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Acesso em 03/11/2026 às 22h16.
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Engenheiros paranaenses são homenageados na Láurea ao Mérito do Confea durante a 79ª SOEA

8 de outubro de 2024, às 11h47 - Tempo de leitura aproximado: 12 minutos

Durante a 79ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), realizada em Salvador-BA, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) promoveu a tradicional Cerimônia de Láurea ao Mérito, um momento solene para reconhecer profissionais e instituições que se destacaram pelo seu trabalho em prol da Engenharia, Agronomia e Geociência. Este ano, a cerimônia teve duas homenagens especiais para profissionais paranaenses:  o engenheiro agrônomo Tumori Sera, com a Medalha do Mérito, e o engenheiro civil Aristides Athayde Cordeiro, in memoriam, inscrito no Livro do Mérito.

Tumori Sera é técnico agrícola pelo Colégio Agrícola Manoel Ribas de Apucarana, engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mestre em Genética e Melhoramento de Plantas e Doutor em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e no Japão, Pós-doutor pela National Institute of Agrobiological Sciences (Nias), especialista em Hibridação assexuada por fusão de protoplastos, pelo National Institute of Agrobiological Resources, e Especialista em Melhoramento por mutação induzida por radiação crônica, pela National Institute of Radiation Breeding.

Aristides Athayde Cordeiro é graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1957. Ele também era especialista em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

As homenagens foram entregues ao eng. Tumori e à representante do eng. Aristides pelo presidente do Crea-PR, eng. agr. Clodomir Ascari, que participou da cerimônia ao lado do presidente do Confea, eng. telecom. Vinicius Marchese, do vice-presidente, eng. agr. Luiz Lucchesi, e do presidente da Mútua, eng. civ. Joel Krüger.

Os profissionais homenageados foram lembrados e reconhecidos por sua trajetória de excelência, comprometimento com a profissão e contribuições relevantes ao desenvolvimento da Engenharia e da ciência no país.

A Láurea ao Mérito é uma das maiores honrarias concedidas pelo Sistema Confea/Crea e Mútua, sendo uma oportunidade de reconhecer publicamente os profissionais que impactaram positivamente a sociedade através de suas carreiras e iniciativas. A cerimônia é também um momento de celebração das histórias e trajetórias que servem de inspiração para as futuras gerações de engenheiros e agrônomos.

O presidente Ascari afirma que “o Crea-PR se sente honrado por participar desse importante momento, que reforça a importância da valorização dos profissionais que contribuem para o avanço da ciência, tecnologia e inovação no país”.

Veja aqui o Livro de Láurea ao Mérito com todos os homenageados.

Confira a cobertura de todas as homenagens, feita pelo Confea.

Para mais informações sobre a 79ª SOEA e a cerimônia de Láurea ao Mérito, acesse o site oficial do evento.

Conheça o eng. agr. Tumori Seri

Técnico agrícola pelo Colégio Agrícola Manoel Ribas de Apucarana, em 1969; Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1973; Mestre em Genética e Melhoramento de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em 1980; Doutor em Agronomia – Genética e Melhoramento de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em 1987; Pós-doutor pela National Institute of Agrobiological Sciences (Nias), Japão; Especialista em Hibridação assexuada por fusão de protoplastos, pelo National Institute of Agrobiological Resources (Japão), em 1990; Especialista em Melhoramento por mutação induzida por radiação crônica, pela National Institute of Radiation Breeding (Japão), em 2001.

Nascimento: Nova Fátima (PR), 06 de setembro de 195

Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR)

No interior do Paraná em que Tumoru Sera nasceu, havia mar: um mar de café. O pequeno descendente de japoneses não teve escolha: desde criança trabalhou com a planta e teve sua vida inteira definida pela espécie, tanto nas colheitas na sua propriedade quanto nos resultados em seu laboratório. Criado em colônia japonesa, o pequeno Tumoru foi ter acesso à Língua Portuguesa somente aos oito anos, quando entrou na escola formal, e chegou a levar puxão de orelha dos professores por muitas vezes não compreender o que se passava. Tumoru – hoje engenheiro agrônomo, pesquisador, geneticista, consultor agronômico e cafeicultor agricultor – trabalhou duro dia e noite desde criança. “A gente trabalha contra o tempo. Na agricultura, nosso hobby é trabalhar”, conta, antes de admitir que quando há uma brecha nas atividades, gosta de pescar. “Mas tem que levar a sério, tem que estar concentrado, tem que conversar com o peixe. Se ficar pensando na safra, nas contas a pagar, não se pesca nada”.

