Manhã do segundo Dia do Fórum de Docentes e Discentes debate inovação e os avanços da ciência e tecnologia no Paraná
28 de agosto de 2024, às 15h34 - Tempo de leitura aproximado: 6 minutos

Hoje (28/08), professores, acadêmicos e autoridades de Instituições de Ensino e do Sistema Confea, Crea e Mútua reuniram-se novamente durante todo o dia para debater, trocar e desenvolver conhecimento sobre inovação e os desafios das profissões durante o 31ª Fórum de Docentes e Discentes do Crea-PR, que acontece até amanhã na UGV – Centro Universitário de União da Vitória.

O Presidente do Crea-PR Eng. Agr. Clodomir Ascari abriu a manhã dando as boas-vindas aos presentes e ao primeiro palestrante do dia – que foi presidente do Conselho por duas gestões – o Eng. Civ. Ricardo Rocha. Ascari agradeceu o legado deixado, como as contínuas melhorias durante os últimos seis anos no presente Fórum.
“O Estado do Paraná e a Ciência”
O Primeiro Painel teve como tema “O Estado do Paraná e a Ciência”, e contou com Rocha falando sobre os projetos e editais da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Seti), onde atua como Assessor Técnico. O Reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Eng. Civ. Leandro Vanalli, subiu ao palco para contribuir com o tema “As Universidades Paranaenses: Pesquisas e recursos para a ciência”, e a Eng. Civ. Ligia Eleodora Francovig Rachid mediou o debate.
“O mundo tem que estar preparado para a inovação”, assim começou o Professor Rocha, e mostrou-se otimista ao desenvolvimento, neste sentido, no estado do Paraná. Ele falou sobre os projetos e políticas da Seti, com dados sobre o investimento do estado em ciência e tecnologia. Falou também sobre a importância da aproximação entre a Secretaria, o Sistema, e as Instituições de Ensino citando dos programas da Seti que englobam, segundo ele, muitas oportunidades de recursos para as profissões do Sistema Confea/Crea e Mútua.
“Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino”, continuou Rocha, ilustrando a importância estratégica da Política de Ciência e Tecnologia – planejada até 2030 – e ressaltando a situação positiva em que a área encontra-se hoje no Paraná: “desde 2023, 2% da receita tributária do estado vai para ciência e tecnologia, uma situação interessante para criar programas importantes que tragam soluções para a sociedade paranaense, e é isso que estamos fazendo”, afirmou. De fato, em 2023 houve aumento recorde de recursos do Governo do Estado para o financiamento de programas e projetos da área de ciência e tecnologia, com incremento de 290% em relação ao ano anterior. Vanalli complementou que diante desta importante política a Universidade, em contrapartida, deve “inovar em metodologias e aprender a fazer projetos que utilizem o recurso da melhor forma para a sociedade”.
Para apresentar ao público, Rocha escolheu um dos programas “carro-chefe” da Seti: o AGEUNI (Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável e de Inovação), um programa de estímulo às ações de integração entre Universidade, Empresa, Governo e Sociedade, com o objetivo de Incentivar o desenvolvimento socioeconômico e aumentar a competitividade das empresas paranaenses, agregando tecnologia aos processos de produção de bens e serviços. Oriundos do programa são o PEM, o Prime e o Projetek. Este último, íntimo do Sistema, já que é um escritório de projetos executivos de Engenharia e Arquitetura para atender prefeituras municipais do Paraná, que vem tendo grandes resultados no estado. “Originalmente, o projeto nasceu como forma de auxiliar a implementação do BIM nas Universidades, mas a ideia foi além”, afirmou. O Projetek foi, recentemente, um dos vencedores do Prêmio Excelência em Competitividade, organizado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e destinado a ideias inovadoras em políticas públicas. Dentre os 292 projetos inscritos, o Projetek conquistou o primeiro lugar.
Vanalli encerrou o painel falando da missão da universidade que, segundo o Reitor é “desenvolver a sociedade por meio de políticas públicas, com foco nas pessoas, sobretudo aquelas que mais precisam”, e ressaltando assim a importância do evento que reúne os, como denominou, “atores deste processo”.

Adequação dos Instrumentos de Avaliação de Cursos do MEC com as Novas DCNs
A engenheira civil Adriana Maria Tonini abordou, em sua palestra, a adequação dos instrumentos de avaliação de cursos do MEC com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de Engenharia. Ela apresentou um panorama das mudanças ao longo do tempo, destacando que as primeiras DCNs, em 1976, tinham um enfoque tecnicista. Já no início dos anos 2000, houve uma flexibilização curricular, abrangendo projetos político-pedagógicos, estágio supervisionado e o desenvolvimento de habilidades e competências dos egressos.
Com a Resolução n.º 2/2019 (CNE/CES), as novas DCNs passaram a focar na formação por competências. “O mundo é dinâmico, as competências que o profissional precisa para acompanhar e atuar de forma atualizada e adequada ao desenvolvimento da sociedade também mudam”, destacou Adriana. Ela explicou que o currículo de Engenharia deve equilibrar a formação tecnicista com uma formação generalista, humanista e crítica, integrando o saber científico-tecnológico com as ciências humanas e sociais.
A palestrante enfatizou que o currículo baseado em competências é estruturado a partir de objetivos de ensino e aprendizagem, com saberes de referência que consideram as ciências e as profissões. “O desenvolvimento de competências é uma consequência e não o conteúdo em si da formação”, explicou. Segundo Adriana, a metodologia de ensino-aprendizagem precisa estar em constante atualização para se adequar às mudanças da sociedade e às demandas dos acadêmicos.
Adriana também explicou que INEP criou, no ano passado, uma comissão para a atualização dos instrumentos de avaliação de cursos de graduação, e a entrega do trabalho ocorreu em maio de 2024. Ela, que fez parte do grupo, explicou que foram feitos estudos dos critérios atuais e foi então apresentada uma proposta de atualização e a sugestão de uma nova dimensão de avaliação que contemple as especificidades dos cursos de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, e Tecnologias.
Inteligência Artificial no Ensino Superior: Riscos ou Oportunidades?
O engenheiro mecânico Sergio Henrique Rodrigues Mota trouxe uma reflexão sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no ensino superior, abordando os riscos e oportunidades associados a essa tecnologia. Ele iniciou destacando a rapidez com que as ferramentas tecnológicas surgem e caem em desuso, alertando para o risco de ensinar uma ferramenta que pode se tornar obsoleta rapidamente.
Sergio ilustrou essa evolução tecnológica mencionando o desenvolvimento de instrumentos de escrita, desde a pena até a máquina de escrever, e, posteriormente, o computador pessoal. “Por que é tão difícil aderir à tecnologia?”, questionou, ressaltando que, antigamente, era necessário entender de linguagem de programação para se comunicar com uma máquina. Hoje, com o LLM (Large Language Model), a comunicação com a IA pode ser feita em diversas linguagens, como texto, áudio e vídeo, o que facilita a adesão às novas tecnologias.
Durante a palestra, a questão do uso da IA em sala de aula foi discutida, incluindo até que ponto os professores devem permitir o uso dessas ferramentas pelos alunos, a importância de compreender o conteúdo gerado pela IA e o papel da ética nesse contexto. Sergio concluiu sua apresentação destacando que a evolução da IA é inevitável: “A evolução e a IA são um caminho sem volta e sem saber exatamente onde vai chegar. Então fica a pergunta: vocês estão nesse caminho ou fora?”. E deixou essa reflexão aos participantes.

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Fotos: Marcos Aurélio Iasinski
























































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