Tecnologia na educação e extensão universitária marcam manhã do segundo dia do Fórum de Docentes e Discentes
30 de agosto de 2023, às 11h52 - Tempo de leitura aproximado: 10 minutos

O Presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha, realizou a abertura do segundo dia do 30° Fórum de Docentes e Discentes lembrando da palestra do dia anterior e das lições e temas que levantou para o público do Fórum. Proferida pelo vice-reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Prof. Vidal Martins, a palestra magna teve como tema “Desafios e estratégias para a educação na contemporaneidade”. Para o Presidente, sua fala abordou questões a serem ainda mais aprofundadas: “a tecnologia não vem para substituir a docência, mas para complementá-la, dar ferramentas para que ela evolua a favor do ensino”.
O Presidente do Conselho aproveitou a ocasião para convidar a Editora Científica da Revista Técnico Científica do Crea-PR, Eng. Civ. Gabriela Mazureki Campos Bahniuk, que falou um pouco sobre a importância da publicação e convidou a todos para acessarem o site, conhecerem esse trabalho feito por tantas mãos e submeterem seus artigos ou atuarem em parceria com o conselho entrando para o corpo de Avaliadores da Revista.
Painel Tecnologia na Educação
Na primeira apresentação do painel, o palco do TUCA recebeu a Profª. Patrícia A. J. Maillard, que é bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, pesquisadora permanente do Programa de Pós-Graduação em Informática da Universidade Federal do Paraná e professora visitante do Programa de Pós-graduação em Computação da UFPEL, onde orienta mestrandos e doutorandos. As principais áreas de pesquisa de Patrícia são Inteligência Artificial e Computação Afetiva, com aplicações na Educação. Está no Conselho Editorial do Springer Journal on Multimodal User Interfaces e foi Editora Associada da IEEE Transactions on Learning Technologies (TLT); também foi coordenadora de projetos de cooperação internacional entre Brasil, França e Argentina.
A Prof. falou sobre “A utilização da Inteligência Artificial na Educação”, área que pesquisa há 25 anos. Patrícia começou apresentando o PAT2Math (Personal Affective Tutor to Math), um Sistema Tutor Inteligente que visa assistir os estudantes na resolução de problemas algébricos. Ele emprega diversos algoritmos de Inteligência artificial para simular um professor particular que assiste e ensina os aprendizes enquanto eles resolvem equações de primeiro grau, corrigindo e provendo dicas não apenas para a solução final, mas a todos os passos intermediários do estudante. Compartilhou com a plateia uma história sobre como essa tecnologia pode ser providencial no ensino, principalmente de crianças com algum tipo de deficiência. Contou que, durante o uso do programa em uma sala de aula do 7° ano, um aluno chegou, com muito entusiasmo, e contou que aquela era a primeira vez que conseguia resolver uma equação sozinho. Para a Prof., “o ambiente inteligente permitiu a um aluno mostrar o seu potencial por meio do potencial da tecnologia” e ressaltou a importância do professor ao utilizar essas tecnologias que já estão amplamente em todos os meios. Segundo Maillard, os melhores resultados são aqueles vindos da união entre STI e Professor nos ambientes de aprendizagem.
O PAT2Math está sendo desenvolvido por graduandos, mestrandos e doutorandos em computação com a orientação da Profª Drª Patrícia Jaques no Programa de Pós-graduação em Computação Aplicada da UNISINOS. O projeto vem sendo usado por escolas da região do Vale dos Sinos e conta com a colaboração de professores de matemática na elaboração do material pedagógico.
Para ilustrar o tema, trazendo-o mais próximo ao público, usou como exemplo uma tecnologia amplamente conhecida hoje: o ChatGPT. Patrícia citou o exemplo de como essa tecnologia foi recebida pelas escolas no Distrito de Nova York: à princípio, com receio e até proibição. Hoje, porém, é uma ferramenta amplamente usada e incentivada. Para a Prof., “a pergunta não é mais se devemos utilizar ou não essas novas tecnologias dotadas de inteligência artificial, mas como devemos utilizá-las”.
