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Acesso em 30/10/2026 às 07h07.
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3º Fórum do CET Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Crea-PR é realizado em Curitiba

18 de dezembro de 2024, às 10h51 - Tempo de leitura aproximado: 19 minutos

3º Fórum do CET Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Crea-PR é realizado em Curitiba.

No dia 18 de dezembro, Curitiba sediou o 3º Fórum do Comitê de Estudos Temáticos da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Crea-PR. O evento, realizado em parceria com o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), reafirma o compromisso do Crea-PR com a segurança e a cultura preventiva no estado.

Segurança contra Incêndios

O tema deste ano foi “Incêndios e Acidentes – Além das Edificações”. O objetivo principal foi promover práticas preventivas e normas técnicas voltadas à segurança contra incêndios. O fórum abordou os desafios atuais e apresentou soluções inovadoras para proteger a população.

Formato Híbrido: Maior Acessibilidade

O evento ocorreu no auditório do IEP e foi transmitido ao vivo pelo YouTube. Essa abordagem híbrida permitiu que profissionais de todo o estado participassem, ampliando o alcance das discussões e democratizando o acesso à informação técnica. As gravações das palestras estão disponíveis para consulta.

Abertura do Evento

A solenidade de abertura destacou a importância da colaboração entre engenheiros, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros na promoção de segurança e prevenção de riscos para a sociedade. A Eng. Civ. Margolaine Giacchini, representando o Presidente do Crea-PR, Eng. Agr. Clodomir Ascari, enfatizou a relevância da prevenção contra incêndios como um aspecto essencial da engenharia.

“Essas atividades cuidam diretamente das pessoas e da vida. Este fórum fortalece a conexão entre o Crea-PR, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, promovendo ações que tornam nossas edificações mais seguras e nossa engenharia voltada para o bem-estar social”, afirmou Margolaine.

O Eng. Civ. Paulo Meurer, Conselheiro e Coordenador do Comitê de Estudos Temáticos da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Crea-PR, e o Capitão Thiago Shinzel, representando o Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros do Paraná, Coronel Vasco, também estiveram presentes, reforçando a importância da parceria institucional e as iniciativas voltadas à educação em escolas estaduais e municipais, além do papel fundamental da engenharia em situações de emergência.

Entre as personalidades que compuseram o dispositivo de honra estava o Eng. Mec. João Groque Jr., representando o Presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Eng. Civ. José Carlos Dias Lopes da Conceição, que destacou a relevância dos temas debatidos e a necessidade de conscientização sobre segurança e percepção de riscos no cotidiano.

Riscos de Incêndios na Interface Urbano-Florestal

O Coronel Dr. George Cajaty Barbosa Braga, do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, apresentou a palestra “Incêndio na Interface Urbano-Florestal”. Ele discutiu os crescentes riscos desse tipo de incêndio, que ocorre quando o fogo avança de áreas florestais para regiões urbanas, ameaçando residências.

O Coronel destacou que esses incêndios estão se tornando mais frequentes devido a fatores como as mudanças climáticas, que resultam em um clima mais quente e seco, além da densidade populacional crescente. Ele classificou os tipos de interface urbano-florestal em duas categorias:

  1. Interface: áreas urbanas densamente povoadas próximas à vegetação.
  2. Intermix: regiões de menor densidade habitacional integradas à vegetação.

Essas classificações são essenciais para a avaliação de riscos e para o planejamento de estratégias de mitigação. O Coronel ressaltou a importância de estudar o tamanho dos terrenos e a distância entre as estruturas para realizar análises de risco eficazes.

Estratégias de Mitigação

A palestra proporcionou insights valiosos sobre ações preventivas e estratégias eficazes para combater incêndios em áreas de interface urbano-florestal. Destacou a importância de integrar planejamento urbano, engenharia e educação comunitária. O Coronel enfatizou a necessidade de entender os fatores que permitem a rápida propagação do fogo e a criação de locais de refúgio, além da implementação de um sistema de detecção e notificação.

Mudanças Climáticas: Cenários e Impactos

A segunda palestra foi conduzida por Marco Jusevicius, Meteorologista, que discutiu “Cenários e Perspectivas sobre Mudanças Climáticas Globais e Seus Impactos”, seguindo as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ele explicou que as mudanças climáticas estão sendo aceleradas pela ação humana, comparando o efeito estufa natural com a atividade humana, que libera gases de efeito estufa em volumes muito superiores aos que os ciclos naturais conseguem reciclar.

Marco identificou os principais responsáveis pelo aumento dos gases de efeito estufa, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. O principal desafio atual é a descarbonização, tanto em nível coletivo quanto individual. Ele destacou que os Estados Unidos, a Europa e a China são os maiores emissores de gás carbônico.

