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Acesso em 26/02/2024 às 17h44.

Último dia do 30° Fórum de Docentes e Discentes é marcado pelo compartilhamento de ideias e estreitamento de laços entre Instituições de Ensino e Crea-PR

Aprendizados sobre as Novas Diretrizes da Engenharia, Metodologias Ativas e Ações de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Estado fecharam com sucesso o último dia do 30° Fórum de Docentes e Discentes do Crea-PR

31 de agosto de 2023, às 12h28 - Tempo de leitura aproximado: 9 minutos

A abertura do terceiro e último dia do 30° Fórum de Docentes e Discentes foi feita pelo Presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha, que deu boas-vindas ao público e analisou brevemente os dois últimos dias: “o Fórum já foi muito bem sucedido, mergulhamos em debates, compartilhamos ideias e fortalecemos laços que enriquecem nossos trajetos pessoais e profissionais.” 

O Presidente do Conselho aproveitou para apresentar ao público a última edição da Revista do Crea-PR, que fala justamente da parceria entre Conselho e Universidades, e foi lançada no evento. 

 

Atuais DCNs para Engenharia – Desafios e Oportunidades 

A palestra que abriu os trabalhos do terceiro dia do Fórum foi proferida pela Profª. Adriana Maria Tonini. Adriana possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais, Mestrado em Tecnologia pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais e Doutorado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais. É Presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia- ABENGE e Assessora da Presidência da CAPES. Tem experiência na área de Ensino, Pesquisa, Extensão e Gestão, atuando principalmente nas áreas de Formação Profissional e Tecnológica, Educação a Distância, Formação de Professores, Educação em Engenharia, Divulgação Científica, STEM, Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação.

Ela começou contextualizando o público sobre a inserção das Engenharias no séc XXI, marcado por uma série de mudanças, como o mercado globalizado, e pelo dinamismo. Para Tonini, a formação do Engenheiro – falando tanto do mercado interno quanto do mercado internacional – também precisa se alinhar a esse horizonte. Isso, porém, não dispensaria a necessária base sólida da profissão – em sua formação – e outras competências exigidas pelo mercado. Segundo a Profª., “o Engenheiro tem um papel importante no enfrentamento dos desafios mundiais, como população, escassez de água, mobilidade urbana etc.”.

Falando dessas competências, entrou no tema das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). O Ministério da Educação (MEC) publicou, em 2019, novas Diretrizes Curriculares para os cursos de graduação em Engenharia. A revisão do texto busca exatamente expandir a capacitação dos Engenheiros, em alinhamento com as mudanças mundiais. Em comparação com a versão anterior, de 2002, elas trazem conceitos atuais como a formação baseada por competências, o foco na prática, a aprendizagem ativa e uma maior flexibilidade na constituição do currículo.

Entre as habilidades e competências esperadas estão visão holística, atuação inovadora e empreendedora, além da criatividade na hora de resolver problemas da área. A ideia é que as instituições de ensino superior (IES) formem profissionais mais completos, que os futuros engenheiros sejam dotados tanto de capacidades técnicas quanto de aptidões humanísticas: “As competências nada mais são do que a metodologia que se desenvolve para formar o indivíduo. E não pode-se formar o indivíduo sem antes definir as competências necessárias para tal”, segundo a Engenheira.

 

Metodologias Ativas

As professoras Deyse Mendes, Mestre em Administração e Bacharel em Engenharia Mecânica pela UFPR, e Fernanda Fonseca, Mestre em Educação em Ciências e em Matemática e Doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Paraná, abordaram o impacto das Metodologias Ativas na educação. “As Metodologias Ativas vêm como uma forma de colocar o aluno como centro do processo de aprendizagem, e não mais o professor. Ele, aluno, passa a ser o ator no processo de ensino. A ideia é desenvolver no discente um espírito crítico e questionador e que ele saiba ouvir e argumentar. O papel do professor é atuar no desenvolvimento de propostas”, diz Fernanda. A professora citou algumas estratégias de metodologia ativas como Sala Invertida, Estudo de Caso, Gameficação, Educação Maker, PBL e Problematização e Design Thinking. “É o uso conjunto das metodologias que trabalhará as habilidades dos nossos egressos”, enfatizou.

Na abordagem sobre o uso do ChatGPT na educação, as professoras relembraram que passamos por situação semelhante quando começaram a surgir os sites de busca. “O ChatGPT é um Google mais aprimorado. Ele não é um vilão, e sim, mais uma ferramenta para nos auxiliar. Ele pode ser usado como um recurso para trabalhar a problematização com os alunos”, disseram, acrescentando que as referências apresentadas pelo ChatGPTnão existem e é neste momento que o professor consegue identificar se o trabalho foi realmente feito pelo aluno. “Problemas de cálculo, por exemplo, o Chat resolve mas as vezes ele erra, é preciso ter o conhecimento para verificar se está certo ou não. Então não vemos como uma ferramenta que vem para atrapalhar o ensino, pelo contrário”. 

No que diz respeito às estratégias inovadoras na educomunicação, as docentes destacaram a importância de usá-las para deixar o ensino menos maçante e com mais sentido. “Por que não o aluno fazer um podcast a partir de conversas com colegas e professores? Por que não um engenheiro blogueiro?”, questionou Deise.

Quando questionadas sobre o impacto mais significativo das metodologias ativas no processo de aprendizagem, ressaltaram a possibilidade de o aluno ter uma visão mais holística e mais ampla das coisas, para que possa buscar soluções de forma mais rápida, característica procurada pelos empregadores no mercado. Sobre os desafios de implementar metodologias ativas em locais tradicionais, enfatizaram que o problema não é tanto do educador, mas do aluno que tem resistência e quer receber o conteúdo de forma passiva. “Os próprios alunos diminuem a proposta das novas metodologias falando: ‘vamos para a aula do filminho, do joguinho’”.