Inteligência Artificial
Os impactos da Inteligência Artificial no Exercício das Profissões foram abordados pelo professor Renato Sellaro Dorighello, da UniSENAI. Renato iniciou a apresentação destacando os conceitos de Inteligência Artificial , BIG Data e Machine Learning, onde o primeiro preconiza que quanto mais eu souber sobre algo, mais confiável será obter novas ideias e fazer previsões sobre o que acontecerá no futuro. O Machine Learning é a capacidade dos computadores de aprender, sem terem sido necessariamente programados. “É o aprender a identificar padrões de maneira muito mais rápida e confiável que os humanos, a partir do volume muito grande de dados”. Já a IA se dedica ao estudo e ao desenvolvimento de máquinas e programas computacionais capazes de reproduzir o comportamento humano na tomada de decisões e na realização de tarefas, desde as mais simples até as mais complexas.
“E como isso tem se tornado cada vez mais importante para as nossas profissões e atuações? Como nos adaptarmos às novas demandas e mudanças de ocupação?”, questionou o professor. “Quando falamos em Robótica Industrial, entre 2012 e 2018 o número de unidades fabricadas quase triplicou. Em 2021, 3,5 milhões de robôs estavam em operação nas fábricas. Esta Indústria 5.0 tem demonstrado que a premissa agora é adicionar o toque humano às inovações que a indústria 4.0 trouxe. Não se trata mais apenas de tecnologia, mas do trabalho conjunto entre humanos e robôs”.
Renato acrescentou: “Temos o reconhecimento que estas tecnologias precisam de um insight humano para que sejam reconhecidas pelo público. Tiramos o foco exclusivo do processo, para começar a valorizar a interação com os produtos. Com o avanço da IA, precisamos cada vez mais da capacidade cognitiva do humano e de ter o maior cuidado na análise de dados”.
O professor concluiu ressaltando que em 2023 o Brasil mais que dobrou as contratações para vagas que tinham como requisitos algo de IA ou Machine Learning. “As principais áreas requisitantes são tecnologia da informação, indústria, seguro e finanças. “Mas temos um déficit destes profissionais. Na Europa, por exemplo, faltam 600 mil trabalhadores nas carreiras relacionadas à tecnologia da informação e comunicação”.
Debate
O Prof. Dr. Rodrigo Palácios (UTFPR) foi o mediador do debate sobre Tecnologia na Educação. Ele é doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo, mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Londrina, especialista em Engenharia de Software pelo Centro Universitário Filadélfia e graduado em Engenharia da Computação pela Universidade Norte do Paraná. Atualmente é professor do Departamento de Computação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Cornélio Procópio e coordena o curso de Especialização em Inteligência Artificial da instituição.
Durante o debate a prof. Patrícia foi questionada sobre o uso do chat GPT na educação e explicou sobre estudos e testes que têm sido feitos, além da importância dos professores falarem aos seus alunos do cuidado com os dados colocados no software. Outra questão abordada foi o uso do perfil de conhecimento e emocional que as empresas que dominam essas inteligências têm acesso com o seu uso.
O prof. Renato foi questionado sobre as preocupações dos alunos com relação ao uso da inteligência artificial. Para ele, é preciso ter cuidado com o que se pede aos alunos, para que utilizem as metodologias ativas não somente captando a informação para suas pesquisas, mas analisando o conteúdo gerado. O software é mais uma ferramenta de trabalho para auxílio, não pode ser algo que faz o trabalho por ele como uma verdade absoluta”.
Palestra Extensão Universitária como elemento integrador do Sistema Profissional com Prof. Fabiano Gonçalves Costa e Prof. Rui Gonçalves Marques Elias
Fabiano Gonçalves Costa começou a palestra dando ênfase à importância da extensão universitária como parte do currículo, e do consequente benefício da sua aproximação com um conselho como o Crea-PR, promovendo um diálogo que amplie o conhecimento e promova suas atividades alinhadas à realidade das profissões.
