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Acesso em 31/10/2026 às 23h15.
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2º Fórum do CET DCB aborda análises e desafios na prevenção contra incêndios e tem grande repercussão

13 de dezembro de 2023, às 18h12 - Tempo de leitura aproximado: 11 minutos

2º Fórum do CET DCB.

Nesta quarta (13) foi realizado pelo Crea-PR e pelo Instituto de Engenharia do Paraná – IEP o 2º Fórum do Comitê de Estudos Temáticos da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Crea-PR, em Curitiba. O evento, que tem o objetivo de difundir a cultura preventiva e as normas relativas à prevenção contra incêndio ao público externo especializado, tais como engenheiros, geólogos, entre outros, aconteceu no IEP e teve transmissão online pelo Youtube.

A mesa de abertura contou com o Presidente do Conselho Eng. Civ. Ricardo Rocha, o Presidente Eleito Eng. Agr. Clodomir Ascari e o Presidente do IEP Eng. Civ. José Carlos Dias Lopes da Conceição. O evento aconteceu ao longo do dia, e contou com seis palestras e debate.

A primeira palestra foi feita pelo Coronel Dr George Cajaty Barbos, do Quadro complementar do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, chefe da Assessoria Técnico-Administrativa do Gabinete do Comandante-Geral e presidente da comissão A3P do CBMDF. Ele pssui pós doutoramento em Tecnologia de Combate a Incêndio pelo Building and Fire Researcha Lboratory do National Institute of Standards and Technology, NIST/EUA, (2009-2011) e Doutoramento e Mestrado em Física de Estado Sólido pela Universidade de Brasília.

Atuando desde 1994 na área de Segurança Contra Incêndio e Ciência do Fogo, ele falou sobre simulação computacional de incêndio e fuga, dinâmica do fogo e resistência de materiais ao calor, para a prevenção, combate e investigação (perícia) de incêndios.

Mostrou como são feitas as simulações para investigação e para prevenção, ferramenta que auxilia nos projetos e implantação de segurança contra incêndio.

“Além das ferramentas e todo o sistema de segurança, é necessária a educação das pessoas, orientação de como agir e mudança inclusive cultural quanto a isso no Brasil”, disse Braga. Ele alertou também para a importância de aparatos segurança não somente em locais de grande circulação, comerciais, empresariais e industriais, mas em casa, como por exemplo com a instalação de alarme de fumaça. “Nunca é demais se proteger”, finaliza.

O Tenente Coronel Rodrigo Almeida Freitasr apresentou a palestra: Incêndio da Boate Kiss: Além do objeto causador e doi primeiro combustível. Ele é Tenente-Coronel Combatente do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e encontra-se cedido à Secretaria de Segurança Pública do DF, sendo Assessor Especial na Subsecretaria de Operações Integradas.

Atualmente ele cursa Doutoramento na Universidade de Coimbra (Portugal) em Segurança aos Incêndios, e sua tese é um estudo detalhado sobre as causas e a evolução do incêndio na Boate Kiss.

Ele mostrou as possibilidades que surgiram durante sua pesquisa e destacou a impressionante rapidez com que o fogo e a fumaça se alastraram naquele local. “O fogo vai em direção ao oxigênio e a fumaça para as saídas, e justamente estes locais na Boate eram somente nas saídas de emergência e principal, por onde as pessoas teriam que sair”, explica.

A última palestra da manhã, Prooteção contra incêndio em áreas de armazenamento por meio de sistemas de chuveiros automáticos, foi proferida pelo palestrante Engenheiro Civil Emerson Luiz Baranoski. Ele tem Mestrado em Construção Civil pela Universidade Federal do Paraná, Especialização Planejamento em Segurança Pública pela Universidade Federal do Paraná, e é Major da Reserva do Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná.

De forma mais técnica, ele explicou sobre os seus estudos na área em que atua a leciona em pós-graduação.

Após as falas dos palestrantes experientes em suas áreas, a Engenheira Civil Suzely Soares coordenou as perguntas dos participantes aos palestrantes.

Destaques e desafios da legislação de segurança contra incêndio

Como parte da programação, o Fórum recebeu a Eng.Civ. Ângela Gaio Graeff para falar sobre o histórico da Legislação Federal de Segurança contra incêndio. Ela possui graduação em Engenharia Civil e mestrado em Estruturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); além de doutorado em Estruturas pela Universidade de Sheffield (Inglaterra) e pós-doutorado pela UFRGS. É professora adjunta do Departamento de Engenharia Civil e Coordenadora do Curso de Especialização em Engenharia de Segurança contra Incêndio da UFRGS. É também coordenadora do Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (LEME) e do Grupo de Pesquisa Fire Investigation, Research and Innovation (FIRE). Atuou como professora visitante no Departamento de Engenharia de Proteção contra Incêndio da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, entre 2022 e 2023. 