As professoras finalizaram dizendo que os alunos ainda se preocupam com a nota e acham que essa é a melhor medição do conhecimento. “Temos muito o que caminhar no que diz respeito a como medir a evolução das competências e habilidades dos discentes”.

 

Ações de Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Paraná

Marcos Pelegrina participou do Fórum representando a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Governo do Estado do Paraná (SETI), da qual é atualmente Diretor. Ele é Bacharel em Geografia pela Universidade Federal do Paraná, Mestre e Doutor em Engenharia Civil área de concentração Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial pela Universidade Federal de Santa Catarina e Pós-Doutorado em Geografia pela Universidade Nova de Lisboa. É Membro do Comitê Executivo do Ecossistema Vale do Genoma e Conselheiro do IBMP.

Pelegrina explanou sobre as diversas ações do estado em prol da ciência e tecnologia. De acordo com ele, o Paraná é o estado que mais investe, proporcionalmente, na área, no Brasil.

Contextualizando o público, contou sobre os desafios vividos desde 2019 para desenvolver a área no Paraná, desafios que, ficou claro, foram aceitos. Criaram e regulamentaram leis e estão trabalhando na política de Ciência, Tecnologia e Inovação. O Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação e o Pacto pela Inovação são exemplos disso e ferramentas fundamentais para motivar a inovação no estado, segundo ele. 

Marcos contou um pouco da experiência dos polos tecnológicos em todas as regiões e a integração entre as universidades, setor produtivo e Governo do Estado: “uma estratégia única no país e que tem dado muitos resultados”, segundo ele.  A iniciativa funciona em sinergia para resolver as dores dos municípios, por meio do sistema robusto de pesquisa das Universidades que, por sua vez, amplia sua produção científica: “governança e meio científico juntos para proporcionar o desenvolvimento do estado”.

Outra ação que chamou a atenção da plateia foi o Projetek, que é o maior programa do país em capacitação no BIM. Ele envolve a criação de um escritório de engenharia e arquitetura em cada instituição de ensino superior. Hoje, são  47 cidades atendidas em todo o estado, o que impulsiona a economia do município e, em contrapartida, forma pessoas para trabalhar a favor do desenvolvimento da universidade.

O Presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha se juntou ao Diretor com o qual teve  um diálogo muito instrutivo sobre o tema e que ilustra bem a parceria entre o Conselho e a Secretaria. 

 

Encerramento

Participaram da cerimônia de encerramento o presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha de Oliveira, a vice-presidente, Eng.ª Agr. Sanda Cabel, a coordenadora da Comissão de Educação e Atribuição Profissional, Eng.ª Civ. Ligia Frangovig Rachid, o coordenador do Colégio de Instituições de Ensino, Eng. Agr. Almir Gnoatto, a coordenadora Estadual do Programa CreaJr-PR, acad. Alexia Lilian Piloto e o decano da Escola Politécnica da PUCPR, professor Marco Antonio Paludo.

Precedendo a finalização, o presidente Ricardo lançou alguns novos produtos do Crea-PR.

O novo Portal da Educação do Crea-PR, “um trabalho coletivo que teve muitas contribuições da Comissão de Educação e Atribuição Profissional e do Colégio de Instituições de Ensino, o Portal é uma grande prestação de serviços que está visualmente mais bonito e adequado, além de ter muito conteúdo e acesso aos serviços de forma mais rápida”, diz.

O Manual Orientativo para Coordenadores de Cursos, que destaca todos os produtos do Crea para as Instituições de Ensino, contém todas as informações e orientações importantes para este trabalho conjunto, como por exemplo a ferramenta de dados de atuação profissional dos egressos. “Um manual assim era tudo que eu precisava quando fui coordenador de curso, pois até o momento aprendemos durante o processo, com a experiência. Agora temos um Manual, resultado de um trabalho de parceria”, comenta o presidente.

A 30ª edição da Revista Técnico-científica, em publicação especial com os trabalhos de conclusão de curso selecionados no Prêmio Melhores TCCs deste ano, em que participaram trabalhos de pesquisa desenvolvidos em 2022.

A Revista Crea-PR, nesta edição voltada para a parceria entre o Crea-PR e as Instituições de Ensino, além de outras pautas relevantes das Engenharias, Agronomia e Geociências.

 

31º Fórum de Docentes e Discentes em 2024

Por fim, foi anunciada a Instituição de Ensino que será sede do 31º Fórum de Docentes e Discentes, em agosto de 2024: Centro Universitário UGV, localizado em União da Vitória.

Todos os participantes do dispositivo de honra agradeceram pelo evento de proveito, conteúdo e diálogo.


Comentários

  1. Evento importante.
    Senti falta de oficinas para os docentes e integração entre os participantes.
    As legendas das fotos estão equivocadas.

    • Crea-PR says:

      Olá, Mateus!
      As fotos que estão na matéria não possuem legendas, mas possivelmente isso tenha sido confundido com os subtítulos que estão logo após as fotos. Já melhoramos o espaçamento para deixar mais claro.
      Sobre as oficinas, agradecemos pelo comentário; foi encaminhado para a equipe responsável para considerações.
      Obrigado!

  2. Marco Antonio Ferreira Finocchio says:

    Foi um excelente evento. Parabéns a todos os organizadores, colaboradores, palestrantes e participantes.
    Muito obrigado.

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