Íntimo do café desde que nasceu, Tumoru levou seus conhecimentos empíricos da plantação para o laboratório, capacitou-se para além de qualquer expectativa – tendo ido buscar conhecimentos de mutação e melhoramento genético no Japão – e suas pesquisas chegaram a ser reconhecidas como divisores de água na cafeicultura brasileira. As variedades que ele desenvolveu, além dos estudos, têm reconhecimento nacional e internacional e garantiram aumento da produtividade, da qualidade, redução de custos de produção e maior rentabilidade. A três dias de completar seu 23° aniversário, Tumoru ingressou no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar), onde pôde desenvolver uma vida de pesquisa ligada ao café. Ele e sua equipe desenvolveram, por exemplo, a IPR 100 e a IPR 106, as únicas variedades de café arábica do mundo que são resistentes a três espécies de nematoides (um tipo de microvermeparasita), com potencial produtivo e qualidade arábica com genes de café libérica e robusta, respectivamente, com resistência a calor, seca e solo pobre. No total, foram 13 cultivares de café arábica de portes baixos registrados no Ministério da Agricultura, todos com genes de resistência à ferrugem, sendo duas também resistentes aos nematoides e uma resistente a duas espécies da bacteriose Pseudomonas. Além disso, Tumoru possui duas patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) para mecanização na agricultura e publicou 50 trabalhos completos em revistas científicas, 15 capítulos em livros e um livro. Reduziu o tempo de desenvolvimento de cultivares de café a partir da hibridação com a cultivar IAPAR 59 com cinco genes de resistência completa à ferrugem, de 36 para 15 anos. Foi realizado no caso da cultivar IPR 107, de tipo linhagem, transferindo simultaneamente mais de quatro genes de resistência completa por cruzamento teste. Propôs e encaminhou o uso de cultivares híbridas e clones no futuro próximo e deixou um valioso banco de germoplasma composto por acessos de C. arabica da Etiópia proveniente do centro de origem da espécie, germoplasmas com genes de C. canephora, liberica, C. eugenioides e C. racemosa no C. arabica.

Aposentou-se em 2009 do Iapar, como melhorista genético de café, mas continua como voluntário tutor na Unidade de Melhoramento de Café do Instituto, como bolsista do Consórcio Pesquisa Café. Foi líder do Programa Café por quatro anos e gerente do Projeto Café do Iapar desde a criação do Consórcio Pesquisa Café/Embrapa Café. Coordenou o III Simpósio Internacional da Biotecnologia na Cafeicultura 1999 em Londrina. Atualmente também é cafeicultor, consultor agronômico nacional e internacional na Bolívia e em Angola, e se mantém como consultor em cultivo de café para fazendas e difusor de tecnologia em cultivos adensados de café e pós-melhoramento de cultivares de café do Iapar. Como voluntário e diretor agrícola de uma associação beneficente de Londrina, coordena o Simpósio e a Fazendinha Agroinovatec/Exposição Agrícola/ ExpoJapão. Como cafeicultor, é campeão estadual de café qualidade Paraná em 2009, ganhador do Prêmio Kiyoshi Yamamoto 2010, concedido pela Associação Brasileira da Cultura Japonesa, de São Paulo, e da Comenda Braslider em Agronomia 2017, concedida pela Associação Brasileira de Liderança de São Paulo. Integra, ainda, a Comissão Técnica do Sindicato Rural de Londrina (Faep), e a Diretoria da Associação Rede Agrovida Orgânicos.

Entre ser pesquisador e cafeicultor, Tumoru diz que prefere ser cafeicultor, mas faz a ressalva: “monocultura é suicídio”, explicando que também se dedica a outras atividades agrícolas, assim como na pesquisa: participou do melhoramento genético de maracujá e acerola. Casado com Alice, Tumoru é pai de Rogério e Gustavo, caçula que seguiu os passos do progenitor e, hoje, funcionário do Iapar, é chefe do pai bolsista. A equipe de produção deste Livro do Mérito tentou descobrir se a preferência de Tumoru era por expresso ou coado, mas a resposta foi um pouco mais complexa do que o esperado. “Gosto dos dois, expresso e coado com suas variantes, e mais o solúvel arábico, especial, mas frio ou quente, em 200ml de água, o qual considero mais prático. Estou ingressando no café nutracêutico e aí incluiria chá de casca de café orgânico com adicional de vitamina A, que não tem nos grãos, mas com sabor agradável”.

Conheça o eng. civ. Aristides Athayde Cordeiro

Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1957; Especialista em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP), em 1982; Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1994

Nascimento: Curitiba (PR), 26 de janeiro de 1933

Falecimento: Curitiba (PR), 24 de novembro de 2022

Indicação: Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR)

Aristides Athayde Cordeiro seguiu os passos do pai, Gastão Pereira Cordeiro, engenheiro civil formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1928. O General Gastão, renomado na Engenharia do Exército, deixou um legado de ética profissional e respeito ao próximo. Inspirado pelos valores do progenitor, Aristides construiu uma carreira exemplar, contribuindo significativamente para a formação de novos profissionais e o aprimoramento do ensino da Engenharia no Brasil. Ao longo de 65 anos de profissão, Aristides estabeleceu carreira nos ramos da construção civil, da docência e do associativismo. Iniciou a jornada profissional na Empreendimentos Labor S.A., como engenheiro responsável por executar a construção de agências do Banco Bamerindus em várias cidades do interior do Paraná e em Curitiba, entre elas, a famosa agência Avenida, situada no edifício de mesmo nome, erguido em 1962. Na construtora, exerceu ainda os cargos de diretor técnico e superintendente.