Durante a palestra, Graeff passou pela história das leis federais e estaduais com relação à segurança contra incêndio, desde a década de 70 até hoje. Setenta anos atrás houve a criação do Instituto de Resseguro do Brasil. Na época, segunda ela, falava-se mais sobre a segurança do patrimônio do que sobre a segurança das pessoas, até que vários incêndios graves aconteceram no país – como os dos Edifícios Joelma e Andraus – e São Paulo teve protagonismo com a criação da primeira norma de saída de incêndio. Falando do ponto de vista federal, foi a tragédia da da Boate Kiss que mudou o cenário, com a criação da Lei Kiss Federal 14.325, de 2017, que institucionalizou normas já existentes, passando a responsabilidade ao estado pelas legislações estaduais, e aos municípios para alguns casos específicos. 

A Lei Kiss estabelece regras e requisitos mínimos sobre como os projetos de segurança contra incêndio devem ser realizados. No Estado do Paraná, temos a Lei Kiss Estadual 19.449 que foi regulamentada logo em seguida com o decreto 11.868, ambos de 2018. Sobre a importância da legislação relativa à segurança contra incêndio, a Eng. Civ. ilustrou: “quando eu era pequena, lembro que meu pai não usava cinto de segurança, nem eu andava na cadeirinha; hoje isso é inconcebível e é por isso que a legislação é importante”. A legislação de Segurança contra incêndio reduz danos ao patrimônio, ao ambiente, perdas de atividades e serviços e garante a preservação da vida.  

Segundo ela, os desafios 10 anos depois da tragédia da Boate Kiss envolvem a fixação de prazos para adequação das edificações, maior rigor na fiscalização, financiamento para adequação, exemplo do poder público, financiamento de pesquisas na área, ampliação do número de centros de pesquisa na área, formação de especialistas, mestres e doutores na área, coleta de dados de forma padronizada com divulgação clara e acessível à sociedade e capacitação dos profissionais com inclusão de conteúdos relacionados à SCI (Segurança contra Incêndio) nos cursos de engenharia e arquitetura: “existe uma demanda, mas as instituições ainda não se deram conta da importância do tema para estes cursos “, disse ela. 

Para finalizar, importante levantar a hashtag exposta na apresentação de Ângela: #kissquenaoserepita. Que não se repita.

Cidades, emergências e desastres: como medir o nível de preparação para esses eventos?

O quinto palestrante do dia foi o Major Eduardo Pinheiro, que é Doutor em Gestão Pública. O oficial falou sobre a importância da preparação em desastres e emergências, apresentando de forma didática a relação entre eventos naturais e aqueles que são resultados de ações humanas. De acordo com o Major, “a prevenção tem ênfase em evitar que condições de risco surjam. Nós podemos salvar vidas com o conhecimento.”

Eduardo explicou que é comum que a sociedade analise grandes incendios com mais atenção, ignorando os pequenos acontecimentos que acabam sendo mais constantes em uma relação entre o somatório e eventos únicos. Nesse contexto, Eduardo explica como essas questões são importantes em coisas rotineiras, como planejamento de viagens por exemplo.

Após sua fala de apresentação, onde falou da relevância dos desastres, Eduardo apresentou detalhes sobre como é medido o nível de preparação para eventos, diferenciando o que são emergências (que possuem impacto restrito, como focos de incêndio) e desastres (que possuem impacto coletivo, como grandes incêndios). O desastre altera a normalidade da sociedade, enquanto a emergência não. Ou seja, deve haver conexão entre os eventos e as cidades para que seja considerado um desastre.

Para evitar ou reduzir os impactos dos desastres, é necessário seguir alguns passos, começando pela prevenção de riscos. Considera-se risco a combinação entre ameaça e vulnerabilidade. É na etapa de prevenção que os fatores que compõem o risco são analisadas para a elaboração de ações que evitem o desastre.

Caso não seja possível prevenir, o próximo passo é a mitigação. Nesse momento, há um estudo sobre como lidar com o risco para causar o mínimo de danos. Ações que devem ser tomadas caso o evento se deflagre fazem parte da preparação, que é o próximo passo.

Após o evento ocorrer, entram em ação o quarto e quinto passo: resposta e recuperação. A resposta inclui ações de assistência e socorro, enquanto a recuperação exige mudanças para que o evento não se repita.

Em resumo, para a prevenção de desastres é necessário evitar ou prevenir o risco. A análise das vulnerabilidades urbanas, bem como a diferenciação do que são desastres/ameaças naturais e eventos de consequências humanas, são essenciais para a prevenção.

