Marca do Crea-PR para impressão
Disponível em <https://www.crea-pr.org.br/ws/arquivos/35568>.
Acesso em 16/04/2021 às 17h23.

Engenharia tem papel fundamental no desenvolvimento sustentável das cidades

Engenheiros sanam demandas em diversas áreas como infraestrutura e energia. Avanços são comemorados neste Dia Mundial da Engenharia para o Desenvolvimento Sustentável

4 de março de 2021, às 14h26 - Tempo de leitura aproximado: 7 minutos

O mundo mudou e muda todos os dias, mas a Engenharia continua sendo engrenagem para muitas dessas mudanças. Isso porque os profissionais da área são versáteis e lidam muito bem com as questões cotidianas no campo das Engenharias, Agronomia e Geociências. Eles criam soluções e resolvem problemas básicos de vários segmentos: infraestrutura, transportes, saneamento, meio ambiente, água, energia, combustível, entre outros. São muitos avanços para serem comemorados no Dia Mundial da Engenharia para o Desenvolvimento Sustentável, celebrado neste 04 de março. Neste sentido, os profissionais de Engenharia são vistos como capazes de lidar com os impactos das alterações climáticas, com questões ambientais emblemáticas de diferentes naturezas e com os desafios de crescimento sustentável e tecnológico das cidades.

Entre os temas importantes de desenvolvimento sustentável dos municípios está a energia limpa – eletricidade gerada a partir de fontes renováveis sem a emissão de poluentes ou impactos ao meio ambiente. No Brasil, os principais tipos de geração dessa energia são a solar e a eólica. Na região Noroeste do Paraná, por exemplo, devido à alta incidência solar, o número de instalações de sistemas fotovoltaicos é crescente. A região de Paranavaí lidera o número de serviços realizados na área em 2020, somando 329 registros, segundo levantamento do Crea-PR. Nas microrregiões de Maringá foram 322 e em Cianorte 184 registros, ocupando o segundo e terceiro lugares do ranking, respectivamente. A região de Campo Mourão está na quarta colocação com 92 registros de instalação de sistemas fotovoltaicos e a de Umuarama, com 77, na quinta. No ano passado, foram emitidas nas cinco microrregiões do Noroeste um total de 1.004 Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) de serviços fotovoltaicos.

Sobre a instalação de placas solares, o Crea-PR reforça a necessidade de fazer a instalação segura e a importância do laudo de suportabilidade da estrutura emitido por engenheiros mecânicos e civis. O engenheiro civil Hélio Xavier da Silva Filho, gerente da Regional Maringá, diz que o acompanhamento de um profissional técnico habilitado garante o sucesso do projeto e minimiza problemas futuros aos clientes, uma vez que os sistemas fotovoltaicos podem causar sobrecarga nos telhados. “A análise estrutural é necessária em qualquer instalação fotovoltaica, seja em telhados residenciais, comerciais ou coberturas. É uma segurança para a população”, destaca.

O tratamento de efluentes e o correto descarte de resíduos industriais são outros assuntos atuais em destaque na área de sustentabilidade. As indústrias, inclusive, devem seguir legislações ambientais vigentes e instalar, se possível, uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). Em 2020, ainda na região Noroeste do Paraná, foram emitidas 7.004 ARTs de serviços nestas áreas. As obras e serviços realizados foram de instalação de sistema de esgoto sanitário, ligações individuais da rede de esgoto e ligações de sistema de esgoto de resíduos sólidos e líquidos. As emissões foram nas regiões de Maringá (3.137), Umuarama (1.397), Campo Mourão (887), Paranavaí (836) e Cianorte (767).

Fiscalizações relacionadas ao desenvolvimento sustentável urbano e rural

A Regional Guarapuava do Crea-PR, composta por 40 municípios, organizados em quatro Inspetorias – Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul e União da Vitória – fez um levantamento das fiscalizações relacionadas ao desenvolvimento sustentável urbano e rural no último ano. Nesta coleta de dados, a Regional identificou 411 fiscalizações realizadas em 2020, consideradas pelo Conselho como reforçadoras de infraestruturas e modelos cada vez mais sustentáveis, no campo e na cidade.

Estas fiscalizações estão divididas em 16 modalidades, sendo duas delas predominantes: instalação de sistema de esgoto sanitário (47%) e sistema de água potável (32%). Confira a tabela completa abaixo:

FISCALIZAÇÃO QUANTIDADE
Instalação de sistema de esgoto sanitário 196
Sistema de água potável 134
Controle de pragas e vetores 17
Estudos ambientais 12
Monitoramento ambiental 10
Microgeração distribuída 8
Controle ambiental controle ambiental de solo 7
Sistema de esgoto/resíduos sólidos aterro sanitário 6
Sistema de geração de energia solar 4
Coleta de resíduos sólidos industriais 4
Sistema de esgoto/resíduos sólidos plano de gerenciamento de resíduos 4
Sistema de esgoto/resíduos sólidos disposição final de resíduos sólidos 3
Controle de qualidade ambiental 3
Sistema de esgoto/resíduos sólidos incineração de resíduos sólidos de serviços de saúde 2
Controle ambiental controle de poluição ambiental 1
Fonte: Departamento de Fiscalização (Defis) Crea-PR

Para a conselheira do Crea-PR, engenheira ambiental Lisandra Kaminski, as fiscalizações têm papel fundamental na proteção do meio ambiente, na saúde e qualidade de vida da população, já que visam contribuir com a realização de projetos e obras que atendam a critérios técnicos e que profissionais devidamente habilitados estejam coordenando e executando tais atividades.

