As pioneiras da Engenharia, da Agronomia e das Geociências: mulheres que abriram caminhos para gerações
29 de maio de 2025, às 16h55 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Elas foram as primeiras a enfrentar os preconceitos, a desafiar padrões e a ocupar espaços que, até então, eram exclusivamente masculinos. A história da Engenharia, da Agronomia e das Geociências no Brasil está marcada pela coragem de mulheres pioneiras que, com talento e perseverança, romperam barreiras e deixaram um legado inspirador.
Pioneiras da Engenharia
Edwiges Maria Becker Hom’meil foi a primeira mulher a se formar engenheira no Brasil, em 1917, pela Escola Polythecnica do então Distrito Federal (hoje UFRJ). Sua conquista foi um marco e abriu caminho para outras mulheres interessadas na área.
Carmen Velasco Portinho, formada em 1925 pela mesma instituição, foi a primeira urbanista do país. Atuou na prefeitura do Rio de Janeiro, criou o conceito de habitação popular no Brasil e participou ativamente do movimento sufragista ao lado de Bertha Lutz, sendo uma voz influente na luta pelos direitos das mulheres.
Enedina Alves Marques, paranaense formada em 1945 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi a primeira mulher negra engenheira do país. Trabalhou no Departamento de Águas e Energia Elétrica do Paraná e participou da construção da Usina Capivari-Cachoeira. É homenageada até hoje por sua força e pioneirismo.
Aïda Espinola teve uma trajetória acadêmica brilhante. Formou-se em Engenharia Química em 1954 e se destacou nos estudos sobre rochas de reservatórios de petróleo, com contribuições fundamentais para o conhecimento do pré-sal. Publicou mais de 150 artigos científicos e lançou, aos 93 anos, o livro “Ouro Negro”.
Mulheres que transformaram a Agropecuária
Na Agronomia, Maria Eulália da Costa foi a primeira mulher a se formar no Brasil, em 1915, pela escola que hoje é a Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (UFPel). Seu nome permanece vivo em centros acadêmicos e no Memorial Maria Eulália da Costa.
Outra referência é Veridiana Victoria Rossetti, formada em 1937 pela USP. Trabalhou por seis décadas no Instituto Biológico e se tornou uma autoridade mundial em doenças cítricas. Foi reconhecida internacionalmente com dezenas de prêmios.
Ana Maria Primavesi, austríaca naturalizada brasileira, foi uma das responsáveis por revolucionar a agricultura brasileira com a introdução da agroecologia. Fundadora da Associação de Agricultura Orgânica, escreveu 11 livros e ajudou a criar o primeiro curso de pós-graduação em Agricultura Orgânica no Brasil.
Na Engenharia Agrícola, Ilá Maria Corrêa foi a única mulher da primeira turma do curso no país, em 1977, na UFPel. Com carreira voltada à pesquisa, é referência em publicações científicas na área.
Mulheres das águas e dos ventos
Na Engenharia de Pesca, Sigrid Neumann Leitão se formou em 1974 pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sendo a única mulher da turma. Foi pioneira em denunciar os impactos ambientais do Porto de Suape e construiu carreira sólida como professora e pesquisadora.
Na Meteorologia, Vera Aldreida Malfa Pereira foi a primeira a apresentar a previsão do tempo na TV brasileira. Funcionária do Inmet, participou da luta pela regulamentação da profissão e presidiu a Sociedade Brasileira de Meteorologia, sempre destacando a atuação feminina na área.
Pioneiras das Geociências
Entre essas histórias inspiradoras, estão as mulheres das Geociências, cujo trabalho contribuiu, e continua contribuindo, para o desenvolvimento sustentável, o planejamento territorial e urbano, a mitigação de riscos ambientais e a exploração responsável dos recursos naturais. Para representar as tantas profissionais das Geociências, destacamos duas pioneiras de atuação notável.
Nicéa Maggessi Trindade Wilder foi a primeira mulher a trabalhar no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), hoje parte da Agência Nacional de Mineração (ANM). Nascida em Alfenas (MG), em 1928, formou-se em História Natural pela UFRJ e dedicou sua carreira ao estudo da paleontologia, com foco em palinologia e megásporos. Atuou como professora assistente na UFRJ e publicou dezenas de estudos científicos de referência sobre fósseis da Região Sul. Seu trabalho abriu caminhos para outras pesquisadoras no campo da paleobotânica. Nicéa faleceu em 2019, aos 91 anos, nos Estados Unidos, onde concluiu seu doutorado em Geociências pela Universidade do Arizona.
Outra referência é Diana Mussa, uma das primeiras geólogas e paleobotânicas do Brasil. Natural de Campos dos Goytacazes (RJ), formou-se em História Natural e Geologia pela UFRJ. Teve uma trajetória singular, combinando ciência e atuação social: entre 1958 e 1961, viveu em Tefé (AM) como missionária voluntária. De volta ao Rio, atuou na Comissão Nacional de Energia Nuclear e concluiu pós-graduação na USP. Foi reconhecida por seu trabalho com flora fóssil do Devoniano, deixando um legado de cerca de 30 gêneros de vegetais fósseis descritos. Diana também ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Paleontologia.
Essas mulheres não apenas venceram desafios pessoais e profissionais, como também abriram caminhos para que outras pudessem sonhar com uma carreira nas áreas tecnológicas. São pioneiras, líderes e exemplos vivos de que a presença feminina na Engenharia, na Agronomia e nas Geociências veio para ficar e transformar.
Consultas Públicas
Faltou citar as primeiras Engenheiras das demais modalidades da Engenharia e Geociências.
Olá, Ana, bom dia!
Agradecemos pelo seu apontamento! Informamos que já realizamos a atualização da publicação, incluindo as primeiras Engenheiras das demais modalidades da Engenharia e Geociências.