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Acesso em 29/10/2026 às 18h18.
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Projeto ‘Ver a Cidade’ avança no Paraná com apoio do Crea-PR e amplia atuação para melhorias em escolas públicas

Parceria entre Crea-PR, TCE, SETI e universidades estaduais une fiscalização, formação cidadã e engenharia para aprimorar a gestão pública e identificar necessidades em edificações escolares

26 de maio de 2026, às 15h30 - Tempo de leitura aproximado: 7 minutos

A integração entre instituições públicas, universidades e profissionais da engenharia vem consolidando no Paraná um modelo inovador de fiscalização técnica, formação cidadã e apoio à gestão pública. Após os resultados alcançados na primeira etapa do programa “Ver a Cidade”, o projeto entra agora em uma nova fase voltada à manutenção, acessibilidade e conservação de escolas públicas estaduais.

Lançado pelo Governo do Estado no último dia 13 de maio, o programa “Ver a Cidade 2026: Formando Engenheiros Cidadãos para uma Escola Melhor” teve a assinatura da parceria entre Crea-PR, Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) e universidades estaduais firmada na Plenária do Conselho nesta terça (26). O Programa prevê a realização de vistorias técnicas em 100 escolas estaduais distribuídas entre os municípios de Cascavel, Londrina, Maringá, Umuarama e Ponta Grossa.

As atividades serão desenvolvidas pelas universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG), Oeste do Paraná (Unioeste) e Unicentro, envolvendo 60 estudantes de Engenharia Civil e 10 professores orientadores. Cada núcleo universitário contará com 12 acadêmicos e dois professores responsáveis, realizando, em média, inspeções em 20 escolas públicas.

A nova etapa terá foco em inspeções prediais, acessibilidade, conservação, manutenção preventiva e identificação de patologias construtivas. Os estudantes produzirão documentos técnicos de recomendação, sem caráter de laudo técnico, seguindo orientações do Crea-PR e formulários auxiliares fornecidos pelo TCE-PR.

A atuação do Conselho estará concentrada especialmente na qualificação das equipes, no apoio técnico às inspeções e na análise dos relatórios produzidos pelos acadêmicos. A proposta também possui caráter preventivo, orientativo e educativo em relação às inspeções prediais e à acessibilidade nas escolas.

Para o gerente regional do Crea-PR em Curitiba, eng. agr. Eduardo Ramires, o projeto fortalece a integração entre instituições públicas, universidades e profissionais da engenharia, aproximando os estudantes da realidade da atuação técnica e da gestão pública. “Trata-se de uma relevante oportunidade de extensão universitária, permitindo aos acadêmicos vivenciarem situações reais, contribuírem com análises técnicas e desenvolverem uma visão mais ampla, prática e aplicada da profissão”, destaca.

Segundo Ramires, nesta nova etapa o Conselho terá papel importante na capacitação técnica dos envolvidos, especialmente nas ações relacionadas à acessibilidade. “A atuação do Crea-PR terá ênfase na capacitação dos envolvidos, especialmente no que se refere à fiscalização integrada com foco em acessibilidade. A previsão é oferecer suporte técnico especializado, por meio de treinamento prático com fiscais experientes e da abordagem das diretrizes éticas da profissão”, afirma.

O presidente em exercício do Crea-PR, eng. amb. Helder Rafael Nocko, destaca que o projeto reforça o papel da engenharia na proteção da sociedade e na valorização do interesse público. “Os resultados da primeira etapa foram muito positivos, especialmente pela geração de diagnósticos técnicos sobre obras públicas e pela identificação de inconsistências, o que fortalece a transparência e o controle social”, afirma.

Nocko também ressalta que a nova fase amplia o impacto social da iniciativa ao direcionar o conhecimento técnico para a melhoria da infraestrutura escolar. “O envolvimento de universidades e estudantes contribui para a formação de futuros profissionais mais conscientes de sua responsabilidade técnica e aproxima o Sistema Confea/Crea da sociedade e da gestão pública. Mais do que um órgão de fiscalização, são projetos que demonstram o serviço da engenharia para a sociedade”, completa.

Para o presidente do TCE-PR, dr. Ivens Zschoerper Linhares, o momento representa um marco importante para o fortalecimento do controle social e da parceria entre instituições públicas. “É uma honra estar aqui. Estamos celebrando, junto com a SETI e o Crea-PR, um importante convênio do programa Ver a Cidade, que tem como objetivo trazer estudantes das universidades estaduais para atuar na fiscalização de obras em todo o estado”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa reforça um dos principais papéis do TCE-PR. “O fomento ao controle social é uma das nossas missões e não há ninguém mais preparado para contribuir com essa tarefa do que os estudantes das engenharias. A fiscalização de obras paralisadas é algo extremamente importante, já foi um sucesso anteriormente e agora renovamos essa parceria com muita satisfação. É um momento significativo para a história do Tribunal, para garantir que obras públicas paralisadas tenham o desfecho esperado e sejam concluídas para atender aos objetivos para os quais foram iniciadas”.

