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Acesso em 07/03/2021 às 18h03.

Engenheiro Eletricista da UTFPR coordena projeto de capa esterilizadora para profissionais de saúde

O protótipo que garante esterilização contra o Coronavírus está em fase final de confecção e será disponibilizado inicialmente para a Polícia Científica do Paraná (IML e Perícia Criminal)

22 de abril de 2020, às 16h45 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Ilustração - Diário do Sudoeste.

A Engenharia é parte fundamental no desenvolvimento de tecnologias de combate ao Coronavírus. Incentivar e investir na pesquisa são demandas que se mostraram mais que necessárias neste período de pandemia. Por isso, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) valoriza profissionais engajados na causa.

É o caso do Engenheiro Eletricista, Meste, Doutor e Pós-Doutor em Engenharia Biomédica e Docente do Departamento de Eletrônica e Mestrado de Engenharia Biomédica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Rubens Alexandre de Faria. Ele coordena uma equipe, composta por quase 20 profissionais entre biólogos, químicos, físicos, engenheiros e designers, que trabalham no desenvolvimento de uma capa capaz de esterilizar o profissional de saúde e suas roupas contaminadas pela Covid-19. O projeto foi contemplado por meio de um edital da UTFPR no valor de R$ 30 mil e começou em março, assim que os primeiros casos da doença surgiram no Brasil. Micro e pequenos empresários do setor privado também apoiam a pesquisa.

“A ideia surgiu a partir de uma necessidade pessoal e coletiva. Eu tenho uma imunodeficiência pulmonar que me deixa vulnerável. Todos os anos tenho pneumonia. Quando vi as notícias sobre a pandemia no Brasil, logo pensei que teria grande chance de contrair o vírus e possibilidade de morte. A partir daí, pedi o afastamento de aulas pela UTFPR e comecei a trabalhar de casa, em aulas remotas e no desenvolvimento de uma capa esterilizadora para ajudar profissionais que estão na linha de frente do combate ao Coronavírus”, conta Faria.

Com várias pesquisas envolvendo ozônio, ultravioleta e sistemas eletrônicos no currículo, o docente lançou mão deste conhecimento para desenvolver o equipamento com sua equipe multidisciplinar. Trata-se de um traje com uma câmara de desinfecção remota, baseada em ultravioleta e gás ozônio. O sistema é bactericida e virucida e age na capa de RNA do vírus, destruindo-o. Esses processos têm uma eficácia germicida, podendo ser utilizados na desinfecção e assepsia de superfícies e ambientes, mesmo após a pandemia, economizando insumos químicos, já que são produzidos por meio de efeitos físicos.

“Eu compus uma ideia de capa e, logo em seguida, reuni esses profissionais para trabalharmos na construção do protótipo. A equipe com designer e especialistas em confecção foram essenciais. A capa protótipo é feita de TNT de alta gramatura, porém o traje definitivo é confeccionado em poliéster siliconado especial, um tecido que não é atacado pelo gás ozônio, altamente oxidante”, explica. O ozônio é um gás tóxico para a vida humana, no que diz respeito às vias respiratórias, mas o Engenheiro Eletricista explica que a concentração usada na descarga é controlada. Mesmo assim, a capa possui uma gola que tem a função de reter o ozônio abaixo das vias aéreas. “Essa semana, vamos fazer a prova de conceito para ter certeza de que o gás ozônio é eficiente na esterilização e que o traje não permite vazamentos”. Depois de pronto, o protótipo vai passar por protocolos de segurança, visando aprovação da Anvisa.

O equipamento funciona da seguinte maneira: o profissional veste a capa, fecha-a até o pescoço e, em seguida, liga o sistema de geração portátil de ozônio combinado com ultravioleta que dura três minutos. Após o processo, o profissional libera a capa e sai com o corpo e vestes desinfectados. A assepsia do pescoço até a cabeça é executada por meios alternativos (álcool gel, água e sabão).

De acordo com o professor, o equipamento tem alta durabilidade. “É uma capa que dura muitos meses, caso seja devidamente cuidada. O ciclo de vida vai depender da forma de uso dos profissionais. É claro que está sujeita a desgaste”, afirma. O sistema de geração de ozônio pode permitir o uso simultaneamente de até três capas.

Há planos para a evolução do projeto, que consistem na implementação de uma cabine tipo cápsula, onde não haverá mais necessidade de vestir uma capa até o pescoço. “Será extremamente útil aos médicos e outros profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao Coronavírus. Haverá uma cabine, onde o profissional entra, fecha a porta, coloca uma máscara de ar para impedir a respiração do ozônio e contato com os olhos. Em seguida, aperta um botão para a descarga de gás ozônio por 60 segundos. Após este processo, sai totalmente desinfectado, pele, cabelo e vestes.” As cabines poderão ser individuais ou coletivas.

Agora, a equipe procura por parcerias para doações de materiais para confecção de mais capas e implementação de cabines de desinfecção.  Em princípio, o equipamento será disponibilizado para a Polícia Científica do Paraná (Instituto Médico Legal e Perícia Criminal) devido a estes profissionais estarem muito expostos diretamente com as vítimas fatais, e para algum hospital de São Paulo ou Rio de Janeiro, estados com grande número de casos confirmados da Covid-19, ou órgãos com demasiada exposição ao Coronavírus. A previsão de conclusão de confecção da capa é de 15 dias. “Tivemos dificuldades por conta da logística de insumos importados”, comenta Faria. Segundo ele, o projeto tem código aberto. “Não queremos que as pessoas aproveitem-se de forma comercial. A capa e as cápsulas são para disponibilização de toda a sociedade e para que se usufrua disso sem ter que pagar por direitos”, conclui.

 

Samara Rosenberger

Assessora de Imprensa do Crea-PR / Regional Londrina


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