Seminário de Acessibilidade reúne profissionais, entidades e comunidade em Guarapuava para debater inclusão
9 de outubro de 2026, às 11h04 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

Com a participação de 179 pessoas, o Seminário de Acessibilidade de Guarapuava promoveu um amplo debate sobre os desafios e avanços da inclusão nos espaços urbanos e edificações. Realizado na noite da última terça-feira (7/10), na UTFPR, o evento reuniu profissionais das áreas tecnológicas, representantes de instituições de ensino, entidades ligadas às pessoas com deficiência e poder público para discutir soluções que contribuam para cidades mais acessíveis e inclusivas.
Promovido pela Comissão de Acessibilidade do CREA-PR, o seminário contou com palestra técnica, painel de debates e apresentações de diferentes instituições que compartilharam experiências, projetos e iniciativas voltadas à promoção da acessibilidade.
A programação teve início com palestra do arquiteto e urbanista Ricardo Bavaresco Rodrigues, especialista em acessibilidade, que abordou os principais aspectos da área e a aplicação das diretrizes previstas na NBR 9050. Na sequência, o painel “A Engenharia pela Inclusão” reuniu representantes de entidades, universidades e órgãos públicos para apresentar ações e desafios relacionados à acessibilidade em diferentes contextos.

Entre os temas discutidos estiveram as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência visual devido à falta de estrutura adequada em edificações e espaços públicos, a importância da aplicação correta da legislação e das normas técnicas, além da necessidade de ampliar o planejamento acessível nos municípios.
Durante o evento, a Prefeitura de Guarapuava apresentou um levantamento sobre a situação das calçadas do município, estudo que servirá de base para direcionar futuras ações de adequação. Também foram compartilhadas experiências de acessibilidade desenvolvidas no Centro Universitário Campo Real, na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e pela Associação dos Deficientes Físicos de Guarapuava (ADFG).
Representando o presidente do CREA-PR na abertura do seminário, o diretor administrativo do Conselho, Eng. Civil Thiago Aurélio Lorenzetti, avaliou a iniciativa: “A avaliação do CREA-PR é muito positiva. O seminário cumpriu o objetivo de promover o diálogo entre profissionais, instituições de ensino, entidades representativas e a sociedade. Mais do que um encontro técnico, o evento reafirmou que a acessibilidade precisa ser considerada desde o planejamento, nos projetos, na execução, na fiscalização e, principalmente, na manutenção dos espaços e serviços”, destacou.

Segundo Lorenzetti, a discussão é fundamental para os profissionais da Engenharia, Agronomia e Geociências, já que suas atividades impactam diretamente a forma como as pessoas vivem e circulam nos espaços urbanos e rurais. “Quando a acessibilidade é considerada desde o início, reduzimos barreiras e ampliamos a autonomia, a segurança e a participação das pessoas. Esses debates aproximam o conhecimento técnico das necessidades reais da sociedade e estimulam soluções que sejam não apenas adequadas às normas, mas também funcionais e humanizadas”, afirmou.
Para o coordenador da Comissão de Acessibilidade do CREA-PR, Eng. Civil Alisson Ray Ostjen, o seminário teve como diferencial a integração entre aspectos técnicos e as vivências apresentadas pelas próprias entidades que representam pessoas com deficiência: “O seminário trouxe uma abordagem bastante interessante, reunindo aspectos técnicos da acessibilidade com a realidade vivenciada pelas pessoas com deficiência. Tivemos a participação de profissionais, representantes de entidades, instituições de ensino e do poder público, o que permitiu ampliar a discussão para além das questões normativas”, ressaltou.

De acordo com Ostjen, um dos principais desafios é transformar o que está previsto nas normas e legislações em acessibilidade efetiva: “Precisamos garantir os três pilares que definem a acessibilidade: segurança, conforto e autonomia. A acessibilidade não deve ser vista apenas como uma obrigação normativa, mas como uma responsabilidade profissional e social. Muitas das barreiras que encontramos hoje poderiam ter sido evitadas com decisões corretas ainda na fase de projeto”, destacou.
O coordenador também reforçou que a Comissão de Acessibilidade tem ampliado esse debate em diferentes regiões do Paraná, promovendo eventos que aproximam profissionais, universidades, gestores públicos e entidades representativas. Este já é, inclusive, o segundo encontro sobre o tema de 2026.
Ao final do encontro, a principal mensagem compartilhada pelos participantes foi a de que a acessibilidade deve estar presente desde a concepção dos projetos e políticas públicas, contribuindo para a construção de ambientes mais seguros, inclusivos e acolhedores para toda a população.
“A Engenharia pela inclusão é aquela que coloca o conhecimento técnico a serviço das pessoas, promovendo mais autonomia, segurança e dignidade”, concluiu Lorenzetti.












































































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