“Aterros sanitários, sistemas de coleta e tratamento de esgotos, tratamento de água para distribuição, coleta de resíduos, entre outras, são exemplos de atividades objetos das fiscalizações realizadas que estão diretamente relacionadas com as atividades urbanas e rurais e que, se conduzidas de forma inadequada, podem trazer sérios problemas de contaminação ambiental e de saúde pública”, avalia a Conselheira.

Buscando pensar soluções para as cidades, o Crea-PR desenvolveu mais de 40 Cadernos Técnicos. Todos estão disponíveis no site: agendaparlamentar.crea-pr.org.br.

Modalidade Ambiental cresceu em 300% no número de profissionais na Regional Apucarana

Com a preocupação com o futuro do planeta e alguns mecanismos de controle implantados pelos governos com o intuito de gerir com mais responsabilidade os recursos naturais, o número de profissionais habilitados nesta área vem crescendo significativamente. Somente na Regional do Crea-PR em Apucarana, nos últimos dez anos, houve um crescimento de 300% no número de engenheiros ambientais.

Para o gerente da Regional, engenheiro civil Jeferson Antonio Ubiali, este aumento dos profissionais habilitados e especializados na área ambiental significa uma constante preocupação por parte de toda a sociedade, “seja pelo poder público, ditando regras de controle e gestão ambiental, seja por parte dos próprios geradores do impacto ambiental por saberem que os recursos naturais são escassos, nem sempre renováveis e que no futuro outras pessoas dependerão deles”, pontua. “A contratação desse profissional garante um desenvolvimento legal e ambientalmente sustentável, o que tem aumentado a procura por essa especialização”, completa.

Entre as modalidades da Engenharia, a Ambiental é a responsável pela administração, gestão e ordenamento ambientais e ao monitoramento e mitigação de impactos ambientais, seus serviços afins e correlatos, segundo a Resolução n.º 447 do Confea, de 22 de setembro de 2000.

“Acredito que o mercado de trabalho começou a entender melhor a atuação do profissional da Engenharia Ambiental, abrindo assim mais oportunidades. Quando se aplicam as técnicas e métodos de Engenharia corretamente, é possível conseguir uma ótima redução de custos de produção e de processos, protegendo, inclusive, o meio ambiente, tornando a empresa muito mais competitiva no mercado”, analisa o engenheiro ambiental Alisson Moura Cortez, ex-inspetor do Crea-PR e especialista em Gestão Ambiental do setor industrial.

O presidente da Associação dos Engenheiros do Vale do Ivaí (Asseavi), engenheiro ambiental Alcides Pascoal Junior, especialista em gerenciamento e auditoria ambiental, ressalta a importância de se ter uma estratégia ampla na solução de problemas ambientais. “Eu vejo que a atuação do engenheiro ambiental é multidisciplinar, podendo contar com o auxílio de diversos outros profissionais”, explica.

Dentro da Engenharia Ambiental, os profissionais apontam algumas áreas em que há mais potencial de atuação na região: licenciamentos ambientais, gestão pública (com as diversas problemáticas para municípios, como aterros sanitários, por exemplo) e Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – que abrangem quase que a totalidade das empresas, sejam indústria, comércio ou prestação de serviços.

Data comemorativa

Em todo o mundo, o Dia Mundial da Engenharia para o Desenvolvimento Sustentável começou a ser comemorado em 2020, após publicação de uma resolução da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A data constituiu-se como hino global aos Engenheiros e à Engenharia, e marca a criação da World Federation of Engineering Organizations (Federação Mundial das Organizações de Engenharia – WFEO) – entidade criada em Paris há 51 anos que representa mais de 30 milhões de engenheiros de 100 países. A ideia também é destacar mundialmente os trabalhos dos profissionais, além de criar a percepção pública de que a Engenharia e a tecnologia são essenciais no desenvolvimento sustentável das cidades e na melhor qualidade de vida das pessoas.

Na prática, o Dia Mundial da Engenharia para o Desenvolvimento Sustentável alinha a Engenharia aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), que garantem acesso a serviços básicos como água potável, saneamento, energia e outras necessidades humanas.


Comentários

  1. Marco Antonio Ferreira Finocchio disse:

    Brilhante reportagem simples e direta.
    Muito feliz a abordagem do autor. Parabéns.

    1. Comunicação Crea-PR disse:

      Obrigado Marco! Ficamos felizes em saber de sua satisfação 🙂

Deixe um comentário

Comentários com palavras de baixo calão ou que difamem a imagem do Conselho não serão aceitos.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *