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Acesso em 01/11/2026 às 11h31.
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Análise de dados complexos e soluções tecnológicas inovadoras colocam Engenharias em nova lista de profissões do futuro

Crea-PR e ABRH-PR destacam que profissionais deverão reunir habilidades interpessoais e pensamento inovador nas carreiras

3 de fevereiro de 2022, às 18h31 - Tempo de leitura aproximado: 6 minutos

No início de dezembro, na Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Shanghai (CHI), o bilionário Elon Musk, que está à frente da Tesla e SpaceX e foi um dos fundadores do PayPal (serviço de transferência de dinheiro), declarou que as Inteligências Artificiais (IAs) terão impacto em alguns trabalhos, tornando-os pouco necessários. Para Musk, reconhecido por iniciativas visionárias, a sociedade valorizará a interação humana e os trabalhos do futuro estarão ligados às pessoas e às Engenharias. 

Algumas áreas das Engenharias também constam na lista “Empregos em Alta 2022” (https://bit.ly/3rXTFbh) do LinkedIn, levantamento anual divulgado em 18 de janeiro, com 25 cargos com demanda em ascensão no Brasil nos últimos cinco anos e as tendências que definem o futuro do mundo do trabalho.

As características e habilidades já são alvo de atenção do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) e da ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná). O fator humano é, e continuará sendo, fundamental para os representantes da autarquia e da entidade.

“O Crea trabalha com a fiscalização das profissões relacionadas com as Engenharias, Agronomia e Geociências. Mas, para fiscalizar, é preciso entender o contexto, ser mais abrangente e saber de que forma os profissionais estão atuando”, analisa o engenheiro civil Ricardo Rocha, presidente do Crea-PR.

As profissões ligadas à economia verde e à matriz energética estarão em alta, com oportunidades para engenheiros e geógrafos, por exemplo. A gestão de recursos humanos também será mais valorizada. 

“Softwares já estão automatizando muitas funções relacionadas às profissões afetas ao Crea. Mas, continua havendo a necessidade de profissionais supervisionando os processos, pensando e criando as regulamentações e acompanhando a implantação nas novas tecnologias. A criatividade e a inovação são inerentes ao ser humano e continuarão sendo muito valorizadas nas carreiras associadas às Engenharias, Agronomia e Geociências”, pondera Ricardo Rocha.

Mudanças aceleradas

O impacto da tecnologia nas carreiras tem sido discutido na ABRH-PR, assim como estratégias de gestão e as relações profissionais. “Desde 2018, já estávamos alinhados com as novas demandas do mercado de trabalho, procurando concentrar as discussões sobre a possibilidade dos robôs, softwares e IA. Entretanto [na pandemia], aquelas organizações que mantiveram o foco no ser humano, se adaptaram rapidamente ao novo modelo e elevaram inclusive os níveis de produtividade”, analisa Gilmar Silva de Andrade, presidente da ABRH-PR.

Nova formação

Para a regional de Cascavel 

O futuro dos profissionais passa pelos cursos de graduação. O Crea-PR conta, em sua governança cooperativa, com o Colégio de Instituições de Ensino (CIE). O Colégio reúne inspetores e conselheiros, representantes de Entidades de Classe, Instituições de Ensino (IEs), profissionais, empresas e órgãos públicos. A coordenadora do CIE Regional Cascavel, Engenheira Civil Débora Felten, entende que, cada vez mais, o ensino das Engenharias está se aproximando das demandas do mercado e, com isso há uma comprovada melhoria na conexão entre academia e sociedade.

“Cada vez mais, o Crea-PR vem buscando parceria com Instituições de Ensino. Nos preocupamos com aqueles que estão na academia se preparando para atuar e, para isso, promovemos debates sobre grades curriculares e novas metodologias de ensino com um propósito: preparar profissionais que tenham ética, competência e sejam comprometidos com as suas habilitações profissionais, tendo responsabilidade sobre suas escolhas”, detalha Débora.

Para a regional de Curitiba 

O futuro dos profissionais passa pelos cursos de graduação. O Crea-PR conta, em sua governança cooperativa, com o Colégio de Instituições de Ensino (CIE). O Colégio reúne inspetores e conselheiros, representantes de Entidades de Classe, Instituições de Ensino, profissionais, empresas e órgãos públicos. O coordenador estadual do CIE, o engenheiro agrônomo José Abramo Marchese, professor da UTFPR Campus Pato Branco, detalha a preocupação com a melhoria dos processos de formação profissional e com o ensino das Engenharias em função do mercado. 

O CIE tem buscado apoiar as instituições de ensino na implantação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais da Engenharia, em áreas como extensão, EAD e residências técnicas. “Mais do que mudanças nas grades curriculares, o que se propõe é uma correção de rumo para atender às demandas futuras por mais e melhores engenheiros, com conceitos atuais como a formação baseada por competências, o foco na prática, a aprendizagem ativa e uma maior flexibilidade na constituição do currículo”, lista Abramo.

“Todas as instituições de ensino superior do Brasil estão em transformação com as novas Diretrizes Curriculares das Engenharias, que estão pautadas no desenvolvimento das habilidades e competências dos futuros engenheiros. Esse aspecto favorece sua aptidão de superar desafios – alguns deles, inusitados como a pandemia da Covid-19 – e também aumenta sua capacidade de responder às necessidades das indústrias e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Outro aspecto importante é a fase de transformação digital que envolve as empresas e também as instituições de ensino. Por isso, a tecnologia de informação e comunicação (TIC) deve estar presente durante todo o período de formação para suportar o alto volume de informações e se alinhar com as realidades da demanda empresarial. Desta forma, o aprendizado se tornará efetivo e passará do desing thinking para o design doing”, avalia Flavio Numata, coordenador do CIE Curitiba. 

Para a regional de Maringá 

Além do debate nas reuniões estaduais do CIE, os coordenadores regionais tratam de ampliar o debate em reuniões com os coordenadores dos cursos locais vinculados ao Crea-PR. 

O engenheiro de Controle e Automação Fábio Gentilin, coordenador do Colégio de Instituições de Ensino (CIE) na Regional Maringá, ainda complementa que uma das principais ações do CIE é a de aproximar a IES do conselho profissional. “Essa aproximação é no sentido de acolher os profissionais que são inseridos no mercado de trabalho, munindo-os de informações sobre a atuação do Crea em todas as suas dimensões, como uma entidade que apoia e valoriza as boas práticas no campo da Engenharia”, finaliza.

Para a regional de Ponta Grossa

Para a coordenadora do CIE regional Ponta Grossa do Crea-PR, Engenheira Civil Margolaine Giacchini, que também atua como professora, o momento atual é de transformação na educação superior, sendo que as novas tecnologias auxiliam os docentes na formação de profissionais das Engenharias que atendam às necessidades da sociedade contemporânea.  “A educação deve ter seu olhar voltado para o futuro a fim de inspirar profissionais a serem criativos e inovadores para construir um mundo melhor para todos”, considera. 

Profissões impactadas

A pandemia de Covid-19 acelerou o processo de transformação digital de empresas e indústrias. O que estava previsto para acontecer em cinco anos acabou ocorrendo em meses. O presidente da ABRH-PR comenta que as profissões mais impactadas foram aquelas que, na estrutura curricular de formação, têm pouca relação com a tecnologia e o raciocínio lógico. 

As Engenharias, Agronomia e Geociências, pelas pesquisas divulgadas e monitoradas pela ABRH-PR, foram mais demandadas no período da pandemia, em razão do perfil dos profissionais e a habilidade para resolução de problemas. 

“Se você é líder, faça a sua gestão do trabalho centrada nas pessoas, procurando estabelecer conexões que façam sentido com o propósito de transformar as organizações e, por sua vez, o mundo do trabalho”, aconselha o presidente da ABRH-PR.

Sobre o Crea-PR

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná, criado no ano de 1934, é uma autarquia responsável pela regulamentação e fiscalização dos profissionais das áreas das engenharias, agronomias e geociências. Além de regulamentar e fiscalizar, o Crea-PR também promove ações de orientação e valorização profissional por meio de termos de fomentos disponibilizados via Editais de Chamamento.


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