Evidências Científicas e Impactos Ambientais

O meteorologista apresentou evidências científicas sobre as mudanças climáticas, como medições de aquecimento global, degelo das áreas polares e o aumento da frequência de eventos climáticos extremos. Entre os impactos ambientais mencionados estão:

  • Perda da biodiversidade: Muitas espécies estão em risco de extinção devido às alterações nos habitats.
  • Acidificação dos oceanos: O aumento do CO₂ dissolvido prejudica a vida marinha.
  • Desertificação: Áreas produtivas estão se transformando em desertos, comprometendo a segurança alimentar.

Impactos Sociais e Econômicos

Marco também abordou os efeitos sociais e econômicos das mudanças climáticas, incluindo:

  • Escassez de recursos: A diminuição da água potável e dos alimentos afeta a qualidade de vida.
  • Migrações climáticas: Comunidades são forçadas a se deslocar devido a desastres naturais.
  • Custos econômicos: Os impactos climáticos geram altos custos para governos e sociedades.

Os desafios da segurança contra incêndios em veículos elétricos

A terceira palestra do evento foi ministrada por Marcos Valle, coordenador da Comissão de Sistema de Energia Eletroquímica do Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio da ABNT. Ele iniciou compartilhando sua trajetória profissional com o tema e sua experiência na Federação Internacional de Automobilismo, ressaltando o crescimento do uso de veículos elétricos e as preocupações relacionadas à segurança.

Benefícios das baterias de íon de lítio
Valle destacou o papel central das baterias de íon de lítio na mobilidade elétrica e listou seus principais benefícios:

  • Alta densidade energética: permite maior autonomia aos veículos, reduzindo a necessidade de recargas frequentes.
  • Longevidade e durabilidade: suportam milhares de ciclos de carga e descarga com degradação mínima, garantindo confiabilidade.
  • Carregamento rápido: reduz o tempo de recarga, aumentando a conveniência para os usuários.
  • Peso reduzido: melhora a eficiência energética dos veículos.

Funcionamento e desafios das baterias
Valle explicou o funcionamento químico das baterias de íon de lítio, que geram e armazenam energia através de reações químicas. Ele enfatizou que o problema em casos de incêndio não está relacionado diretamente ao lítio – que representa apenas 3% do peso de uma bateria –, mas às reações químicas que ocorrem durante o superaquecimento.

O gerenciamento térmico das baterias passa por quatro estágios:

  1. Equilíbrio térmico: operações normais com reações químicas estáveis.
  2. Anomalia térmica: superaquecimento inicial, geralmente acima de 60 °C.
  3. Colapso térmico: ocorre por volta de 90 °C, sendo irreversível.
  4. Fuga térmica: explosão com temperaturas de até 700 °C, liberando vapores inflamáveis e toxinas.

Valle destacou que a fuga térmica não pode ser combatida, e o maior risco reside na avalanche térmica, cuja gravidade aumenta com o número de células presentes na bateria. Ele apresentou também uma tabela que classifica os incêndios envolvendo baterias em diferentes níveis:

  • Nível 0: Baterias de até 1 kWh (smartphones e powerbanks). A fuga térmica dura poucos minutos, com impacto ambiental baixo e baixa emissão de gases tóxicos.
  • Nível 1: Baterias acima de 1 kWh até 1 MWh em espaço aberto (bicicletas e veículos elétricos). A fuga térmica pode durar horas, com uma zona quente de até 30 metros e alta emissão de gases tóxicos. É necessário preparo para combate.
  • Nível 2: Baterias de mesma capacidade, mas em espaços fechados (veículos de grande porte e sistemas de armazenamento). Os perigos são semelhantes aos do nível 1, mas com maior impacto sobre edificações e exigência de maior especialização no combate ao fogo.
  • Nível 3: Baterias acima de 1 MWh (depósitos, indústrias, estacionamentos, hospitais e aviões). A fuga térmica pode durar dias, com zona quente de até 400 metros, e o impacto ambiental é considerável.

Modos de falha e segurança
Valle explicou que os modos de falha podem ser causados por estresse mecânico, térmico, elétrico, termoelétrico ou químico. Ele ressaltou que compreender esses processos é essencial para desenvolver medidas eficazes de segurança, além de orientar equipes de combate a incêndios sobre os cuidados específicos com cada tipo de bateria.

Com uma abordagem detalhada e técnica, a palestra reforçou a necessidade de constante evolução na regulamentação e nas práticas de segurança relacionadas à mobilidade elétrica.

