33º Fórum de Docentes e Discentes debate inovação, inteligência artificial e formação profissional
17 de setembro de 2026, às 9h14 - Tempo de leitura aproximado: 7 minutos

O segundo dia do 33º Fórum de Docentes e Discentes do Crea-PR, realizado nesta terça-feira (15), em Umuarama, reuniu docentes, estudantes e representantes do setor público, da academia e de ambientes de inovação para discutir os caminhos da formação profissional diante das transformações tecnológicas e as relações entre ensino, mercado e desenvolvimento regional.
A programação da manhã começou com o painel “Ecossistemas que Transformam: A força dos ambientes de inovação na conexão entre academia, tecnologia e desenvolvimento”, mediado pelo Eng. Civil Ricardo Rocha de Oliveira. O encontro reuniu representantes do Sistema de Ambientes Promotores de Inovação (Separtec) e Ageuni, do Technopark Umuarama, do Biopark Toledo e do Vale dos Trilhos, de Ponta Grossa.
Durante as apresentações, foram abordadas diferentes experiências de ambientes de inovação no Paraná e a forma como esses espaços conectam universidades, poder público e setor produtivo. Representando a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), Ricardo Rocha destacou o papel do Estado no fomento à inovação e a importância da articulação entre governo, academia e mercado, a chamada Hélice Tríplice.
Rocha também apresentou o desafio de transformar a produção científica e intelectual do Paraná em produtos e serviços aplicáveis ao mercado. Nesse contexto, explicou o papel do Separtec na articulação do ecossistema estadual e os processos de credenciamento e financiamento de Ambientes Promotores de Inovação. Segundo ele, docentes e estudantes têm papel central na transformação do conhecimento produzido nas instituições de ensino em soluções para a sociedade.
Na sequência, Hermes João Inácio apresentou a experiência do Biopark, em Toledo, destacando a trajetória de criação do parque e a atuação nas áreas de saúde, agronegócio e tecnologia. A apresentação também abordou o Biopark Educação, as parcerias para pesquisa e formação e os programas voltados ao empreendedorismo, como pré-incubação, incubação e aceleração de startups.
A terceira experiência apresentada foi a do Vale dos Trilhos, ecossistema de inovação de Ponta Grossa. Verlaine Lia Costa detalhou a estruturação da política municipal de incentivo à inovação e os eixos de atuação do ecossistema, que envolvem governança, democratização tecnológica, inclusão digital e empreendedorismo. A Estação Hub foi apresentada como espaço de conexão entre os diferentes atores, enquanto os grupos de trabalho desenvolvem iniciativas voltadas à capacitação de empreendedores, aproximação com empresas e formação de novos talentos.
Após as apresentações, os participantes participaram de uma mesa redonda, que reuniu os palestrantes para aprofundar a discussão sobre a conexão entre pesquisa acadêmica, setor produtivo e políticas públicas. O debate tratou da necessidade de integração entre iniciativas estaduais, ambientes regionais de inovação e ecossistemas municipais para ampliar as oportunidades de desenvolvimento tecnológico e formação profissional.
O futuro da inteligência artificial
Ainda pela manhã, o professor, pesquisador e futurista Jorge Luiz Carcia Van Dal ministrou a palestra “Ensinar e Aprender na Era da Inteligência Artificial: O novo papel da academia na formação das profissões tecnológicas”. A apresentação abordou as transformações provocadas pelo avanço da inteligência artificial e seus impactos sobre a educação, o trabalho e os processos de aprendizagem.
Van Dal destacou que a velocidade de evolução das tecnologias exige mudanças na forma de ensinar e aprender. A palestra também abordou os efeitos do uso passivo da inteligência artificial sobre processos cognitivos e aprendizagem e apresentou a tecnologia como ferramenta de ampliação da criatividade e da produtividade quando utilizada de maneira estruturada e consciente.
