Engenheiras do Paraná representam a categoria na 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente
13 de maio de 2025, às 15h20 - Tempo de leitura aproximado: 6 minutos

A atuação técnica e a participação cidadã de engenheiras paranaenses foram destaques na 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (5ª CNMA), realizada entre os dias 6 e 9 de maio em Brasília. O evento, que marcou a retomada da governança ambiental participativa no Brasil após mais de uma década, teve como tema central “Emergência Climática: o Desafio da Transformação Ecológica”.
Entre os mais de 1.500 delegados e delegadas de todo o país, o Paraná foi representado por profissionais da Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal engajadas na formulação de políticas públicas sustentáveis. A presença ativa dessas profissionais nos debates nacionais só foi possível graças ao engajamento de entidades de classe regionais e ao apoio do Crea-PR, que incentiva a representatividade técnica nos espaços de decisão.
Segundo o presidente do Crea-PR, eng. agr. Clodomir Ascari, essa atuação reforça o compromisso do Conselho com a sustentabilidade. “A Engenharia Ambiental é uma das áreas estratégicas para o futuro das cidades. Contar com representantes que levam ao debate público a visão técnica e ética da profissão fortalece nosso compromisso com uma sociedade mais justa, segura e ambientalmente responsável. Seguiremos investindo em ações que aproximem os profissionais da sociedade e fortaleçam a representatividade técnica nos conselhos, fóruns e demais instâncias que impactam o desenvolvimento sustentável do Paraná.”
Essa visão também é compartilhada pela engenheira ambiental Isabella Yumi Mori, diretora da Associação Norte Paranaense de Engenheiros Ambientais (ANPEA) e conselheira do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina. Eleita como delegada estadual, Isabella representou o Paraná na etapa nacional da conferência. “Ter sido eleita em cada etapa reforça a relevância da Engenharia Ambiental. O Brasil é um país diverso, com muitas particularidades, mas com problemas que se convergem. Construir um país resiliente no enfrentamento das mudanças climáticas só é possível com iniciativas como essa, unindo sociedade civil, poder público, setor privado e povos tradicionais no debate participativo e inclusivo. Espero levar esse aprendizado para a nossa realidade e colaborar com novas ações no nosso estado.”
Outra representante paranaense foi Ana Marise Auer, engenheira florestal e inspetora do Crea-PR na Regional Curitiba, indicada pela Associação Paranaense dos Engenheiros Florestais (APEF). Ela destacou o caráter técnico de sua contribuição: “minha participação na 5ª CNMA foi de responsabilidade e colaboração técnica. Apresentei uma moção sobre a necessidade do plantio de espécies nativas em pequenas propriedades rurais, com fins comerciais. Essa proposta, que foi assinada por 272 delegados e aprovada na plenária final, tem potencial de beneficiar economicamente o pequeno produtor e reduzir a pressão sobre os remanescentes florestais.”
Para Ana, o evento foi marcante pela diversidade dos participantes e pela qualidade dos debates. “Foi um momento histórico. Aprendi muito com pessoas que pensam diferente e com aquelas que reforçam nossos conhecimentos. A palestra magna do Dr. Carlos Nobre, por exemplo, foi clara e científica ao abordar os impactos das mudanças climáticas causadas pelas atividades humanas, como o desmatamento e a emissão de gases de efeito estufa.”
Uma conferência plural e representativa
A 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente foi organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com correalização da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB), e apoio de instituições como o SEBRAE, MEC e ONU.
Antes da etapa nacional, o processo envolveu mais de 900 conferências livres, municipais e estaduais, mobilizando 2.570 municípios e resultando em mais de 500 propostas. Na etapa final, os delegados elegeram as 100 melhores proposições para compor a base do novo Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima), com ações previstas até 2035 e subsídios para a participação do Brasil na COP30, que será realizada em Belém–PA.
A diversidade da conferência também chamou atenção: 56% dos delegados eram mulheres, 64% se autodeclararam pretos e pardos, e um terço pertencia a povos indígenas e comunidades tradicionais.
Os debates foram organizados em cinco eixos temáticos:
- Mitigação – ações para reduzir emissões de gases de efeito estufa;
- Adaptação e preparação para desastres – estratégias frente aos impactos das mudanças climáticas;
- Justiça climática – políticas que considerem as populações mais vulneráveis;
- Transformação ecológica – transição para modelos sustentáveis de produção e consumo;
- Governança e educação ambiental – fortalecimento da participação social e da conscientização coletiva.
Representatividade técnica como estratégia de futuro
A atuação das engenheiras paranaenses reforça o papel dos conselhos profissionais, como o Crea-PR, na promoção da ética, da ciência e da técnica como pilares das políticas públicas. Além de garantir representatividade da categoria, o envolvimento com conferências como a CNMA evidencia que a transformação ecológica e o enfrentamento da emergência climática passam, necessariamente, pela atuação qualificada dos profissionais da engenharia.
“Participar de um evento de tamanha dimensão, com a presença de autoridades como a ministra Marina Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin, é intenso e singular. Mas saber que levamos a nossa contribuição técnica, de fato, para a construção de um Brasil mais sustentável é o que dá sentido a tudo isso”, conclui Ana Auer.
Sobre a 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente
A 5ª CNMA foi promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), para atualizar a política nacional sobre mudanças climáticas e propor diretrizes para o novo Plano Clima, com vigência até 2035. A metodologia da conferência priorizou a participação social desde as etapas preparatórias, com mais de 900 conferências livres, municipais e estaduais realizadas em todo o Brasil. Ao todo, foram mobilizados representantes de 2.570 municípios, reunindo milhares de cidadãos em debates e na construção de propostas.
Durante os quatro dias da etapa nacional em Brasília, os delegados participaram de painéis, grupos de trabalho e sessões plenárias que discutiram os cinco eixos temáticos principais da conferência: mitigação, adaptação e preparação para desastres, justiça climática, transformação ecológica e governança e educação ambiental. Como resultado, cem propostas prioritárias foram eleitas para compor o plano estratégico nacional e influenciar a atuação do Brasil nos fóruns internacionais, como a COP30.
Além dos debates técnicos, a conferência contou com apresentações culturais, feiras de sustentabilidade e um ambiente diverso e representativo, com maioria de mulheres entre os delegados (56%), presença significativa de pessoas negras (64%) e de povos indígenas e comunidades tradicionais (33%).
A 5ª CNMA marcou um novo momento na governança ambiental do país, colocando a participação social no centro das decisões estratégicas e reafirmando o compromisso do Brasil com o enfrentamento da emergência climática.
Para mais informações, acesse o portal oficial da 5ª CNMA.









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