Características do incêndio eletroquímico: Avalanche térmica sustenta o fogo, emissão de gases tóxicos e inflamáveis, ignição em nuvem, potencial de formar atmosfera explosiva e ejeção de materiais incandescentes.

Produtos perigosos

A quarta palestra do evento foi conduzida pelo Tenente-Coronel QOBM Jonas Emmanuel Benghi Pinto, que abordou o tema produtos perigosos, destacando os pictogramas de identificação, as principais ameaças associadas a cada classe de substância e os protocolos de segurança em incidentes.

Principais classes de produtos perigosos

Jonas apresentou as nove classes de produtos perigosos, detalhando suas características e riscos:

  1. Explosivos
    • Liberação rápida de energia em forma de luz, som e calor.
    • Formação de gases com efeitos de sobrepressão, gerando ondas de choque.
    • Riscos incluem projeção de objetos e estilhaços em áreas adjacentes.
  2. Gases
    • Principais ameaças: inflamabilidade, toxicidade, oxidação, corrosividade, asfixia, queimaduras por frio e congelamento severo.
  3. Líquidos inflamáveis
    • Perigos: inflamabilidade, combustão de vapores, explosividade, polimerização, toxicidade para mucosas, danos ao meio ambiente e risco de morte em casos graves.
  4. Sólidos inflamáveis
    • Principais riscos: combustão de sólidos e gases resultantes, reações com aquecimento espontâneo e substâncias autorreativas.
  5. Substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos
    • Potencializam a combustão de outros materiais.
    • Instabilidade química com risco de explosão.
    • Altamente reativos com compostos orgânicos.
    • Podem causar irritação severa em mucosas.
  6. Substâncias tóxicas e infectantes
    • Contaminações agudas ou crônicas que podem levar a enfermidades graves.
    • Danos ao sistema nervoso, paradas cardiorrespiratórias e lesões em pele e mucosas.
    • Risco elevado de infecções.
  7. Materiais radioativos
    • Efeitos: queimaduras, necrose de tecidos, câncer, alterações genéticas e síndrome aguda de radiação.
    • Em incidentes nucleares, há risco de grande liberação de energia, dispersão radioativa e lesões decorrentes de explosões.
  8. Corrosivos
    • Corrosão de tecidos vivos, estruturas e materiais.
    • Reações com outros produtos podem gerar perigos adicionais.
    • Exemplos: ácido clorídrico, ácido sulfúrico e ácido nítrico.
  9. Substâncias e artigos diversos
    • Incluem itens como baterias de lítio e organismos geneticamente modificados.
    • Riscos: irritação de mucosas e pele, além de danos generalizados ao meio ambiente.

Zonas de controle e corredor de redução de contaminação

Jonas destacou o funcionamento das zonas de controle, essenciais para a segurança em incidentes:

  • Zona quente: Área onde ocorre o incidente, com maior exposição ao risco.
  • Zona morna: Área de contenção, onde as operações de mitigação são realizadas.
  • Zona fria: Área mais segura, destinada ao controle estratégico e suporte das operações.

O palestrante também explicou o corredor de redução de contaminação, estruturado para minimizar a exposição ao perigo e assegurar a segurança das equipes e do ambiente.

Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)

Para garantir a segurança das equipes de resposta, Jonas abordou os diferentes níveis de EPIs, cada um adequado à gravidade do incidente:

  • Nível A: Máxima proteção para a pele e mucosas, ideal para ambientes de alto risco.
  • Nível B: Foco em máxima proteção respiratória em situações críticas.
  • Nível C: Proteção respiratória adequada para ambientes controlados.
  • Nível D: Traje de trabalho comum, utilizado em situações de baixo risco.

Ações de controle

O palestrante explicou as diferentes abordagens utilizadas em incidentes com produtos perigosos:

  • Ações ofensivas: Realizadas dentro da zona quente, essas ações têm como objetivo conter, parar ou reduzir o vazamento ou derramamento diretamente na fonte.
  • Ações defensivas: Executadas fora da zona quente, essas ações utilizam técnicas e equipamentos básicos, além de EPIs comuns. O foco é minimizar os impactos ao meio ambiente e proteger a equipe de forma indireta.

Não intervenção: Utilizada em situações onde o nível de exposição não justifica o risco, como em vazamentos de gás incontroláveis. Nesse caso, o isolamento da área é a medida mais segura a ser adotada.

Segurança em Unidades Armazenadoras de Grãos

A quinta palestra foi conduzida pelo Eng. Agr. e Eng. Civ. Valdir da Cruz de Oliveira, que abordou o incidente de Palotina e os riscos associados ao funcionamento de unidades armazenadoras de grãos.