Entre os pontos apresentados esteve a necessidade de definir problemas antes de buscar sua automação, além do desenvolvimento de formas mais estruturadas de utilização da inteligência artificial, integrando ferramentas, dados e processos. Ao tratar da formação dos profissionais para os próximos anos, o palestrante defendeu a combinação entre fundamentos técnicos, pensamento crítico, criatividade, uso da IA e capacidade de tomada de decisão.
No intervalo da manhã, os participantes puderam visitar os estandes dos trabalhos premiados pelo Crea-PR nas categorias de melhores Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) e Projetos de Extensão Universitária.
Programação do período da tarde
No período da tarde, o professor Emerson Donaiski, da PUC-PR, conduziu a palestra “Elaboração de Matriz e Planos de Ensino por Competências e Habilidades”. O conteúdo tratou da organização dos planos de ensino a partir de competências e habilidades, em uma discussão voltada ao trabalho dos docentes e à formação acadêmica.
Na sequência, a programação abordou os produtos e serviços disponibilizados pelo Crea-PR às instituições de ensino. O tema foi apresentado pelo coordenador da Comissão de Educação e Atribuição Profissional (CEAP), Eng. Civil Elias Pereira, e pelo coordenador do Colégio de Instituições de Ensino (CIE), Eng. Agr. Almir Antônio Gnoatto.
Gnoatto apresentou iniciativas e ferramentas de apoio às instituições de ensino, além dos resultados das premiações promovidas pelo Conselho. Ao todo, foram 280 TCCs inscritos, com 27 vencedores, e 68 Projetos de Extensão inscritos, com 25 vencedores. Também foram apresentados o Manual do Coordenador de Curso, os dados de egressos e a Revista Técnico-Científica.
Elias Pereira destacou ferramentas como o Portal da Educação e a Extranet do Crea-PR e explicou como o envio online da relação de formandos pelas instituições de ensino pode agilizar os processos de registro profissional dos recém-formados. Ele também apresentou os resultados do Selo de Conformidade do Crea-PR. No ciclo 2025/2026, 52 cursos receberam o reconhecimento nas categorias Conformidade, Alta Conformidade ou Máxima Conformidade.
Atribuição profissional
Encerrando a programação do dia, o painel “Formação, Registro e Atribuições Profissionais: os desafios do cadastro de cursos e os caminhos para fortalecer a segurança do exercício profissional” reuniu coordenadores das Câmaras Especializadas do Crea-PR, com mediação do Eng. Civil Elias Pereira.
O debate tratou dos processos de formação, registro e definição das atribuições profissionais, além dos desafios relacionados ao cadastro de novos cursos. Entre os temas discutidos esteve a análise curricular realizada pelo Crea-PR e a relação entre a formação dos docentes e os conteúdos ministrados nos cursos.
Também foram abordados os desafios relacionados à criação de cursos com nomenclaturas e grades curriculares muito específicas. A discussão destacou que uma formação mais restrita pode resultar em atribuições profissionais igualmente delimitadas. O painel também tratou de cursos tecnólogos que, originalmente concebidos para áreas específicas, passaram a adotar propostas mais generalistas.
Outro ponto apresentado foi a relação entre cursos de pós-graduação e atribuições profissionais. Elias Pereira reforçou que a conclusão de uma pós-graduação lato sensu não amplia automaticamente o campo de atuação profissional. A concessão de novas atribuições depende da análise da formação original do profissional, da carga horária e do conteúdo programático, entre outros aspectos.
Programação voltada para acadêmicos
No período da tarde, docentes e discentes assistiram a programação em salas separadas. Para os estudantes, foram apresentadas ações de voluntariado, com iniciativas realizadas em Rio Bonito do Iguaçu e Renascença. As atividades reforçaram a atuação de profissionais durante eventos climáticos extremos e a importância do voluntariado como forma de colocar conhecimentos e habilidades a serviço da sociedade, aproximando a formação acadêmica das demandas encontradas nos municípios.








































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