Para auxiliar esse mapeamento existe o Indicador Municipal de Proteção e Defesa Civil – IPDC. Esse índice analisa diversos itens e variáveis para definir o quão preparada uma cidade está para um desastre e direcionam a defesa nas ações que devem ser tomadas.

A análise da combinação desses parâmetros e a compreensão dos passos de prevenção contribuem para uma sociedade mais segura ou uma resposta mais rápida em caso de desastres.

O Programa Brigadas Escolares e a cultura de prevenção no ambiente escola

A última palestrante da programação foi a 1ª Tenente Joyce Andressa de Oliveira Saboia, que falou sobre o Programa Brigadas Escolares. Antes de entrar nesse assunto, Joyce falou sobre a importância da prevenção e que ela deve incluir educação, implementação de políticas públicas, além da adoção de práticas, protocolos e medidas que tragam segurança em situações de risco. 

Segundo ela, o comportamento humano pode agravar resultados e isso é reflexo de uma deficiência da cultura de prevenção. Para explicar isso, Joyce apresentou os resultados de seu trabalho que analisou 5 grandes incêndios: o caso Gran Circus em Niterói (1961), o caso do Edifício Joelma em São Paulo (1974), o caso da Boate Kiss em Santa Maria (2013), o caso do Grenfell Tower em Londres (2017) e o caso Winter Cherry em Kemerovo (2018).

A análise de Joyce indica que o comportamento humano (efeito manada, falta de manutenção, falhas de dimensionamento, uso incorreto das medidas de segurança, etc) ocasionaram muito mais perda de vidas. Ela afirma que não existe fogo acidental e todos são resultados de falhas. O que acontece é a falta de um programa efetivo de prevenção de incêndios no Brasil. É para reverter esse quadro foi criado Programa Brigadas Escolares.

Joyce explica que as brigadas não servem apenas para lidar com o incêndio que já aconteceu, mas também podem colaborar com a prevenção. E as escolas são o ambiente ideal para isso, já que as crianças aprendem rapidamente e são disseminadoras das práticas em suas famílias também. 

O processo de implementação não se resume às medidas de segurança, mas um trabalho profundo de conscientização, com a capacitação de funcionários da rede pública de ensino. Dessa forma é possível proporcionar aos alunos condições mínimas para enfrentamento de situações de emergência, e também a regularização das edificações escolares ao código de segurança contra incêndio e pânico do corpo de bombeiros.

A construção dessa cultura prevencionista no ambiente escolar exige a prática de simulados para treinamento em situações de riscos, atribuindo responsabilidades específicas para membros do corpo docente a fim de assegurar a segurança dos estudantes. 

Uma das práticas mais eficientes é o Plano de Abandono Escolar, onde é estabelecido um ponto de encontro seguro onde será realizada a conferência dos alunos. Esse espaço deve ser localizado longe do sinistro. Atualmente, as escolas devem contar com 5 servidores treinados para serem brigadistas e desde 2012, quando o projeto foi criado, mais de 72 mil servidores foram certificados e mais de 70 mil exercícios simulados foram realizados. 

“Se não trabalharmos o comportamento humano, o resultado será sempre o mesmo. A prevenção somos todos nós”, finaliza Joyce.

Repercussão

A Comunicação do Crea-PR teve o prazer de conversar com a Professora Márcia Motta Velloso, que é Mestre em Física e Doutora em Engenharia de Produção, durante o evento. Segundo ela, o  2º Fórum do CET DCB não surpreendeu positivamente apenas os presentes, mas muitos colegas que assistiram tudo online, pelo canal do Instituto de Engenharia do Paraná – IEP no Youtube. Os assuntos do Evento estavam sendo amplamente discutidos no Grupo de WhatsApp do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres – NEPED-UFF do Curso de Mestrado em Defesa e Segurança Civil da Universidade Federal Fluminense. “As palestras com temas muito atuais, os palestrantes muito competentes, um evento genial!”, disse; e completou: “os alunos do NEPED já têm planos de entrar em contato com os palestrantes, pois têm áreas de pesquisa comuns e o que foi trazido aqui é muito relevante”.  


Comentários

  1. Rodrigo says:

    Manda um email para rodrigo.almeida.freitas@gmail.com que passo os slides.
    Att
    Rodrigo Almeida Freitas

  2. Bom dia,

    Parabéns pelo evento
    Gostaria de receber as apresentações especilamente as do Cel Cajati e Cel Almeida Freitas.

    Muito obrigado
    Eng. Seg, José Carlos Liberal

  3. Diogo Pellissari says:

    Os slides das palestras serão fornecidos?

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