Processos em Unidades Armazenadoras

Valdir iniciou explicando os principais processos envolvidos em uma unidade armazenadora, que desempenha um papel essencial no recebimento, beneficiamento e armazenamento de grãos. Ele detalhou as seguintes etapas:

  1. Pesagem e Classificação: Identificação e registro das características do produto recebido.
  2. Recebimento (Moegas): Descarga inicial dos grãos na unidade.
  3. Pré-limpeza e Limpeza: Remoção de impurezas e resíduos dos grãos.
  4. Secagem: Redução do teor de umidade, uma etapa crítica para evitar perdas por deterioração.
  5. Armazenamento em Silos: Depósito seguro dos grãos após o beneficiamento.
  6. Transporte Interno: Movimentação dos grãos entre as etapas do processo.

Valdir destacou que os incêndios costumam ocorrer durante a etapa de secagem, devido ao aumento das condições propícias à combustão.

Atmosfera de Risco

Durante a palestra, foi enfatizado que todos os processos em unidades armazenadoras geram uma atmosfera de risco, causada por fatores como:

  • Presença de gás, vapor ou névoa inflamável.
  • Poeira combustível em suspensão.
  • Concentração de oxigênio em níveis perigosos.

Valdir explicou que, embora seja impossível eliminar completamente o risco, é possível controlá-lo por meio de boas práticas e monitoramento constante.

Atmosferas Deficientes em Oxigênio

Outro ponto importante abordado foi o perigo associado a atmosferas com níveis insuficientes de oxigênio. Ele apresentou dados alarmantes:

  • Um ambiente com 19,5% ou mais de oxigênio é considerado seguro.
  • Quando o nível cai para 4% a 6%, ocorre óbito em pouco tempo devido à insuficiência respiratória.

Riscos Associados

Valdir também destacou os seguintes riscos associados ao funcionamento de unidades armazenadoras de grãos:

Soterramento

O soterramento pode ser gerado pelo desmoronamento de placas verticais, durante o carregamento de um silo ou pela deterioração de grãos. A prevenção inclui:

  • Paralisação da carga ou descarga.
  • Fechamento de registros ao trabalhar no interior de silos.
  • Uso de cintos de segurança com linha de vida.
  • Oferecimento de treinamento para o ambiente e na limpeza, que deve ser feita de cima para baixo para evitar soterramento do trabalhador.

Explosão de Pó

A explosão de pó pode ocorrer por diversos fatores, como:

  • Manutenção inadequada.
  • Instalações elétricas defeituosas.
  • Falta de limpeza.
  • Atrito de componentes metálicos.
  • Falta de treinamento para trabalhadores.
  • Realização de trabalhos a quente em ambientes com excesso de poeira em suspensão.
  • Descargas atmosféricas.

Por isso, a quantidade de pó em suspensão deve atender a limites específicos. Fatores que influenciam uma explosão incluem:

  • Pó seco e suspenso no ar.
  • Concentração dentro dos limites de explosividade.
  • Confinamento dos pós em invólucros ou edificações que não contenham áreas de alívio devidamente dimensionadas.
  • Existência de oxigênio no local.
  • Existência de uma fonte de ignição.

Acidente em Palotina

Por fim, Valdir apresentou informações sobre o acidente ocorrido em Palotina, que, segundo laudo da Polícia Civil do Paraná, foi causado por uma explosão de pó. O laudo indicou acúmulo de pó no túnel e uma fonte de ignição proveniente do atrito de uma ferramenta manual (pá) com o piso de concreto do túnel.

Aqui está a versão atualizada da sexta palestra, incluindo a informação sobre os exemplos de acidentes ambientais e o trabalho do perito:

Perícias em Acidentes Ambientais

A palestra começou com uma introdução aos produtos perigosos, definidos como aqueles que representam risco para a saúde das pessoas, segurança pública ou meio ambiente. O palestrante também destacou a importância da responsabilidade e corresponsabilidade, conforme estabelecido na lei de crimes ambientais.

A palestra foi marcada por diversos exemplos de acidentes ambientais, ilustrando a gravidade do tema e o impacto desses incidentes. O foco central da apresentação foi nas perícias em acidentes ambientais. O palestrante, Paulo, questionou: “Como eu atuo olhando para esse cenário sendo respondedor de emergência?”, enfatizando a necessidade de compreensão do papel do perito nesse contexto.

Ele apresentou as principais perguntas que são frequentemente feitas durante o trabalho pericial, destacando a complexidade e a responsabilidade envolvidas na análise de acidentes ambientais.