Como construtor, superou desafios ao erguer edificações sobre rochas, fixar mármore em pilares e também inovou ao usar formas de madeira de uma laje como acabamento definitivo. Baseado em princípios de inovação, projetou e construiu a casa de sua filha como protótipo de construção moderna. Era assim que ele se destacava: por sua habilidade artística, seu conhecimento sobre materiais e primor no refinamento das obras. Exemplar nos estudos, Aristides deixou uma marca indelével na área acadêmica. Formado pelo Colégio Santa Maria, onde obteve nota 10 em todas as disciplinas na educação básica, foi agraciado com medalhas do mérito pelos colegas de classe. Concluiu a graduação, em 1957, na Escola de Engenharia do Paraná e, mais tarde, voltou à instituição como professor voluntário a convite do engenheiro civil Rubens Meister, sua segunda inspiração profissional. Meister tinha sido acolhido por seu pai, General Gastão Pereira Cordeiro, para trabalhar no projeto do Teatro Guaíra de Curitiba. Aristides, por sua vez, foi efetivado como professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1975, para ministrar disciplinas do curso de Engenharia Civil, como Materiais de Construção Civil, além de Legislação e Prática Profissional, matéria criada por ele. Ainda nos anos 1970, atuou como professor assistente da disciplina Materiais e Detalhes Técnicos das Construções na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), nos cinco primeiros anos da implantação do curso de Arquitetura e Urbanismo.

Comprometido com o aprimoramento do ensino, Aristides defendia a inovação tecnológica e a atualização do currículo do curso de Engenharia Civil. Essa foi a bandeira que ele levantou na UFPR, ao ocupar os cargos de chefe do Departamento de Construção Civil, diretor do Setor de Tecnologia, coordenador do Programa Institucional de Capacitação Docente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pró-reitor de pós-graduação. Essa causa ganhou força quando, nos anos 1980, Aristides assumiu uma cadeira no plenário do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), onde chegou a ocupar o posto de vice-presidente. Em 1985, foi eleito para representar as escolas de Engenharia no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Essa missão foi vista por ele como oportunidade para batalhar pelo aperfeiçoamento da profissão de engenheiro, atribuição que ele assumiu com empenho e retidão, suas maiores qualidades.

Paralelamente, desenvolveu seu trabalho em defesa da modernização da Engenharia nas entidades de classe. No Instituto de Engenharia do Paraná, no qual integrou o Conselho Consultivo, participou de debates com universidades e o Ministério da Educação para analisar a formação de engenheiros, a inserção desses profissionais no mercado de trabalho, a responsabilidade perante a sociedade, a exclusividade do exercício de atividades regulamentadas e as funções da fiscalização do exercício profissional. Ainda no associativismo, Aristides foi vice-presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc), diretor da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), conselheiro do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Paraná (Senai-PR), do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia do Paraná (Concitec) e do Conselho Fiscal da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), onde também foi secretário da Comissão Técnica de Materiais.

Expressiva também foi sua atuação como diretor no Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR). Na entidade, foi ainda consultor por 17 anos, até 2003, período em que publicou dezenas de trabalhos no Boletim da Construção, editado pelo sindicato. Aristides assinava também artigos sobre Engenharia, Arquitetura e Educação na revista Engenharia & Construção, de Curitiba. Foram 11 anos de contribuição em todos os números daquele mensário até o final da circulação em 2007. Sua produção intelectual rendeu mais de 120 artigos sobre relevantes temas, como “Novos métodos construtivos”, “Precursor da Engenharia moderna”, “A reformulação do ensino da Engenharia” e “Algoritmo para cálculo de rampas”, os quais foram reunidos na publicação intitulada Projeto Básico, organizada pelo autor e revisada em 2020, durante o isolamento social devido à pandemia da covid-19. O compromisso com a inovação e o aperfeiçoamento da profissão de engenheiro resume a sólida carreira de Aristides na construção civil, no ensino e no associativismo. Seu legado é perpetuado por meio das inúmeras obras que supervisionou, das mentes que inspirou nas salas de aula e das políticas de melhoria que defendeu incansavelmente em prol da modernização e ética na profissão. Aristides Athayde Cordeiro, filho, esposo, pai, avô e bisavô é lembrado ainda por sua bondade, generosidade e capacidade de amar incondicionalmente.

 

Todas as fotos da comitiva do Crea-PR estão disponíveis aqui.


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