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Acesso em 02/11/2026 às 01h20.
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EPEC: inovação na engenharia paranaense em destaque

14 de novembro de 2025, às 14h27 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

O painel “Protagonismo da Engenharia Paranaense”, realizado no último dia do 51º EPEC, consolidou o Paraná como um centro de inovação e excelência na engenharia. Os palestrantes, líderes em seus setores, demonstraram que a engenharia do estado está na vanguarda, especialmente nas áreas de construção sustentável, desempenho industrial e infraestrutura de grande porte.

“Nós não precisamos ir para fora, nem para os Estados Unidos, nem para a Europa. Basta a gente vir aqui para o Paraná. Nós temos exemplos aqui e estamos no topo da engenharia mundial,” afirmou o mediador do debate, o engenheiro mecânico Edson Luiz Haluch, que é presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná (IBAPE-PR).

Sustentabilidade e eficiência

A tese de que o Paraná decidiu inovar na construção civil foi apresentada pelo engenheiro eletricista Rafael Ribeiro Sabetzki, sócio da Petinelli, empresa de consultoria e engenharia em sustentabilidade em sua palestra: certificação LEED e a engenharia sustentável na prática.

Segundo ele, sustentabilidade é sinônimo de produtividade e engenharia inteligente, provando que é possível unir alto desempenho e viabilidade econômica. “Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. A engenharia paranaense decidiu fazer diferente,” afirmou Sabetzki.

A Petinelli foi a primeira empresa brasileira a ganhar o prêmio Leadership Awards 2019 do USGBC (U.S. Green Building Council), órgão internacional responsável pela certificação de empreendimentos sustentáveis ao redor do mundo, na categoria de projetos.

Sabetzki citou diversos exemplos práticos e recordistas que estabeleceram o Paraná como uma referência global em construção sustentável. Os empreendimentos citados apresentam alta performance nas certificações LEED e WELL. Entre os destaques, o Eurobusiness, em Curitiba, foi pioneiro ao se tornar o primeiro edifício no mundo com a certificação LEED Zero Water, tratando e reutilizando 100% de sua água residual in loco.

Outro marco em escala urbana é o Eurogarden, em Maringá, um bairro que ostenta a certificação LEED Platinum na categoria Comunidades, sendo considerado o mais sustentável do mundo nesse sistema.

A inovação não se limitou a novas construções: a Portobello Shop de Curitiba conquistou o selo LEED V5 Platinum para Operação e Manutenção, demonstrando a viabilidade da sustentabilidade em edifícios existentes.

Por fim, o Hospital Erastinho provou a viabilidade econômica ao se tornar a primeira instituição do Brasil a obter as certificações LEED for Healthcare e WELL Building, focadas em eficiência e bem-estar dos ocupantes. Esses exemplos, segundo Sabetzki, comprovam que a excelência técnica do Paraná desmistifica o custo da sustentabilidade, focando na otimização de recursos.

O painel concluiu com a menção de que o Paraná está apto a entregar a mais alta performance em engenharia, com o projeto da nova sede do Crea-PR, que busca o inédito quádruplo LEED Zero.

Case Galeria Laguna

Um dos destaques do painel foi o case Galeria Laguna, que é o edifício com a maior pontuação LEED no mundo. O engenheiro civil Carlos Grazina, diretor de engenharia do Grupo Laguna, demonstrou uma série de soluções técnicas que possibilitaram alcançar este marco, o que traduz a potência da engenharia do estado do Paraná como referência em sustentabilidade e inovação.

“A essência da Laguna sempre foi tornar as cidades mais belas e melhores para viver,” ressaltou Grazina. “A certificação foi resultado do trabalho com o objetivo de entregar um produto melhor.”

O projeto da Galeria se destaca por ter um projeto modelado em BIM, o que extraiu 86% do custo da obra antes da execução, e por sua autossuficiência hídrica, com 100% de redução no consumo de água da rede pública.

Engenharia industrial: verticalização

A capacidade do Paraná de atuar em grandes projetos de engenharia industrial em todo o país foi ilustrada pelo engenheiro mecânico Rafael Luiz Spagnuolo, CEO da MSE Engenharia. O engenheiro ressaltou que a empresa, nascida em Londrina, tornou-se uma referência nacional por meio da busca constante por excelência e da verticalização de seus processos. “Podemos não ser os maiores, mas buscamos nos esforçar para sermos os melhores,” disse Spagnuolo, citando um valor cultural da empresa.

A MSE utiliza um parque fabril próprio para pré-fabricação e tecnologias avançadas, o que permitiu à empresa alcançar um nível de industrialização de até 40% em obras complexas.

Infraestrutura: Ponte de Guaratuba na reta final

O engenheiro civil Luciano Ribeiro Pizatto, diretor de contratos na Odebrecht Engenharia e Construção, encerrou o bloco de apresentações ao contextualizar a Ponte de Guaratuba como um símbolo da audácia e da competência técnica da engenharia no Paraná. A obra, que eliminará a dependência de balsas no Litoral, tem 1.244 metros de extensão e um investimento de R$ 386,9 milhões.

O palestrante apresentou os principais desafios do ponto de vista da engenharia enfrentados durante a obra. “É uma obra de tirar o sono”, confessou. Isso se deve à complexidade da construção (técnica) e aos desafios de manutenção (pós-entrega) de uma estrutura estaiada construída em ambiente marítimo.

Entre os desafios construtivos e estruturais, ele falou sobre o trecho estaiado, que possui 320 metros de extensão, incluindo o vão central de 160 metros sobre o canal de navegação. Esse trecho, segundo ele, exige precisão extrema na montagem.

Também compartilhou que a obra em ambiente marítimo exige o uso de materiais de alta durabilidade e técnicas específicas para proteção contra a corrosão. Além disso, a instalação e tensionamento dos estais (cabos de sustentação) que ligam o tabuleiro às torres demandam controle de engenharia rigoroso para garantir a estabilidade e a distribuição correta das cargas.

Como curiosidade, ele compartilhou dados de que a obra envolve a logística e a aplicação de grandes volumes de materiais específicos para a infraestrutura, como as mais de 2,5 mil toneladas de aço e 17 mil metros cúbicos de concreto.

Pizatto concluiu citando que os desafios seguirão após a entrega da obra, que necessitará de atenção constante com manutenção preventiva. “Entre essas manutenções necessárias estão as conexões onde os cabos estaiados chegam (ancoragens), que precisam permanecer estanques (à prova d’água) continuamente para evitar a infiltração de umidade e a corrosão dos cabos”. A aferição e o retensionamento dos cabos, a atenção ao tabuleiro e à drenagem, além da atenção às juntas de dilatação, são outros cuidados essenciais.

A obra segue em ritmo acelerado e está com 80% de execução concluída. Pizatto destacou que a estrutura contará com quatro faixas de tráfego, faixas de segurança e calçadas com ciclovia. A previsão de entrega é para abril de 2026.


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