Gestão de Desastres

A sétima palestra foi conduzida pelo Eng. Civ. Ivan Ricardo Fernandes, Coordenador Executivo da Defesa Civil do Paraná. Ivan iniciou sua apresentação abordando as chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul neste ano, estabelecendo uma conexão com a importância da engenharia em situações de desastre.

Ele questionou a audiência se algum dos presentes já havia participado de eventos relacionados a desastres, como deslizamentos ou inundações, instigando uma reflexão sobre o papel do profissional da engenharia nesses contextos. “Será que um profissional da engenharia tem espaço nesses eventos?” indagou Ivan, destacando a relevância da atuação dos engenheiros em situações críticas.

Ivan também falou sobre os profissionais que compõem o Sistema de Defesa Civil, explicando a diferença entre desastres de causas naturais e tecnológicos. Em ambos os tipos de desastres, ele enfatizou que os profissionais das engenharias têm um papel fundamental a desempenhar.

Durante a palestra, Ivan apresentou casos de desastres e explicou a atuação dos profissionais em cada um deles, destacando que os engenheiros podem fazer avaliações técnicas e recomendar a retirada de pessoas das residências quando necessário. Ele também explicou que, por meio de um decreto, o Governo do Estado pode remunerar qualquer profissional que preste colaboração de natureza técnica especializada em desastres naturais.

Ivan falou sobre a criação da Rede Estadual de Resposta em Desastres (RERD), que tem como finalidade atuar em atividades de prevenção, mitigação e preparação em áreas de risco, além de resposta e recuperação após a ocorrência de desastres naturais e tecnológicos. O objetivo é garantir o socorro e a assistência à população, bem como o restabelecimento de serviços essenciais. Qualquer pessoa física ou jurídica com capacidade técnica pode atuar na RERD, cuja participação será considerada serviço público relevante e não remunerado. A RERD será subordinada à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Paraná.

Ao final, Ivan apresentou dados históricos da Defesa Civil desde 1980, destacando que foram registradas mais de 11 mil ocorrências, afetando mais de 15 milhões de pessoas, sendo os vendavais a ocorrência mais comum.

Fases de Ação da Defesa Civil

  1. Prevenção: Esta fase envolve a identificação de riscos e a implementação de medidas para evitar a ocorrência de desastres. Inclui a elaboração de planos de contingência, a construção de infraestrutura resistente e a realização de campanhas educativas para a conscientização da população sobre os riscos existentes.
  2. Mitigação: A mitigação refere-se a ações que visam reduzir a gravidade e os impactos de desastres. Isso pode incluir melhorias na infraestrutura, como a construção de barragens e drenagens, bem como a adoção de práticas de uso do solo que minimizem a exposição a desastres naturais.
  3. Preparação: Esta fase envolve a capacitação e o treinamento de equipes, bem como a criação de sistemas de alerta e a realização de simulações e exercícios. O objetivo é garantir que a população e os profissionais estejam prontos para responder rapidamente em caso de um desastre.
  4. Resposta: A resposta é a fase em que ações imediatas são tomadas para lidar com as consequências de um desastre. Isso inclui o resgate de vítimas, a prestação de primeiros socorros, a distribuição de alimentos e água, e a restauração de serviços essenciais. A comunicação eficiente durante esta fase é crucial para coordenar os esforços de ajuda.
  5. Recuperação: Após a resposta inicial, a fase de recuperação visa restaurar a normalidade na área afetada. Isso pode incluir a reconstrução de infraestruturas, apoio psicológico aos afetados, e a implementação de projetos para prevenir desastres futuros. A recuperação pode ser um processo de longo prazo, dependendo da gravidade do desastre.

Cada uma dessas fases é interdependente e essencial para garantir uma resposta eficaz da Defesa Civil, minimizando os impactos de desastres e promovendo a resiliência das comunidades.

Engenharia e defesa civil

As palestras do 3º Fórum do CET Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Crea-PR foram fundamentais para fortalecer a consciência sobre a segurança e a prevenção de riscos em nossa sociedade. Com a troca de experiências e o compartilhamento de conhecimentos, os especialistas abordaram questões cruciais que impactam diretamente a vida das comunidades.

A integração da engenharia com a Defesa Civil e os Corpo de Bombeiros é essencial para desenvolver estratégias eficazes de mitigação e adaptação, garantindo um futuro mais seguro para todos.

A participação ativa de engenheiros, autoridades e profissionais da área demonstrou o compromisso coletivo em promover uma cultura de prevenção, indispensável para enfrentar os desafios atuais e futuros.

Matéria em atualização.


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