O programa recebe investimento de R$ 374 mil por meio do Fundo Paraná, gerido pela SETI, dentro da Encomenda Governamental SETI/Fundo Paraná – EG n.º 05/2026. O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, destacou a construção conjunta entre as instituições envolvidas. “Temos promovido diálogos e parcerias importantes com o TCE para alcançar objetivos comuns. Desde o início da nossa gestão na SETI, construímos uma parceria muito importante com o Crea-PR, tanto em programas de formação na engenharia quanto na prestação de serviços pelas universidades estaduais”, explicou. Como exemplo, Bona citou o Projetek, programa que oferece apoio técnico aos municípios que enfrentam dificuldades na elaboração de projetos. Sobre o Ver a Cidade, o secretário ressaltou a relevância da nova etapa. “O programa é muito importante para a fiscalização de obras públicas paralisadas e, nesta segunda fase, o foco serão as escolas. Serão 70 pessoas atuando em cinco municípios, iniciando pela verificação das obras e, posteriormente, com a fiscalização do TCE nos casos necessários. É um trabalho de grande relevância também para a formação acadêmica dos estudantes das engenharias”, completou.

O projeto está alinhado às diretrizes da Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Paraná (PECTI-PR 2024–2030) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente aqueles relacionados à educação de qualidade, infraestrutura, inclusão e fortalecimento institucional.

Resultados da primeira etapa fortaleceram nova fase do projeto

A nova edição do “Ver a Cidade” nasce a partir da experiência acumulada na primeira etapa do programa, realizada em 2024, quando estudantes, universidades, Crea-PR e TCE-PR participaram do levantamento e análise de obras públicas classificadas como paralisadas em municípios paranaenses.

O levantamento inicial apontava mais de 1.083 obras públicas cadastradas como paralisadas no Paraná. Após cruzamento de dados, análises remotas e visitas de campo realizadas pelos participantes do projeto, foram identificadas 217 obras efetivamente paralisadas, representando aproximadamente R$ 287 milhões em valores contratados.

A gerente de Fiscalização do Crea-PR, Mariana, explica que o principal papel da fiscalização foi verificar em campo a situação real das obras indicadas nos sistemas oficiais. “Recebemos as informações a partir do cadastro do TCE, indicando que a obra estava paralisada, mas na prática grande parte estava concluída e algumas ainda estavam em andamento”, relata.

Segundo ela, um dos principais problemas identificados foi a falta de atualização das informações pelos municípios junto aos órgãos de controle. “O levantamento contribuiu principalmente para revisão do formato de repasse de informações dos municípios ao TCE, permitindo um monitoramento ainda mais efetivo”, afirma.

Mariana destaca ainda que foram poucas as irregularidades relacionadas ao exercício profissional encontradas durante as fiscalizações. “Via de regra, as obras públicas em andamento possuem responsável técnico e registros atualizados”, explica.

Além da análise técnica, o projeto também teve papel importante na formação dos estudantes envolvidos. “Durante as fiscalizações em conjunto com os acadêmicos, a equipe de fiscais pôde apresentar como funciona a fiscalização do Crea e a atuação esperada dos profissionais, considerando o Código de Ética”, acrescenta Mariana.

Para o engenheiro civil e mestre Paulo Augusto Daschevi, dirigente da Coordenadoria de Obras Públicas do TCE-PR, o programa aproxima os estudantes da realidade da gestão pública e fortalece a formação cidadã na engenharia.

Segundo Daschevi, a primeira etapa permitiu identificar inconsistências nos dados oficiais sobre obras públicas e gerar informações relevantes para qualificar os processos de fiscalização e controle externo. Já na nova etapa, o foco passa a ser a avaliação das condições de acessibilidade, manutenção e conservação das escolas públicas estaduais.

“O principal objetivo é educacional, fortalecendo nos estudantes a compreensão sobre responsabilidade profissional, importância dos dados técnicos e atuação cidadã da engenharia”, destaca.

Ao longo da primeira edição, foram realizadas 1.083 análises remotas, 820 inspeções conduzidas pelo Crea-PR e 10 visitas técnicas presenciais organizadas pelas universidades participantes. Os resultados contribuíram para aprimorar a qualidade das informações utilizadas pela administração pública, fortalecer a cultura de fiscalização preventiva e ampliar a integração entre universidades, órgãos de controle e entidades profissionais.


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