profissionais voluntários para apoiar o município na avaliação dos danos e no controle da distribuição de materiais destinados à recuperação das residências atingidas.
O Crea-PR foi acionado pela Prefeitura de Renascença na quarta-feira (2), diante da dimensão dos estragos. Na ocasião, foi realizada uma reunião virtual com a participação da prefeita Fabieli Manfredi, da engenheira civil Tatiane Pezente e de representantes do Crea-PR. O município já havia identificado mais de 500 imóveis danificados, número que posteriormente ultrapassou 600, atingindo mais de 1.800 pessoas.
Apoio técnico para a distribuição de materiais
De acordo com o secretário de Administração e Planejamento de Renascença, Vanderson Zanini, a atuação dos profissionais foi necessária para auxiliar a equipe técnica reduzida do município e garantir maior controle na destinação dos materiais.
“Foi feita uma parceria com o Crea-PR, em que os profissionais entraram com mão de obra de engenharia para ajudar na elaboração dos laudos e na medição da quantidade de cobertura necessária para cada casa afetada”, explica Zanini.
A atuação em campo começou na sexta-feira (4), com a mobilização de equipes técnicas formadas por profissionais voluntários, engenheiros da Prefeitura e demais integrantes envolvidos na operação. A Defesa Civil disponibilizou telhas de fibrocimento, enquanto a Prefeitura adquiriu folhas de aluzinco com recursos próprios.
A engenheira civil Tatiane Pezente, que coordenou os trabalhos pela Sudenge e pelo Ibape-PR, explica que os voluntários acompanharam as equipes responsáveis pela entrega dos materiais, realizando a avaliação das residências e a quantificação das telhas necessárias para cada imóvel.
“Mobilizamos os voluntários e chegamos a trabalhar com dez equipes em um dos dias. Os técnicos da Prefeitura, engenheiros e voluntários atuaram juntos para acompanhar as equipes de entrega”, relata.
Segundo Tatiane, os profissionais faziam a avaliação visual das residências e verificavam as condições das coberturas. Como o evento foi provocado principalmente pelo impacto do granizo, os danos estavam concentrados em telhados e forros.
“Fazíamos a avaliação da cobertura, levantávamos a quantidade necessária e indicávamos quantas telhas deveriam ser destinadas para cada residência”, afirma.
230 laudos produzidos pelos voluntários
Para organizar a atuação, o Crea-PR utilizou um modelo de laudo técnico adaptado de uma operação anterior realizada em Rio Bonito do Iguaçu. Os documentos registraram a avaliação de cada imóvel, a quantidade de material destinada e as informações necessárias para o controle da distribuição.
Nos dois dias e meio de atuação em campo, os profissionais voluntários produziram 230 laudos técnicos. A mobilização contou com engenheiros de diferentes municípios e entidades da região Sudoeste, incluindo a Sudenge e a Associação Regional dos Engenheiros e Arquitetos de Pato Branco (AREA-PB).
O gerente da Regional Pato Branco do Crea-PR, eng. civ. Diogo Colella, destaca que a mobilização foi organizada a partir do chamado da Prefeitura e buscou dar uma resposta técnica à situação enfrentada pelas famílias.
“O objetivo foi garantir que, antes da previsão de novas chuvas, as residências já tivessem recebido os materiais disponíveis para a cobertura. Dessa forma, as famílias puderam começar a retomar suas rotinas”, afirma Colella.
Durante a operação, a Regional Pato Branco do Crea-PR também transferiu provisoriamente suas atividades para Renascença, permitindo o acompanhamento direto das demandas. A ação contou ainda com a participação dos fiscais Juliano e Rodrigo Zimmermann, que permaneceram em campo durante o fim de semana.
Mobilização de profissionais
A mobilização dos voluntários foi feita principalmente por meio das associações de profissionais da região Sudoeste do Paraná. Segundo Tatiane, a proximidade dos municípios contribuiu para agilizar o deslocamento das equipes.
“A mobilização precisa ser muito rápida, porque esses eventos acontecem de um dia para o outro. Contamos com as associações regionais, grupos de WhatsApp e com os próprios profissionais compartilhando o chamado entre si”, explica.
A engenheira destaca que parte dos profissionais que atuaram em Renascença já havia participado das ações voluntárias realizadas anteriormente em Rio Bonito do Iguaçu.
Trabalho continua após a atuação em campo
Para Tatiane, a atuação dos voluntários também exigiu atenção ao impacto emocional provocado pelo contato direto com as famílias atingidas.
“A gente chega às residências e encontra pessoas que perderam muita coisa. É uma vida inteira ali. Elas contam como tudo aconteceu e é uma situação muito delicada, porque é algo que ninguém consegue controlar”, relata.
Além do impacto emocional, o trabalho dos profissionais continua após o encerramento das atividades de campo. Os voluntários precisam concluir a documentação, digitalizar os laudos, anexar os registros fotográficos e emitir as respectivas Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs).
“O trabalho não termina quando acaba a operação de campo. Depois ainda temos uma etapa grande de escritório: digitalizar os laudos, anexar as fotos, fazer os documentos e emitir as ARTs de cada responsável técnico”, explica.
Segundo ela, esse processo é necessário para formalizar tecnicamente cada atendimento realizado e concluir a participação dos profissionais na ação.
Atuação em parceria
A experiência em Renascença reforça a importância da mobilização de profissionais voluntários em situações de emergência. Para o Crea-PR, a atuação ocorre a partir da solicitação dos municípios e dentro das condições estabelecidas nos instrumentos de parceria, com controle técnico e administrativo das atividades desenvolvidas.
“O Crea-PR permanece atento a eventos dessa natureza e segue aprimorando sua capacidade de mobilização em parceria com as entidades de classe. É uma atuação que vai além da fiscalização e busca contribuir, por meio das Engenharias, da Agronomia e das Geociências, para a recuperação da população atingida”, afirma Diogo Colella.





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