Rui Gonçalves Marques Elias deu continuidade à palestra contextualizando a extensão universitária na história do Brasil, do princípio – 1914 – até os dias atuais. Ao falar dos modelos de extensão, deixou claro que, para ele, todos os três podem ser utilizados de acordo com as necessidades e especificidades de cada curso, não existindo, em sua opinião, um perfil certo e outro(s) errado(s). Em sua opinião, o papel da extensão é estabelecer diálogo da academia – professores, alunos, pesquisadores – com a sociedade, entendendo suas demandas e seus problemas: “a extensão é um elemento integrador”. Deve-se, para ele, objetivar a melhor qualidade de vida da comunidade, e para isso “é primordial que ela seja ouvida”. Falou também da necessidade de financiamento de tais atividades, e por isso, da importância de ser colocada dentro de um programa de desenvolvimento institucional: “um projeto de extensão não começa e termina em um ano. Um ano é o tempo de conseguir o mais difícil: o diálogo e a consequente confiança da comunidade.” É preciso que, de tempos em tempos, seja feita a reavaliação para que os projetos sejam continuados – e continuem acontecendo alinhados aos principios da universidade e com a busca pelo auxílio econômico, cultural e social da sociedade.
O Prof. Costa finalizou a palestra contando um pouco da atuação da Extensão na prática, dando exemplos reais da sua importância: “ a SETI enxerga na curricularização da extensão uma oportunidade para aproximar universidade e sociedade. Elas precisam conversar e criar um círculo virtuoso de aprendizado mútuo.”
Exposição e premiação da 1ª Edição do Prêmio Crea-PR de Extensão Universitária
Finalizando a manhã do segundo dia do Fórum, foram saudados os vencedores da primeira edição do Prêmio Crea-PR de Extensão Universitária. São 36 projetos de 22 escolas, com 260 pessoas envolvidas entre professores e alunos. Um membro autor de cada trabalho teve 5 minutos de exposição. Conheça os vencedores:
1º Lugar Modalidade Agrimensura:
Título do Projeto: Assessoria na construção de projetos de desenvolvimento urbano e regional dos municípios com IDH Médio e Baixo no Estado do Paraná, por meio da elaboração / revisão de seus Planos Diretores Participativos.
Instituição de Ensino: Universidade Estadual de Ponta Grossa
Apresentação: Prof. Dr. Marcio Ornat
1º Lugar Modalidade Agronomia:
Título do Projeto: Hortas, hortos medicinais e paisagismo em escolas Municipais.
Instituição de Ensino: Centro Universitário Campo Real
Apresentação: Prof. Dr. Marcos Roberto Barboza
1º Lugar Modalidade Civil:
Título do Projeto: Projeto de Revitalização da Biblioteca Moacir Gonçalves no Bairro Industrial do Município de Guarapuava-PR.
Instituição de Ensino: Centro Universitário Campo Real
Apresentação: Profa. MSc. Andreza Frare
1º Lugar Modalidade Elétrica:
Título do Projeto: Lar Seguro – Universidade e Comunidade mobilizando recursos materiais e humanos em favor da vida!
Instituição de Ensino: Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Apucarana
Apresentação: Prof. DR. Rogério Marcos da Silva
1º Lugar Modalidade Mecânica:
Título do Projeto: Aplicação do 5’S, em uma empresa coletora de resíduos recicláveis
Instituição de Ensino: Centro Universitário Internacional Uninter.
Apresentação: Prof. MSc. Douglas Soares Agostinho
1º Lugar Modalidade Multidisciplinar:
Título do Projeto: Propostas de gestão de resíduos gerados por empresas do segmento têxtil e de vestuário: Adição de poliamida ao concreto para redução de impactos ambientais
Instituição de Ensino: Universidade Positivo
Apresentação: Prof. MSc. Hélcio José Prado Fabri















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